A oscilação do dólar é um fator crucial que pode determinar a rentabilidade e a segurança do patrimônio de investidores brasileiros.
Embora muitos concentrem seus investimentos na moeda local, o estudo “Impacto Cambial no Consumo dos Brasileiros e a Necessidade de Diversificação Internacional”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), alerta que negligenciar a influência da moeda americana pode gerar perdas significativas.
Os especialistas Claudia Yoshinaga, Henrique Figueiredo, Ricardo Rochman e William Eid Junior recomendam que, no mínimo, 16% da carteira de um investidor brasileiro esteja alocada em ativos internacionais, com percentuais mais altos para famílias de alta renda.
Leia mais:
Tesourarias corporativas migram de Bitcoin para Ethereum e altcoins: nova fase do mercado cripto
Papel da diversificação internacional

Investir em diferentes mercados e moedas não é apenas uma estratégia de proteção: é também uma oportunidade de ampliar os retornos. A diversificação internacional permite ao investidor acessar setores ainda pouco representativos na bolsa brasileira, como tecnologia avançada, biotecnologia e processadores.
Setores internacionais em alta
Um exemplo claro é o desempenho das FANGs – Meta, Apple, Amazon, Netflix e Alphabet – que tiveram retorno médio de 340% entre 2020 e 2024. No mesmo período, o S&P500 apresentou 85% de retorno, enquanto o Ibovespa registrou apenas 28%.
“A diversificação internacional permite aos brasileiros acessarem um sem-número de oportunidades ao redor do mundo”, destacam os especialistas da FGV.
Essa estratégia protege o investidor das oscilações do mercado doméstico e oferece exposição a regiões com diferentes ciclos econômicos, aumentando o potencial de rentabilidade.
Inflação e taxa de câmbio: conexão direta com seus investimentos
Um dos equívocos mais comuns entre os brasileiros é não relacionar inflação e taxa de câmbio. Cerca de 10% dos produtos consumidos no Brasil são importados e estão indexados ao dólar, incluindo eletrônicos, veículos, combustíveis, medicamentos e alimentos básicos como trigo.
Quando se considera o efeito do câmbio nos insumos utilizados nos produtos nacionais, o impacto do dólar pode chegar a 14%, dependendo da faixa de renda. Isso evidencia que mesmo pessoas com renda mais baixa devem observar a exposição cambial.
Estratégias de proteção
Investimentos como fundos cambiais ou ativos internacionais podem proteger o poder de compra, mitigando os efeitos das flutuações do dólar sobre o custo de vida. A FGV enfatiza que essas estratégias são essenciais para equilibrar os impactos de longo prazo das oscilações cambiais no orçamento doméstico.
Gastos no exterior e volatilidade cambial
Outro aspecto que aumenta a relevância do dólar nos investimentos é o volume de gastos dos brasileiros no exterior. Em 2023, 24 milhões de brasileiros das classes média alta e alta gastaram US$ 19,5 bilhões em viagens e educação fora do país. Para essas famílias, a exposição cambial indireta somou cerca de 2,65% do impacto total em suas finanças.
Entre 2014 e 2024, o dólar médio foi de R$ 4,27, representando uma variação de 22,6%, reforçando a importância de estratégias que protejam o patrimônio contra volatilidade cambial.
“A exposição ao risco cambial é uma realidade para todos os brasileiros, mesmo que indiretamente”, conclui o estudo da FGV.
Benefícios de investir em ativos internacionais
Investir além do real traz vantagens que vão além da proteção patrimonial:
Proteção frente à inflação
Ao diversificar em moedas fortes, o investidor se protege da desvalorização do real e mantém o poder de compra, especialmente em produtos importados.
Acesso a setores inovadores
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Setores subrepresentados na B3, como tecnologia, biotecnologia e semicondutores, oferecem oportunidades de alto crescimento que podem elevar o retorno da carteira.
Diversificação geopolítica
Investir em diferentes países reduz riscos relacionados a instabilidades políticas e econômicas locais, equilibrando perdas potenciais.
Qual o percentual ideal de ativos internacionais?

O estudo da FGV sugere:
- Mínimo recomendado: 16% da carteira em ativos internacionais.
- Famílias de alta renda: 17% a 18%, considerando maior exposição a gastos internacionais e consumo de produtos importados.
Para uma estratégia de diversificação mais ampla, esses percentuais podem ser ainda maiores, dependendo do perfil do investidor e da composição de seu portfólio.
Considerações finais
O impacto do dólar nos investimentos brasileiros é direto e indireto. Além de afetar produtos importados, serviços e insumos nacionais, a volatilidade cambial influencia gastos internacionais e patrimônio financeiro.
Investir em ativos internacionais, como fundos cambiais, ações estrangeiras ou ETFs, não é apenas uma estratégia de proteção: é um movimento estratégico para diversificar, acessar setores inovadores e equilibrar os riscos da economia doméstica.
A lição principal do estudo da FGV é clara: todos os investidores brasileiros devem considerar a exposição cambial e a diversificação internacional como parte central da gestão de sua carteira.
Imagem: Freepik



