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Estudo aponta arrecadação de R$ 30 bilhões com imposto sobre fortunas

Proposta de imposto mínimo sobre grandes fortunas pode gerar até R$ 30 bilhões por ano e elevar a justiça fiscal no Brasil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
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A discussão sobre taxação de grandes fortunas voltou ao centro do debate econômico brasileiro após a divulgação de um estudo internacional que propõe um novo modelo de tributação. Diferente das propostas tradicionais, o chamado imposto mínimo sobre riqueza surge como uma alternativa para corrigir distorções históricas do sistema tributário nacional, especialmente no topo da pirâmide. A medida pode gerar bilhões em arrecadação e ampliar a progressividade fiscal, tema sensível em um país marcado por desigualdades.

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O que é o imposto mínimo efetivo sobre a riqueza

O chamado Imposto Mínimo Efetivo sobre a Riqueza (IMER) é um modelo inovador de tributação. Ele não funciona como um imposto tradicional sobre patrimônio, mas como um mecanismo complementar.

Como funciona na prática

O IMER estabelece um piso mínimo de tributação com base no patrimônio do contribuinte:

  • Calcula-se 2% do patrimônio líquido total
  • Compara-se esse valor com os impostos já pagos
  • Se o contribuinte já pagou esse equivalente ou mais, nada muda
  • Se pagou menos, ele precisa complementar a diferença

Na prática, isso impede que indivíduos extremamente ricos paguem proporcionalmente menos impostos do que o restante da população.

Quanto o Brasil poderia arrecadar

O estudo elaborado pelo Observatório Internacional de Fiscalidade a pedido da Plataforma Tributária da América Latina e do Caribe, com participação do Ministério da Fazenda do Brasil, traz estimativas relevantes.

Cenário com alíquota de 2%

  • Arrecadação estimada: R$ 30,5 bilhões por ano
  • Base de incidência: patrimônios acima de R$ 500 milhões
  • Número de contribuintes: cerca de 1.430 super-ricos

Cenário com alíquota de 3%

  • Arrecadação pode chegar a R$ 47 bilhões anuais
  • Representa cerca de 0,48% do PIB

Recorte apenas com bilionários

  • Arrecadação cai para R$ 25 bilhões (2%)
  • Pode chegar a R$ 38 bilhões (3%)

Esses valores são relevantes para políticas públicas, podendo financiar programas sociais, infraestrutura ou redução do déficit fiscal.

Quem seria afetado

O impacto do IMER é altamente concentrado:

Perfil dos contribuintes

  • 1.360 centimilionários com média de R$ 1,2 bilhão
  • 70 bilionários com média de R$ 19 bilhões

Ou seja, trata-se de um grupo extremamente restrito da população, equivalente a cerca de 0,001% dos brasileiros.

Problema atual: sistema tributário regressivo

Um dos principais argumentos a favor do imposto mínimo é a regressividade do sistema atual.

Dados que chamam atenção

  • Super-ricos pagam cerca de 19,7% de alíquota efetiva
  • População geral paga em média 42,5%
  • 50% mais pobres comprometem cerca de 30% da renda com impostos

Isso ocorre porque grande parte da riqueza dos mais ricos está em:

  • Empresas
  • Participações societárias
  • Lucros não distribuídos

Esses rendimentos frequentemente escapam da tributação direta.

Como o IMER muda esse cenário

Com a implementação do imposto mínimo:

  • A alíquota efetiva dos super-ricos poderia subir para cerca de 50%
  • Haveria maior equilíbrio entre diferentes faixas de renda
  • O sistema se tornaria mais progressivo

Na prática, o IMER atua onde o imposto de renda tradicional não alcança.

Diferença entre IMER e imposto sobre grandes fortunas

É importante não confundir o IMER com o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF).

IGF tradicional

  • Previsto na Constituição desde 1988
  • Nunca regulamentado
  • Incide diretamente sobre o patrimônio

IMER

  • Funciona como complemento tributário
  • Garante um piso mínimo de contribuição
  • Incide sobre patrimônio total, incluindo estruturas empresariais
  • Não prevê isenções

O debate no Congresso brasileiro

A discussão sobre tributação dos mais ricos ganhou força após decisão do Supremo Tribunal Federal em 2025.

Situação atual

  • STF determinou prazo de 24 meses para regulamentação do IGF
  • Tramita o PLP 05/2026
  • Proposta prevê alíquotas de 1% a 3% para patrimônios acima de R$ 10 milhões

Além disso, o governo federal já propôs medidas complementares.

Outras iniciativas

  • Projeto de imposto mínimo sobre renda acima de R$ 600 mil anuais
  • Foco maior na renda do que no patrimônio

Especialistas apontam que essas medidas podem ser insuficientes para atingir grandes fortunas estruturadas em empresas.

Limitações do imposto de renda tradicional

O estudo destaca que aumentar o imposto de renda não resolve o problema.

Exemplo prático

  • Aumento de 50% nas alíquotas elevaria a carga dos mais ricos de 19,7% para apenas 21%
  • Impacto marginal de apenas 1,3 ponto percentual

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Isso ocorre porque:

  • Lucros podem ser retidos em empresas
  • Não há tributação imediata sobre esse capital

Impactos econômicos e sociais

Possíveis benefícios

  • Redução da desigualdade
  • Aumento da arrecadação sem impactar a classe média
  • Maior justiça fiscal
  • Fortalecimento das contas públicas

Pontos de atenção

  • Risco de evasão fiscal
  • Necessidade de cooperação internacional
  • Complexidade na avaliação de patrimônio

Contexto internacional

A proposta do IMER está alinhada com discussões globais sobre taxação de super-ricos, especialmente após iniciativas debatidas no G20.

O economista Gabriel Zucman, referência mundial no tema, participou da elaboração do modelo, reforçando sua credibilidade técnica.

Exemplos práticos no Brasil

Para entender melhor, imagine:

Caso 1: empresário bilionário

  • Patrimônio: R$ 10 bilhões
  • 2% do patrimônio: R$ 200 milhões
  • Impostos pagos: R$ 120 milhões

Resultado: teria que pagar R$ 80 milhões adicionais

Caso 2: contribuinte já tributado adequadamente

  • Patrimônio: R$ 800 milhões
  • 2%: R$ 16 milhões
  • Impostos pagos: R$ 20 milhões

Resultado: não paga nada adicional

O que está em jogo para o futuro

A adoção de um imposto mínimo sobre grandes fortunas representa uma mudança estrutural no sistema tributário brasileiro.

A decisão envolve:

  • Debate político intenso
  • Pressão por justiça social
  • Necessidade de equilíbrio fiscal

O tema deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, especialmente com o avanço das discussões no Congresso.

Conclusão

O imposto mínimo sobre grandes fortunas surge como uma alternativa concreta para corrigir distorções do sistema tributário brasileiro. Ao garantir uma contribuição mínima proporcional à riqueza, o modelo busca equilibrar a carga fiscal e ampliar a arrecadação sem penalizar a maioria da população.

Embora ainda enfrente desafios políticos e técnicos, o IMER representa uma das propostas mais robustas já apresentadas para enfrentar a desigualdade fiscal no país.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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