A partir do dia 25 de maio, todos os pedidos realizados na plataforma do iFood passaram a incluir automaticamente uma nova taxa de serviço de R$ 0,99, independentemente do valor da compra.
A medida, implementada de maneira discreta, gerou forte reação entre os consumidores e reacendeu o debate sobre as políticas comerciais da empresa.
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O que é a nova taxa de serviço do iFood?

Mudança silenciosa
Sem grandes avisos ou notificações, o iFood adicionou uma taxa fixa de R$ 0,99 a todos os pedidos feitos através do aplicativo.
A única comunicação oficial foi uma breve publicação no site da empresa em 20 de maio. Usuários começaram a perceber a mudança nos recibos de compra poucos dias antes da taxa entrar em vigor oficialmente.
Justificativa da empresa
Segundo o iFood, a nova cobrança tem como objetivo “desenvolver melhorias constantes na tecnologia e experiência de compra”. Ainda de acordo com a empresa, essa prática é comum no setor de delivery tanto no Brasil quanto no exterior.
Quanto o iFood pode arrecadar com essa taxa?
O iFood realiza cerca de 110 milhões de pedidos por mês em sua plataforma. Ao aplicar uma taxa fixa de R$ 0,99 por pedido, a empresa pode gerar uma arrecadação estimada em R$ 108,9 milhões mensais apenas com essa nova cobrança.
Como a taxa impacta os consumidores?
Clientes do Clube iFood também são afetados
Nem mesmo os assinantes do Clube iFood, que pagam uma mensalidade de R$ 12,90 em troca de vantagens como frete grátis em estabelecimentos selecionados, ficaram de fora. A taxa de R$ 0,99 será cobrada de todos, inclusive dos membros do clube.
Aumento cumulativo de custos
A nova taxa de serviço soma-se a outros encargos já pagos pelos usuários:
- Valor do pedido;
- Taxa de entrega (variável);
- Agora, a taxa de serviço obrigatória (R$ 0,99).
Isso pode elevar significativamente o valor final de cada compra, principalmente em pedidos de baixo custo.
Reações nas redes sociais: clientes se revoltam
Boicote espontâneo
Nas redes sociais, consumidores expressaram sua insatisfação com a medida. Muitos afirmaram que, a partir de agora, vão usar o aplicativo apenas para consulta de cardápios, realizando os pedidos diretamente com os restaurantes via WhatsApp ou telefone, para evitar o novo custo.
Reclamações recorrentes
Críticas como “o iFood virou um monopólio ganancioso” ou “mais uma forma de tirar dinheiro dos usuários” dominaram os comentários. A falta de transparência na comunicação também foi duramente criticada.
Taxas também pesam para os restaurantes
Custos do outro lado da tela
Além dos consumidores, os restaurantes parceiros também enfrentam diversas cobranças:
- Comissão entre 12% e 23% sobre o valor dos pedidos;
- Taxa de processamento de pagamento de 3,20%;
- Mensalidade entre R$ 130 e R$ 150, para restaurantes com faturamento acima de R$ 1.800.
Esses valores reduzem consideravelmente a margem de lucro dos estabelecimentos, forçando muitos a aumentarem os preços — o que recai, mais uma vez, sobre o consumidor final.
iFood e o debate sobre monopólio
Concentração de mercado
De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o iFood detém cerca de 80% do mercado brasileiro de delivery, o que levanta suspeitas sobre práticas monopolistas e falta de concorrência real no setor.
Concorrência no radar
Apesar da dominância do iFood, outras empresas planejam reforçar a disputa:
- 99Food anunciou retorno ao mercado;
- Meituan, gigante chinesa de delivery, confirmou a chegada do aplicativo Keeta ao Brasil.
iFood já havia ajustado repasse aos entregadores
Aumento para entregadores
No final de abril, o iFood anunciou um reajuste de 15% no valor mínimo pago por entrega realizada de moto, passando de R$ 6,50 para R$ 7,50.
Na ocasião, a empresa garantiu que os preços cobrados dos clientes não seriam impactados. No entanto, menos de um mês depois, a nova taxa de serviço foi implementada.
Como evitar ou reduzir o impacto da nova taxa?

Dicas para o consumidor
Embora a taxa seja obrigatória na plataforma, existem algumas alternativas:
- Contato direto com os restaurantes: Muitos estabelecimentos aceitam pedidos via WhatsApp ou telefone.
- Plataformas concorrentes: Avaliar aplicativos alternativos que não cobram a taxa.
- Retirada no local: Alguns estabelecimentos oferecem desconto ou isenção de taxas para retirada pessoalmente.
- Cartões de fidelidade fora do app: Alguns restaurantes oferecem promoções exclusivas para clientes que pedem fora do iFood.
Conclusão: o peso da comodidade
A cobrança da nova taxa pelo iFood reacende discussões sobre transparência, concorrência e custo-benefício no setor de delivery.
A comodidade oferecida pela plataforma agora custa mais caro para os consumidores, enquanto restaurantes e entregadores continuam enfrentando margens apertadas. A movimentação do mercado e a reação dos usuários nos próximos meses serão decisivas para o futuro do iFood e de seus concorrentes.
Imagem: Diego Thomazini / Shuttetstock.com

