O Ibovespa encerrou setembro acumulando alta de 15,65% em 2026, mas o avanço do principal índice da B3 não foi acompanhado por todas as ações negociadas no mercado brasileiro. Um levantamento da Elos Ayta identificou 16 papéis que renovaram seus menores preços de fechamento do ano durante o mês.
O grupo reúne empresas de diferentes setores e apresenta uma diferença expressiva de desempenho: enquanto a menor perda acumulada foi de 0,12%, a maior chegou a 95,30% até 30 de setembro.
O levantamento considera ações com volume financeiro médio diário superior a R$ 1 milhão em 2026. O resultado ajuda a entender por que a alta do Ibovespa não significa, necessariamente, que a maior parte das ações esteja subindo.
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O Ibovespa é uma carteira teórica formada por ações e units de empresas negociadas na B3. Cada ativo possui um peso diferente dentro do índice, de acordo com critérios definidos pela metodologia da carteira.
Por isso, o desempenho do indicador representa uma combinação das variações dos papéis que o compõem. Uma ação pode registrar forte queda enquanto outras empresas, especialmente aquelas com maior participação no índice, apresentam valorização suficiente para sustentar o resultado positivo do Ibovespa.
Isso significa que a alta de 15,65% do índice em 2026 não deve ser interpretada como uma valorização generalizada da Bolsa.
A diferença fica evidente quando são observadas as ações que atingiram suas mínimas anuais em setembro. Entre os 16 papéis identificados, todos acumulavam perdas no ano até o dia 30.
Cinco ações do Ibovespa aparecem entre as mínimas
A lista inclui cinco empresas que fazem parte do próprio Ibovespa: Vale (VALE3), Natura (NATU3), Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Azzas 2154 (AZZA3).
A presença desses papéis mostra que mesmo ações integrantes do principal índice da B3 podem atravessar períodos de pressão e atingir os menores níveis de fechamento do ano.
A intensidade das perdas, entretanto, varia bastante entre as empresas.
A Gafisa (GFSA3) registrou a maior desvalorização da amostra, com queda de 95,30% no acumulado até 30 de setembro. Na sequência aparecem Recrusul (RCSL4), com baixa de 82,71%, e Azevedo (AZEV4), que recuou 71,67%.
Esses foram os três únicos papéis do levantamento com perdas superiores a 50% no ano.
No outro extremo está a Vale. A mineradora registrava queda acumulada de apenas 0,12% até o fim de setembro, apesar de ter renovado sua mínima anual durante o mês.
Natura e Cury também apresentavam perdas inferiores a 10%, de 9,40% e 9,55%, respectivamente.
Mínima anual não significa necessariamente pior desempenho
A diferença entre os papéis mostra por que atingir uma mínima anual precisa ser analisado dentro do contexto de cada empresa.
A Vale, por exemplo, registrou seu menor preço de fechamento de 2026 em 29 de setembro, mas terminou os nove primeiros meses do ano praticamente estável.
Já a Gafisa acumulava uma queda superior a 95% no mesmo período. Portanto, as duas empresas aparecem na mesma lista, mas representam situações de mercado completamente diferentes.
A mínima anual indica apenas o menor preço de fechamento registrado pelo ativo dentro do período analisado. Sozinha, ela não determina se uma ação está barata, cara ou se representa uma oportunidade de investimento.
Para chegar a uma conclusão, o investidor precisa considerar outros fatores, como resultados financeiros, endividamento, perspectivas para o setor, geração de caixa e riscos específicos da companhia.
Oito ações atingiram a mínima nos últimos três pregões de setembro
Outro dado chama atenção no levantamento: metade dos papéis, oito no total, registrou a menor cotação de fechamento de 2026 justamente nos três últimos pregões de setembro.
Em 30 de setembro, as mínimas foram renovadas por Recrusul, JBS (JBSS32) e BrasilAgro (AGRO3).
No dia 29, foi a vez de M. Dias Branco (MDIA3), Natura e Vale. Já Azevedo e Direcional atingiram seus pisos anuais em 28 de setembro.
A concentração no fim do mês significa que, para oito das 16 empresas analisadas, o menor fechamento do ano coincidiu com o encerramento do terceiro trimestre.
Isso, porém, não significa que todos esses papéis tenham terminado setembro exatamente na mínima.
Apenas Recrusul, JBS e BrasilAgro encerraram o último pregão do mês no menor preço de fechamento registrado em 2026. As outras 13 ações terminaram setembro acima do piso alcançado anteriormente.
