Assédio chinês: iFood diz que concorrentes da China tentaram cooptar restaurantes e baixar dados sigilosos
A guerra por espaço no competitivo mercado de delivery brasileiro — o quinto maior do mundo — parece ter ultrapassado as fronteiras da concorrência comercial. O iFood afirma ter se tornado alvo de espionagem corporativa e assédio de funcionários por parte de concorrentes chineses, o que levou a abertura de uma investigação policial em São Paulo.
📌 DESTAQUES:
O iFood afirma ser alvo de espionagem e assédio de concorrentes chineses. Entenda o caso e as investigações. Saiba mais.
Segundo a empresa, consultorias internacionais estariam tentando obter dados estratégicos e sigilosos sobre seu funcionamento, incluindo informações comerciais de milhares de restaurantes parceiros.
Continue a leitura e entenda o caso que envolve segurança de dados e competição global.
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Suposta espionagem e vazamento de informações do iFood
A investigação teve início após a detecção de atividades suspeitas em computadores corporativos. O iFood afirma que um ex-funcionário teria baixado grande volume de documentos internos, contendo dados sobre aproximadamente 4,9 mil restaurantes.
De acordo com a companhia, o material incluía taxas cobradas dos estabelecimentos, condições contratuais e estratégias de precificação — informações consideradas sensíveis e de alto valor competitivo.
O caso está sendo apurado pela Polícia Civil de Piracicaba, no interior paulista. Fontes próximas ao inquérito informaram que os arquivos foram transferidos para um sobrinho do ex-funcionário, que também é investigado. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão na última sexta-feira (24/10).
Atuação da polícia e defesa do ex-funcionário
Durante o cumprimento dos mandados, o ex-funcionário do iFood prestou depoimento à polícia. Ele negou as acusações e declarou ser advogado, atuando atualmente na 99 Food, aplicativo de delivery controlado por um grupo de capital chinês que iniciou operações no Brasil em agosto.
O iFood afirma que a movimentação dos arquivos foi injustificada, uma vez que o profissional atuava apenas na área comercial e não tinha função técnica que exigisse acesso a documentos estratégicos.
A empresa diz ter detectado a transferência de dados após a implementação de um sistema interno de monitoramento de dispositivos corporativos, criado justamente para identificar atividades irregulares.
Assédio e tentativas de cooptação de profissionais
A companhia também relata assédios recorrentes a seus funcionários por parte de concorrentes estrangeiros. Segundo o iFood, diversos colaboradores receberam mensagens com ofertas de emprego e propostas de entrevistas bem remuneradas em empresas asiáticas.
Em alguns casos, os contatos incluíam promessas de pagamentos que chegavam a R$ 5,5 mil por hora, segundo fontes ouvidas pelo portal Metrópoles. O objetivo, de acordo com as investigações internas, seria obter informações sobre a estrutura operacional do aplicativo e seus métodos de gestão e precificação.
As consultas seriam conduzidas por consultorias internacionais com sede em países como China e Japão, especializadas em inteligência de mercado. Essas empresas buscariam mapear a modelagem de produtos, estratégias de expansão e relacionamento com restaurantes parceiros.
Histórico de disputa e contexto do mercado de delivery
O caso reforça o ambiente de acirrada competição no mercado de aplicativos de entrega no Brasil. O iFood, líder absoluto do setor, enfrenta crescente pressão de novos entrantes, entre eles a 99 Food e outras plataformas internacionais interessadas em capturar parte do mercado nacional.
Com a digitalização acelerada e o aumento da demanda por entregas pós-pandemia, o segmento se tornou um dos mais lucrativos da economia digital brasileira. Estima-se que o setor movimente bilhões de reais por ano, envolvendo restaurantes, entregadores e consumidores.
A concorrência estrangeira tem buscado expandir sua presença com investimentos agressivos, campanhas publicitárias e estratégias de preços competitivos. No entanto, segundo o iFood, parte dessas práticas ultrapassaria o limite da livre concorrência, entrando no terreno da espionagem e uso indevido de dados confidenciais.
iFood e o impacto das denúncias no setor
O episódio reacende o debate sobre a segurança cibernética e a proteção de dados empresariais no ambiente digital brasileiro. Para especialistas, a denúncia feita pelo iFood pode ter efeitos diretos sobre a reputação das concorrentes estrangeiras e sobre a regulação de práticas de inteligência de mercado.
Analistas de tecnologia apontam que grandes plataformas digitais se tornaram alvos de espionagem frequente, devido à quantidade de informações estratégicas que armazenam. Em um cenário de competição global e margens de lucro reduzidas, o acesso a esses dados pode representar vantagem comercial significativa.
O caso também pode intensificar a cooperação entre empresas e órgãos públicos para desenvolver padrões mais robustos de proteção de informações no Brasil, especialmente em setores que envolvem dados de terceiros e parceiros comerciais.
Perspectivas e próximos passos
A Polícia Civil de São Paulo ainda não divulgou detalhes sobre as provas coletadas nem sobre os próximos passos da investigação. O processo tramita sob segredo de Justiça.
Enquanto isso, o iFood mantém sua posição de que foi vítima de espionagem corporativa e assédio de profissionais, e garante que seguirá colaborando com as autoridades.
Especialistas avaliam que o desfecho do caso poderá definir novos parâmetros de concorrência e governança corporativa em plataformas digitais no país.
Com informações de: Metrópoles
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