O segundo turno das eleições no Rio de Janeiro foi marcado pela participação de eleitores idosos que fizeram questão de comparecer às seções eleitorais, mesmo pertencendo a uma faixa etária na qual o voto não é obrigatório. Apesar da chuva registrada nas primeiras horas da votação, muitos cidadãos chegaram cedo aos locais de votação para exercer o direito de escolher seus representantes.
A presença desse público chamou a atenção em diferentes pontos da cidade, especialmente no Instituto São João Batista (ISJOB), localizado no bairro do Méier, na zona norte carioca. O movimento de pessoas com idade avançada foi expressivo, mesmo diante de dificuldades de acessibilidade no prédio, que possui três andares e não conta com elevador.
Os relatos mostram que, para muitos brasileiros, participar das eleições continua sendo um compromisso pessoal e uma maneira de contribuir com os rumos do país, independentemente da obrigatoriedade estabelecida pela legislação eleitoral.
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Voto após os 70 anos é facultativo no Brasil

A legislação brasileira estabelece que o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos. A mesma regra vale para jovens de 16 e 17 anos e para pessoas analfabetas. Portanto, cidadãos nessa faixa etária podem decidir se desejam ou não participar das eleições, sem sofrer penalidades caso não compareçam às urnas.
A regra está prevista no artigo 14 da Constituição Federal. Para os brasileiros entre 18 e 70 anos, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios, respeitadas as exceções legais.
Mesmo sem a obrigação, muitos idosos continuam participando regularmente dos processos eleitorais. A decisão pode estar relacionada ao interesse pela política, à preocupação com serviços públicos e à vontade de influenciar decisões que afetam diretamente a população.
Professor de 81 anos enfrentou recuperação cirúrgica para votar
Uma das histórias que chamou a atenção no Méier foi a do professor universitário aposentado Carlos Peixoto, de 81 anos. Mesmo tendo passado por uma cirurgia para retirada de um câncer de bexiga apenas dez dias antes da votação, ele decidiu comparecer pessoalmente à seção eleitoral.
Durante a recuperação, o aposentado enfrentou uma complicação relacionada à sonda urinária, que o levou a retornar ao hospital após receber alta. Depois da correção do problema, continuou em recuperação, mas não desistiu de participar do segundo turno.
Ainda com os pontos da cirurgia, Peixoto caminhou sozinho de casa até o local de votação. Segundo ele, a participação nas eleições sempre fez parte de sua vida e não poderia deixar de votar em um momento que considerava importante.
O professor também relatou que conseguiu registrar seu voto em menos de 30 segundos. Caso encontrasse uma fila, afirmou que utilizaria o direito à prioridade garantido aos eleitores idosos.
Eleitores idosos têm atendimento prioritário nas eleições
Além da possibilidade de votar facultativamente depois dos 70 anos, os idosos contam com garantias específicas durante o processo eleitoral.
Pelo Estatuto da Pessoa Idosa, cidadãos com 60 anos ou mais têm direito a atendimento prioritário. Nas eleições, a legislação também estabelece prioridade especial para pessoas com mais de 80 anos em relação aos demais idosos.
Isso significa que eleitores nessa condição podem ter preferência no atendimento, inclusive quando há filas nas seções eleitorais.
A prioridade é importante principalmente para pessoas com mobilidade reduzida, dificuldades de locomoção ou que precisam permanecer pouco tempo em pé.
Outro ponto relevante é a acessibilidade. A Justiça Eleitoral deve oferecer condições para que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida consigam exercer o voto com autonomia e segurança.
Jornaleiro de 68 anos também fez questão de votar
A movimentação no Instituto São João Batista também contou com eleitores que ainda não chegaram aos 70 anos e, portanto, continuam sujeitos à obrigatoriedade do voto.
Foi o caso do jornaleiro Chico Spinelli, que completou 68 anos no próprio domingo da votação. Depois de comemorar o aniversário com a família no sábado, ele saiu cedo de casa para votar e seguir para sua banca de jornais no Méier.
Com mais de quatro décadas de profissão, Spinelli decidiu abrir o estabelecimento excepcionalmente naquele domingo. Além de vender jornais, revistas e café, ele aproveitou o expediente para conversar com os clientes e manter a rotina do bairro.
O jornaleiro afirmou que a votação foi rápida e destacou que considerava importante participar da escolha dos representantes políticos.
Transporte gratuito facilita o acesso aos locais de votação

Outro aspecto que contribuiu para a movimentação de eleitores no Rio de Janeiro foi a oferta de transporte público gratuito durante o segundo turno.
Na ocasião relatada, a gratuidade foi disponibilizada nos ônibus urbanos até o encerramento da votação. O benefício também contemplou o metrô, até as 20h, e os serviços de barcas em trajetos como Praça XV-Cocotá e a ligação entre o Rio de Janeiro e a Ilha de Paquetá.
A medida teve como objetivo facilitar o deslocamento dos eleitores e reduzir obstáculos financeiros para quem precisava chegar aos locais de votação.
A gratuidade no transporte também tem relevância para idosos, pessoas de baixa renda e cidadãos que dependem do transporte coletivo para cumprir compromissos fora de casa.
© Tomaz Silva/Agência Brasil
