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Brasil: 78,8 milhões de pessoas estão endividadas e 8,1 milhões de empresas negativadas

Com juros elevados e crédito caro, inadimplência bate recordes entre famílias e empresas em 2025. Veja!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
peso da dívida canva (7)

A fotografia da inadimplência no Brasil em 2025 é preocupante: mesmo diante de uma economia com maior geração de empregos formais e leve alta na renda, o número de brasileiros com dívidas em atraso ultrapassou os 78,8 milhões, e mais de 8,1 milhões de empresas estão negativadas, segundo dados do Serasa. Isso significa que, proporcionalmente, quase 4 a cada 10 brasileiros adultos e um terço das empresas ativas enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas.

Apesar dos sinais positivos no mercado de trabalho, a realidade financeira de famílias e empresas continua pressionada por fatores como a alta da taxa básica de juros, crédito caro, inflação persistente e mudanças comportamentais no consumo. O resultado: um cenário de endividamento crônico, inadimplência crescente e perspectivas nada otimistas para 2026.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A escalada dos juros e seu efeito devastador

Da pandemia aos 15% de Selic

Em agosto de 2020, em meio à pandemia, a taxa Selic chegou a seu piso histórico: 2% ao ano. A medida buscava reaquecer a economia, que havia despencado com os lockdowns e a incerteza global. No entanto, o movimento inverso veio rápido. Entre 2021 e 2025, o Banco Central precisou frear a inflação com uma alta agressiva da Selic, que atingiu 15% em junho deste ano.

Essa elevação dos juros encareceu o custo do crédito, dificultando o pagamento de dívidas — especialmente as mais caras, como o rotativo do cartão de crédito, que fechou agosto com taxa média de 451,73% ao ano, o maior nível da série histórica.

Juros e o ciclo da inadimplência

O cenário atual é reflexo de uma sequência de choques: pandemia, aumento da inflação, crescimento dos gastos das famílias, expansão descontrolada do crédito (impulsionado por fintechs) e falta de planejamento financeiro. O aumento da Selic, que visava controlar os preços, também acabou por estrangular a capacidade de pagamento das famílias e das empresas.

A inadimplência das famílias: um retrato em números

Evolução mensal em 2025

A seguir, a evolução dos números de inadimplência mês a mês, segundo a Serasa:

MêsInadimplentes (milhões)
Janeiro74,6
Fevereiro75,0
Março75,7
Abril76,6
Maio77,0
Junho77,8
Julho78,2
Agosto78,8

Em comparação com janeiro de 2023 (70,09 milhões), o aumento é de mais de 8 milhões de pessoas negativadas em dois anos.

Dívida média e perfil dos devedores

Cada consumidor inadimplente deve, em média, R$ 6.267,69. O valor médio de cada dívida é de R$ 1.578,23 — o que indica que cada inadimplente carrega em torno de quatro dívidas vencidas.

As dívidas se concentram principalmente em:

  • Bancos e cartões: 27,27%
  • Utilities (água, luz, gás): 20,83%
  • Instituições financeiras não bancárias: 19,51%

O impacto da expansão do cartão de crédito

Desde 2018, com o avanço dos bancos digitais e a popularização dos cartões sem anuidade, o número de cartões de crédito ativos no Brasil cresceu exponencialmente. Segundo o Banco Central, os juros do rotativo saíram de 312,60% ao ano em 2020 para 451,73% em 2025. É uma armadilha que afeta principalmente consumidores sem educação financeira.

O economista Flávio Ataliba Barreto, do FGV/Ibre, explica que o uso excessivo do rotativo, somado à falta de planejamento, criou um ambiente ideal para o colapso:

“Muitas famílias viram sua capacidade de pagamento ruir. Mesmo com a melhora na renda e no emprego, não foi possível reverter a inadimplência acumulada nos últimos anos.”

