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Fechamento de agências leva idosos ao mundo dos aplicativos bancários

Idosos no Brasil adotam Pix e apps bancários, mas enfrentam desafios com golpes e tecnologia. Veja como ocorre essa transformação digital.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
idosos

Durante décadas, a rotina financeira no Brasil foi marcada por cheques, filas em agências e pastas cheias de comprovantes. Hoje, esse cenário mudou radicalmente. Pessoas com 60, 70 e até 80 anos passaram a conviver com aplicativos bancários, transferências instantâneas via Pix e autenticação por biometria.

Essa transformação é parte de uma das mudanças tecnológicas mais aceleradas já vividas por uma geração inteira no país. O sistema bancário brasileiro, impulsionado por digitalização, redução de agências físicas e popularização de serviços móveis, obrigou milhões de idosos a se adaptarem ao ambiente digital.

Segundo levantamentos de mercado, como os da Serasa Experian, cerca de 80% dos idosos já utilizam algum tipo de aplicativo bancário, o que demonstra uma adesão significativa, ainda que acompanhada de desafios.

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Pix e aplicativos mudaram a rotina financeira da terceira idade

A chegada do Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, foi um dos principais catalisadores dessa mudança. O sistema de pagamentos instantâneos eliminou etapas que antes faziam parte do cotidiano bancário, como compensação de cheques e transferências demoradas.

Na prática, isso trouxe benefícios diretos para a terceira idade:

Transferências imediatas

Antes, pagamentos podiam levar dias. Hoje, são concluídos em segundos.

Menos necessidade de agências bancárias

Muitos idosos passaram a resolver tudo pelo celular, sem deslocamento.

Facilidade no dia a dia

Pagamentos de contas, compras e transferências passaram a ser feitos em poucos cliques.

Exemplo comum é o de aposentados que antes dependiam de horários bancários e hoje conseguem pagar contas de casa, inclusive utilizando apenas QR Code em estabelecimentos.

A migração do gerente para o aplicativo

A digitalização também mudou a relação entre clientes e bancos. O tradicional gerente de agência perdeu parte do protagonismo para os aplicativos financeiros, que passaram a oferecer comparação de produtos, investimentos e serviços personalizados.

Esse novo modelo gerou duas percepções entre idosos:

  • Mais autonomia para decisões financeiras;
  • Menos dependência de atendimento presencial.

Ao mesmo tempo, muitos relatam dificuldade inicial para entender interfaces digitais, senhas, autenticação em dois fatores e atualizações constantes dos aplicativos.

Histórias reais mostram adaptação com apoio familiar

A adaptação da terceira idade ao sistema digital nem sempre ocorre de forma isolada. Em muitos casos, filhos e netos desempenham papel essencial nesse processo.

Casos como o de aposentados que começaram a usar computadores ainda nos anos 1990 mostram que a familiaridade prévia com tecnologia facilitou a transição. Outros, porém, precisaram aprender do zero, especialmente com o avanço dos smartphones.

A experiência de muitos idosos segue um padrão:

Etapa 1: resistência inicial

Medo de errar ou perder dinheiro em transações digitais.

Etapa 2: apoio familiar

Filhos e netos ajudam na configuração de aplicativos e explicação de funções.

Etapa 3: autonomia digital

Uso frequente de Pix, apps bancários e pagamentos online.

Hoje, muitos idosos já realizam operações como transferências, investimentos e pagamentos sem auxílio externo.

Golpes digitais são o maior risco para idosos

Apesar dos avanços, a digitalização trouxe um problema relevante: o aumento de golpes financeiros contra idosos.

Segundo estudos da Silverguard, pessoas idosas estão entre as principais vítimas de fraudes digitais no país, com prejuízos médios superiores a R$ 4,8 mil por ocorrência.

Os principais tipos de golpes incluem:

Falsos atendentes bancários

Criminosos se passam por funcionários de bancos para obter senhas.

Links maliciosos

Mensagens falsas enviadas por SMS, e-mail ou WhatsApp.

Engenharia social

Fraudadores manipulam emocionalmente as vítimas para obter dados.

Fraudes com inteligência artificial

Uso de vozes e imagens clonadas para simular pessoas conhecidas.

Com o avanço da tecnologia, os golpes também se tornaram mais sofisticados, exigindo maior atenção dos usuários.

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Por que idosos são mais vulneráveis a fraudes

Especialistas apontam alguns fatores que aumentam o risco:

  • Maior confiança em contatos telefônicos;
  • Menor familiaridade com tecnologias recentes;
  • Acúmulo de patrimônio ao longo da vida;
  • Menor percepção de risco digital;
  • Mudanças rápidas no ambiente bancário.

Isso faz com que a educação digital se torne essencial para essa faixa etária.

Aprendizado contínuo é chave para inclusão digital

Apesar das dificuldades, muitos idosos encaram a tecnologia como parte natural da vida moderna. Há casos de aposentados que utilizam o Pix diariamente, evitam agências bancárias e ainda exploram investimentos pelo celular.

Outros relatam que a adaptação digital é comparável ao aprendizado contínuo vivido ao longo da vida profissional.

A lógica é simples: quanto mais familiaridade com tecnologia, menor a dependência de terceiros e maior a autonomia financeira.

O papel dos bancos na inclusão da terceira idade

Instituições financeiras também têm papel importante nesse processo de adaptação. Muitas já oferecem:

Interfaces simplificadas

Aplicativos com modo fácil e recursos acessíveis.

Atendimento híbrido

Combinação de suporte digital e presencial.

Educação financeira

Tutoriais, vídeos e orientações para uso seguro dos serviços.

Ainda assim, especialistas defendem que a inclusão digital precisa ser contínua, com foco em segurança e usabilidade.

O impacto do fechamento de agências bancárias

Outro fator que acelerou a digitalização foi a redução do número de agências físicas no Brasil. Com menos atendimento presencial, muitos idosos foram obrigados a migrar para o digital.

Essa mudança, embora eficiente do ponto de vista operacional para os bancos, exigiu adaptação rápida dos clientes mais velhos.

Em cidades menores, a ausência de agências também ampliou a dependência de celulares para serviços básicos.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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