A adoção de um modelo de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) baseado na renda familiar foi defendida por especialistas em direito tributário, durante audiência pública realizada na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, na Câmara dos Deputados. A proposta visa substituir o atual modelo individualista por um sistema mais justo, que leve em consideração o número de dependentes e as responsabilidades de cada família.
Especialistas propõem Imposto de Renda com base na renda familiar
Especialistas propõem novo modelo de Imposto de Renda com base na renda familiar, aplicando redutores conforme filhos, idosos e pessoas com deficiência.
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O que é o modelo de renda familiar?

Entenda o conceito de splitting familiar
Conhecido como splitting familiar, esse modelo leva em conta a renda conjunta do núcleo familiar, aplicando redutores progressivos com base em critérios como número de filhos, presença de idosos, pessoas com deficiência ou com doenças graves.
Por que mudar o sistema atual?
Realidades distintas sob a mesma alíquota
Segundo o mestre em direito tributário Tarso Cesar de Miranda Souza, “duas pessoas com a mesma renda podem ter realidades financeiras muito diferentes. Quem tem filhos e dependentes tem uma capacidade contributiva menor”.
As deduções atuais não são suficientes
O professor da USP Heleno Torres apontou que o sistema atual oferece deduções limitadas e desatualizadas, que não refletem as reais despesas das famílias. Ele defende que o cálculo do IRPF leve em consideração a soma da renda familiar e a aplicação de redutores conforme os gastos com os dependentes.
Exemplos internacionais inspiram o debate
Modelo francês: quotient familial
O diretor da ONG Family Talks, Rodolfo Canônico, citou como exemplo o modelo francês conhecido como quotient familial, no qual o cálculo do imposto varia de acordo com a composição da família. Esse sistema permite reduzir a carga tributária de quem tem mais responsabilidades sociais, como filhos ou parentes com deficiência.
Apoio político à proposta
Iniciativa da deputada Chris Tonietto
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ), responsável pela realização do debate, defende que a proteção ao núcleo familiar passa por uma reforma que reconheça a realidade das famílias brasileiras. “O Estado precisa proteger o núcleo familiar e isso passa por uma tributação mais justa”, declarou.
Como funcionaria o novo modelo?

Redutores progressivos por dependente
No modelo proposto, cada dependente — seja criança, idoso ou pessoa com deficiência — geraria um fator de redução na base de cálculo do IRPF. O objetivo é aliviar a carga tributária das famílias que têm maiores responsabilidades.
Cálculo baseado na renda total da família
A proposta também prevê que a renda dos membros economicamente ativos da família seja somada para fins de tributação. A alíquota seria aplicada sobre essa soma, mas reduzida proporcionalmente ao número de dependentes e à natureza das despesas essenciais.
Impactos esperados com a mudança
Mais justiça fiscal e menos desigualdade
Especialistas defendem que o novo modelo traria mais equidade ao sistema tributário brasileiro, permitindo que as famílias com maiores encargos paguem menos impostos proporcionalmente.
Alívio financeiro para famílias com baixa renda
Com o novo sistema, espera-se que famílias com menor renda disponível, mas com muitos dependentes, tenham maior alívio tributário, o que poderia impulsionar o consumo e a inclusão social.
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Possíveis desafios e críticas
Risco de fraudes e complexidade operacional
Uma das críticas levantadas ao modelo é a possibilidade de fraudes, com pessoas registrando falsos dependentes. Além disso, a implementação exigiria reformulações técnicas na Receita Federal e mudanças legislativas detalhadas.
Dúvidas sobre quem pode ser dependente
Hoje, a legislação define regras rígidas sobre quem pode ser considerado dependente. A proposta precisaria ampliar essa definição para incluir casos como avós, parentes com doenças graves ou pessoas com deficiência sob cuidados familiares, mesmo sem vínculo formal de dependência econômica.
Posição da Receita Federal
Órgão ainda não se manifestou oficialmente
A Receita Federal não emitiu posicionamento oficial sobre o modelo, mas a proposta integra um conjunto de ideias discutidas como parte da reforma tributária em andamento no país.
E agora? Os próximos passos

Proposta seguirá em discussão na Câmara
O debate sobre o modelo familiar do Imposto de Renda continuará nas comissões da Câmara, com possível evolução para um projeto de lei ou emenda constitucional. Parlamentares, juristas e representantes da sociedade civil devem aprofundar os estudos técnicos e econômicos sobre a viabilidade do sistema.
Conclusão
A proposta de um modelo de Imposto de Renda baseado na renda familiar representa um avanço no debate sobre justiça tributária no Brasil. A medida, inspirada em modelos internacionais como o francês, busca adaptar a cobrança de impostos à realidade econômica das famílias, reconhecendo o peso das responsabilidades sociais e os diferentes contextos de vida. Embora ainda em fase inicial, o debate pode inaugurar uma nova visão de tributação, onde quem tem mais encargos paga menos, e quem tem mais capacidade contributiva, paga mais.
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