Redução do IPI: veja quais SUVs terão preço mais baixo e quanto custarão
A retomada dos incentivos para carros de entrada pode redefinir o conceito de carros populares no Brasil. Antes focada em hatchbacks compactos, a medida agora tende a incluir SUVs de entrada com motor 1.0 aspirado. Com os SUVs médios cada vez mais caros, modelos como Volkswagen Tera e Citroën Basalt ocupam a lacuna com visual robusto e preços mais acessíveis, podendo se beneficiar da nova isenção de IPI.
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O que está em discussão no governo
O governo federal avalia o retorno de incentivos fiscais com o objetivo de estimular a venda de veículos mais acessíveis e com menor emissão de poluentes. A principal medida seria a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para modelos com motor até 1.0, movidos a etanol, com foco na eficiência energética e segurança mínima.
Ao contrário do que ocorreu em 2023, quando o incentivo se concentrou em hatchbacks compactos como Renault Kwid, Fiat Mobi e Volkswagen Gol, o novo pacote pode contemplar SUVs que compartilham a mesma base e motorização desses carros. O apelo visual e de espaço dos SUVs, somado ao motor econômico e aspirações ambientais, tornam modelos como Tera e Basalt elegíveis à nova política.
SUV-cupês 1.0 entram na mira dos incentivos
Citroën Basalt: o SUV-cupê 1.0 mais barato do país
Versão: Basalt 1.0 Feel MT
Preço cheio: R$ 100.490
Preço praticado: R$ 92.990
Preço estimado com isenção de IPI: R$ 93.456
Motor: 1.0 Firefly 6V
Potência: 75 cv
Torque: 10 kgfm
Câmbio: Manual de 5 marchas
Lançado oficialmente em outubro de 2024, o Citroën Basalt veio para atender uma nova demanda de mercado: um SUV com design esportivo, mas custo acessível. Com motor 1.0 Firefly (o mesmo que equipa Fiat Argo e Cronos), o Basalt na versão Feel MT oferece um bom pacote de série para seu segmento e preço.
Entre os principais itens estão:
- Direção elétrica com regulagem de altura
- Central multimídia de 10” com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Câmera de ré
- Quatro airbags
- Banco do motorista com ajuste de altura
- Rodas de liga leve 16” com pneus 205/60
- Retrovisores elétricos e chave tipo canivete
O preço cheio é de R$ 100.490, mas concessionárias têm praticado valores menores, como R$ 92.990. Com a possível isenção de 7% de IPI, o valor poderia cair oficialmente para R$ 93.456.
Volkswagen Tera: o novo SUV acessível da marca
Versão: Tera MPI MT
Preço cheio: R$ 103.990
Preço estimado com isenção de IPI: R$ 96.711
Motor: 1.0 MPI
Potência: 84 cv
Torque: 10,3 kgfm
Câmbio: Manual de 5 marchas
Apresentado ao mercado há cerca de um mês, o Volkswagen Tera marca a entrada da montadora alemã no segmento de SUVs 1.0 aspirados. Baseado na plataforma do Polo, o Tera busca atender o público que deseja um carro com visual robusto e bom espaço interno, sem abrir mão de um preço mais acessível.
Desde a versão de entrada, o Tera traz:
- Seis airbags
- Painel de instrumentos digital de 8’’
- Central multimídia VW Play de 10,1’’
- Volante multifuncional
- Coluna de direção com ajuste de altura e profundidade
- Faróis e lanternas em LED
- Rodas aro 15’’ com calotas escurecidas
- Sensor de estacionamento traseiro
- Porta-malas de 350 litros
Caso o incentivo seja aprovado, o valor cheio de R$ 103.990 poderia cair para R$ 96.711, uma diferença de R$ 7.279, tornando o modelo ainda mais competitivo.
Comparativo de preços com e sem IPI
| Modelo | Preço cheio | Preço sem IPI (-7%) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Citroën Basalt 1.0 Feel MT | R$ 100.490 | R$ 93.456 | R$ 7.034 |
| Volkswagen Tera MPI MT | R$ 103.990 | R$ 96.711 | R$ 7.279 |
Repercussão no mercado e impacto nas vendas
Consumidores buscam mais por SUVs acessíveis
Os dados recentes da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostram um aumento considerável na procura por SUVs compactos. O apelo visual, posição elevada de dirigir e maior sensação de segurança são fatores determinantes na escolha dos consumidores. Com o incentivo, modelos como Tera e Basalt podem acelerar ainda mais suas vendas.
Montadoras ainda têm liberdade de decisão
Apesar da proposta de isenção de IPI, as montadoras não são obrigadas a repassar a redução de impostos para o consumidor. Cabe a cada empresa decidir se a margem reduzida será convertida em desconto real. No caso da Citroën, a prática atual já oferece preços abaixo da tabela, o que sugere maior flexibilidade. A Volkswagen, por outro lado, tende a seguir preços mais rígidos, o que torna o incentivo uma oportunidade estratégica.
SUV 1.0: o novo carro popular?
A tendência de popularização dos SUVs com motor 1.0 é um reflexo direto da evolução do mercado brasileiro. O carro popular tradicional, com visual simples e poucas tecnologias, vem sendo substituído por modelos mais atrativos visualmente e com pacotes de série mais robustos. A volta dos incentivos pode consolidar essa transição.
Seja por segurança, eficiência energética ou atratividade estética, os SUVs compactos com motorização aspirada estão se tornando uma resposta do setor automotivo a um público que exige mais por menos. E com o apoio do governo, essa nova geração de “carros populares” pode conquistar de vez as ruas do Brasil.
O que esperar nos próximos meses
A proposta ainda está em análise e deve passar por ajustes antes de ser oficializada. A expectativa é que o governo anuncie as regras definitivas até o final do trimestre, com vigência imediata ou escalonada. Caso a medida avance, o Brasil verá uma mudança significativa no perfil de seus carros mais vendidos.
Enquanto isso, o mercado observa com atenção e as concessionárias já se movimentam para adequar estoques e campanhas promocionais. Para o consumidor, a hora de comprar um SUV 1.0 pode estar muito próxima.
Conclusão
A possível volta dos incentivos fiscais para carros com motor 1.0 representa uma oportunidade de transformar o conceito de carro popular no Brasil. Com a entrada de SUVs como o Citroën Basalt e o Volkswagen Tera nesse novo cenário, o consumidor poderá ter acesso a veículos mais completos, seguros e visualmente atrativos, sem abrir mão da economia. Resta agora acompanhar as definições do governo e a postura das montadoras para entender se esse benefício chegará efetivamente ao bolso do brasileiro.