Endividamento recorde: 8 em cada 10 famílias com dívidas

Empresas
Imagem: Canva

De acordo com dados do Banco Inter, o endividamento das famílias (excetuando financiamento habitacional) representa 30,6% da renda mensal, e o comprometimento financeiro atinge 26,3%.

A curva de endividamento das famílias saltou de 58% em 2017 para 79% em 2025. E a inadimplência já alcança 30% das famílias — o que significa que quase um terço das famílias brasileiras têm dívidas em atraso.

Barreto afirma:

“O problema não é ter dívida. O problema é não ter renda para pagar.”

Empresas também enfrentam seu pior momento

Inadimplência empresarial bate recorde

O número de CNPJs negativados chegou a 8,1 milhões em agosto de 2025, segundo a Serasa Experian. Em janeiro deste ano, eram 7,1 milhões — um aumento de mais de 1 milhão de empresas inadimplentes em apenas oito meses.

MêsEmpresas inadimplentes (milhões)
Janeiro7,1
Fevereiro7,2
Março7,3
Abril7,5
Maio7,7
Junho7,8
Julho8,0
Agosto8,1

O valor médio da dívida das empresas subiu de R$ 21,6 milhões (agosto de 2024) para R$ 24,6 milhões (agosto de 2025). Os principais setores afetados são:

  • Serviços: 31,9% das dívidas
  • Bancos e financeiras: 23,4%

Causas e consequências

A economista Camila Abdelmalack, da Serasa Experian, explica que o problema das empresas decorre de três fatores principais:

  • Desaceleração da demanda;
  • Deterioração da margem de lucro;
  • Acesso ao crédito cada vez mais difícil e caro.

As micro e pequenas empresas, que representam 93% das empresas ativas no Brasil, são as mais vulneráveis, pois têm menos recursos e menor profissionalização da gestão.

Riscos para a economia: consumo e PIB em alerta

Imagem de blocos formando a palavra PIB. Ao fundo, uma bandeira do Brasil.
Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

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O comprometimento da renda das famílias é um alerta para o futuro do país. O consumo das famílias representa cerca de 62% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Quando esse consumo é reduzido, a atividade econômica desacelera.

“Se o consumo está estrangulado, teremos dificuldade em crescer. Isso impacta o PIB, o mercado de trabalho e o próprio setor produtivo”, afirma Barreto.

Com menos consumo e menos investimento empresarial, o risco é de estagnação ou crescimento pífio em 2026.

Projeções para 2026: juros ainda altos e pouco otimismo

Embora o Banco Central já tenha iniciado um novo ciclo de cortes na Selic, a taxa ainda deve terminar 2026 em torno de 12% — patamar elevado em relação à média histórica. Isso manterá o crédito caro e os riscos elevados.

Outro fator preocupante é a situação fiscal do país, que pressiona os juros futuros. A ausência de um plano claro para controlar a dívida pública pode elevar a percepção de risco e impedir cortes mais acentuados.

Além disso, 2026 será um ano eleitoral, com potencial de gerar volatilidade e frear decisões estratégicas em muitas empresas.

O que pode ser feito?

Para as famílias

A saída passa por:

  • Revisar o orçamento familiar;
  • Identificar e cortar gastos supérfluos;
  • Priorizar dívidas com maiores juros;
  • Evitar o rotativo do cartão de crédito;
  • Pagar à vista sempre que possível;
  • Criar uma reserva de emergência.

Segundo os especialistas, educação financeira será essencial em 2026, principalmente em um ambiente ainda marcado por incerteza e restrição ao crédito.

Para as empresas

  • Controlar o fluxo de caixa com rigor;
  • Negociar prazos com fornecedores e credores;
  • Reduzir custos operacionais;
  • Evitar investimentos arriscados;
  • Profissionalizar a gestão.

A orientação de Abdelmalack é clara:

“2026 exigirá das empresas uma gestão eficiente e foco na preservação do caixa.”

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

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Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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