Incorporadoras representam 25% da lista
O setor de incorporação imobiliária foi o mais frequente entre as empresas identificadas no levantamento.
Quatro das 16 ações pertencem ao segmento: Gafisa, Direcional, Cury e Even (EVEN3). Juntas, elas representam 25% da amostra.
Mesmo entre as incorporadoras, entretanto, houve diferenças relevantes de desempenho.
A Gafisa acumulava a maior queda de todo o levantamento, de 95,30%. A Cury aparecia entre os papéis com menor perda relativa, recuando 9,55%.
Direcional e Even, por sua vez, acumulavam quedas de 28,40% e 37,57%, respectivamente.
Os dados mostram, portanto, que pertencer ao mesmo setor não significa necessariamente apresentar a mesma trajetória na Bolsa. O levantamento identifica as mínimas e as variações acumuladas, mas não estabelece as causas específicas para o desempenho de cada companhia.
Ações estão distribuídas entre diferentes índices
Os 16 papéis também aparecem em diferentes índices da B3.
Nove fazem parte do índice Small Caps, enquanto cinco integram o Índice de Dividendos (IDIV) e cinco pertencem ao Ibovespa. Há sobreposição entre essas categorias, já que uma mesma ação pode fazer parte de mais de um índice.
Outras seis empresas não estavam presentes em nenhum desses três indicadores.
Essa distribuição reforça a diferença entre acompanhar um índice amplo e analisar individualmente cada ação. Mesmo dentro de carteiras de referência, os papéis podem apresentar comportamentos bastante diferentes.
Para quem acompanha o mercado, portanto, a alta do Ibovespa não elimina a necessidade de observar os movimentos específicos das empresas.
O que o investidor deve observar antes de comprar uma ação em queda?
Uma ação que caiu muito não necessariamente está barata. Da mesma forma, atingir a mínima do ano não significa que o preço não possa cair ainda mais.
A análise precisa considerar o motivo pelo qual o mercado está precificando a empresa daquela maneira e se os fundamentos justificam uma eventual recuperação.
Entre os pontos que podem ser avaliados estão:
- resultados financeiros recentes;
- nível de endividamento;
- geração de caixa;
- perspectivas para o setor;
- capacidade de crescimento;
- distribuição de dividendos;
- riscos regulatórios e operacionais;
- expectativas para os próximos resultados;
- liquidez das ações.
Também é necessário diferenciar uma queda provocada por fatores temporários de uma desvalorização relacionada a problemas estruturais da companhia.
Por isso, simplesmente procurar as ações que mais caíram ou que atingiram a mínima do ano pode levar a conclusões equivocadas.
O que o levantamento mostra sobre a Bolsa em 2026?

O principal ponto revelado pelos dados é a dispersão dos resultados dentro do mercado acionário brasileiro.
Enquanto o Ibovespa acumulava valorização de 15,65% até 30 de setembro, 16 ações com liquidez média superior a R$ 1 milhão por dia haviam renovado suas mínimas anuais no decorrer do mês.
As perdas também apresentavam uma amplitude muito grande. A Vale estava praticamente estável, com baixa de 0,12%, enquanto a Gafisa acumulava queda de 95,30%.
A fotografia do mercado, portanto, é mais complexa do que o desempenho de um único índice. O Ibovespa pode avançar ao mesmo tempo em que determinados setores, empresas ou ações enfrentam forte pressão vendedora.
O levantamento da Elos Ayta considerou os menores preços de fechamento registrados em 2026 durante setembro para ações com volume financeiro médio diário acima de R$ 1 milhão. Os retornos apresentados são acumulados até 30 de setembro de 2026.
Conclusão
O desempenho do Ibovespa em 2026 mostra que a alta do índice não representa, por si só, um movimento uniforme entre as ações da B3. Enquanto o indicador acumulava valorização de 15,65% até setembro, 16 papéis renovaram suas mínimas anuais no mesmo mês, com perdas que chegaram a 95,30%.
Os dados reforçam a importância de olhar além do índice e analisar individualmente cada empresa. Uma ação próxima da mínima do ano pode estar passando por uma deterioração de fundamentos ou simplesmente refletir uma reação pontual do mercado — e essa diferença não pode ser identificada apenas pela cotação.
Para o investidor, portanto, a mínima anual deve ser encarada como um ponto de partida para uma análise mais ampla, e não como indicação automática de oportunidade de compra. Resultados, endividamento, perspectivas do setor e capacidade de geração de valor continuam sendo fatores essenciais antes de qualquer decisão.
