Em meio à escalada nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o anúncio do presidente Donald Trump, em julho de 2025, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros provocou repercussões políticas e econômicas importantes no Brasil.
O impacto do tarifaço de Trump na popularidade de Lula, segundo pesquisas recentes
Pesquisas mostram alta na aprovação de Lula após tarifa de Trump contra o Brasil, com destaque para reação do governo e cenário econômico.
Pesquisas de opinião divulgadas nas últimas semanas indicam que o chamado “tarifaço” americano acabou refletindo positivamente na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente no que se refere à sua popularidade e à percepção da política externa brasileira.
O contexto do tarifaço americano

A decisão do governo Trump partiu da acusação de práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil, abrindo uma investigação aprofundada que inclui o sistema Pix, do Banco Central, como um dos pontos controversos. O pacote de medidas sancionatórias compõe mais um capítulo na deterioração da relação diplomática entre as duas potências americanas.
Diante desse cenário, a reação do governo Lula — que adotou uma política de reciprocidade — foi acompanhada com atenção pela opinião pública brasileira, que mostrou expressiva avaliação positiva da postura presidencial.
Pesquisas apontam alta na aprovação de Lula após tarifas
Duas das principais pesquisas divulgadas entre 15 e 16 de julho de 2025, Atlas/Bloomberg e Genial/Quaest, mostram uma oscilação favorável ao governo federal após o anúncio das tarifas.
Resultados da pesquisa Atlas/Bloomberg
- Aprovação de Lula subiu de 47,3% para 49,7%, aumento de 2,4 pontos percentuais.
- Desaprovação caiu de 51,8% para 50,3%, com empate técnico dentro da margem de erro.
- 62,2% dos entrevistados consideram a tarifa de Trump injustificada.
- 50,3% avaliam a medida americana como ameaça à soberania nacional.
- 44,8% acham que a resposta do governo Lula foi adequada.
- 60,2% aprovam a política externa do governo Lula.
- 63,2% dos brasileiros veem Trump negativamente, maior índice desde novembro de 2023.
- 72% esperam desaceleração econômica devido às tarifas.
Dados da pesquisa Genial/Quaest
- Desaprovação do governo caiu 4 pontos percentuais para 53%.
- Aprovação subiu para 43%, alta de 3 pontos.
- 72% dos entrevistados discordam da justificativa de Trump para impor taxas.
- 53% apoiam a política de reciprocidade adotada por Lula.
- 53% dizem que a tarifa não influencia na intenção de voto.
- 43% esperam piora da economia no próximo ano, índice recorde da série histórica.
Análise detalhada do impacto nas regiões e grupos sociais

Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a melhora na popularidade ocorreu principalmente fora da base tradicional de apoio do PT, com destaque para:
- Sudeste do país.
- Pessoas com ensino superior completo.
- Classes médias.
Esses dados indicam um efeito mais amplo da crise comercial, que elevou o prestígio de Lula entre perfis mais críticos e economicamente influentes.
Reação da sociedade e a percepção sobre a medida americana
Os levantamentos também demonstram um sentimento majoritário de rejeição às tarifas impostas pelos EUA:
- A maioria considera a taxa injustificada e uma agressão à soberania.
- Uma parcela significativa vê as ações de Trump como retaliação política, associada às tensões em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro e à atuação do Brasil no BRICS.
- A opinião pública endossa a resposta firme do governo Lula, valorizando a política de reciprocidade.
As implicações econômicas para o Brasil
Apesar do aumento na aprovação do governo, as perspectivas econômicas permanecem sombrias:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Expectativa de impacto negativo da tarifa nos setores produtivos brasileiros.
- Predominância do pessimismo quanto à desaceleração do crescimento econômico.
- Preocupação com a elevação dos custos para indústrias e consumidores nacionais.
Esses fatores colocam desafios imediatos para o governo, que precisará equilibrar as tensões diplomáticas com a estabilidade econômica interna.
O que esperar da política externa brasileira em meio à crise

A pesquisa Atlas/Bloomberg registra uma evolução significativa na avaliação da política externa de Lula:
- A aprovação da política externa cresceu 10,6 pontos desde novembro de 2023.
- Lula é visto como melhor representante do Brasil no cenário internacional em comparação com Bolsonaro.
Isso reforça a percepção de que a resposta diplomática diante do tarifaço americano está consolidando um novo papel do Brasil globalmente, mesmo diante das dificuldades.
Considerações finais
O tarifaço de Trump, embora represente uma ameaça econômica, acabou funcionando como um catalisador para a popularidade de Lula, que soube capitalizar politicamente a situação.
A pesquisa aponta um cenário de aprovação mais equilibrada, com o governo recuperando espaço junto a setores da população antes menos alinhados.
Por outro lado, o pessimismo econômico e a incerteza sobre os próximos capítulos da relação Brasil-EUA deixam um alerta sobre os desafios que o país terá que enfrentar para manter a estabilidade e o crescimento.
