A montadora japonesa Nissan enfrenta um novo e duro capítulo em sua trajetória corporativa. Em meio a uma profunda crise financeira e estrutural, a empresa deve demitir mais de 10 mil trabalhadores em todo o mundo, elevando o total de cortes recentes para cerca de 20 mil postos de trabalho, o que representa 15% da força global da companhia.
Nissan anuncia demissões em massa e deve cortar mais de 10 mil funcionários
Nissan confirma cortes de mais de 10 mil empregos no mundo, reestrutura operações e fecha fábricas. Crise marca novo capítulo da montadora.
As informações foram divulgadas pela emissora pública japonesa NHK, nesta segunda-feira (12), e revelam o tamanho do desafio enfrentado pela montadora.
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Nissan enfrenta prejuízo bilionário e reestruturação global

De acordo com fontes próximas à montadora, a decisão faz parte de uma reestruturação estratégica liderada pelo novo CEO, Ivan Espinosa, que assumiu o comando em abril deste ano, substituindo Makoto Uchida. A empresa busca reduzir perdas, aumentar a eficiência de produção e adaptar-se a um novo cenário global cada vez mais voltado à mobilidade elétrica e à automação.
A montadora já havia emitido alerta ao mercado no mês passado sobre possíveis prejuízos recordes. Nesta terça-feira (13), a Nissan deve divulgar oficialmente os resultados do ano fiscal encerrado em março, mas as expectativas não são otimistas. A empresa estima um prejuízo líquido entre 700 bilhões e 750 bilhões de ienes — o equivalente a US$ 4,74 bilhões a US$ 5,08 bilhões.
Fábricas serão fechadas e planos de expansão cancelados
Além das demissões, a Nissan confirmou fechamentos de unidades fabris, incluindo uma já identificada na Tailândia, que deverá encerrar suas atividades até junho deste ano. Outras duas fábricas ainda não reveladas também serão desativadas como parte do plano global de contenção de gastos e redução de capacidade produtiva.
Em novembro passado, a montadora já havia anunciado corte de 9 mil empregos e uma redução de 20% na capacidade produtiva mundial. Agora, com o novo anúncio, esse número praticamente dobra, reforçando a gravidade da crise interna.
Como parte do enxugamento de investimentos, a empresa também abandonou o projeto de construir uma fábrica de baterias para veículos elétricos na ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão. O projeto, estimado em US$ 1,1 bilhão, contava com subsídios do governo japonês, mas foi considerado inviável diante do cenário atual.
Motivos da crise: herança do escândalo Ghosn, queda nas vendas e mercado em transformação
Repercussões do caso Carlos Ghosn
O histórico recente da Nissan é marcado por turbulências internas desde a prisão e fuga do ex-presidente Carlos Ghosn, acusado de crimes financeiros. O escândalo afetou diretamente a governança da empresa e gerou desconfiança no mercado, prejudicando suas alianças estratégicas, principalmente com a Renault e a Mitsubishi.
Queda na demanda global e concorrência crescente
A montadora também sofre os impactos da queda na demanda por veículos a combustão, especialmente em mercados como Europa e China, que vêm acelerando a transição para veículos elétricos (EVs). A concorrência com empresas chinesas e americanas especializadas em EVs, como BYD e Tesla, também tem pressionado a Nissan a acelerar mudanças estruturais.
Dificuldades para competir no setor de elétricos
Apesar de ter sido uma das pioneiras com o modelo Leaf, a Nissan perdeu competitividade no setor de elétricos devido à lentidão na atualização de sua frota, à falta de investimentos em novas tecnologias de bateria e à ineficiência logística de algumas fábricas.
Impacto global: Brasil, México e Estados Unidos sob alerta
América Latina pode ser afetada pelas demissões
Com unidades produtivas no Brasil, México e Argentina, a Nissan ainda não divulgou quais países serão diretamente impactados pelos cortes anunciados. No entanto, sindicatos e trabalhadores latino-americanos já expressam preocupação com a possibilidade de que a região também sofra reflexos da nova onda de demissões e fechamento de fábricas.
Estados Unidos: foco em reestruturação da produção
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Nos Estados Unidos, onde a Nissan tem significativa presença industrial, os cortes devem ser mais estratégicos, afetando áreas administrativas e setores considerados excedentes após a revisão dos projetos de médio prazo. Analistas apontam que a montadora deve concentrar recursos nas áreas de pesquisa e desenvolvimento voltadas a veículos híbridos e elétricos.
Especialistas apontam cenário desafiador, mas com chances de recuperação

Reação do mercado e expectativa para resultados oficiais
A divulgação oficial dos resultados nesta terça-feira (13) deve trazer mais clareza sobre os rumos da empresa e como o mercado reagirá à crise. Analistas financeiros aguardam os números com cautela, mas ressaltam que a transparência do novo CEO e os cortes drásticos podem ser vistos como sinal de compromisso com a recuperação.
Segundo o economista Kenji Yamamoto, especializado em indústria automotiva, a medida é “dolorosa, mas necessária”:
“A Nissan estava inchada, com linhas de produção ultrapassadas e estrutura corporativa obsoleta. Essas demissões, embora impactantes, podem marcar o início de uma reestruturação sólida e necessária.”
Caminhos possíveis para a recuperação
A expectativa agora gira em torno de como a Nissan vai reposicionar sua marca no mercado global. Há indícios de que a empresa pretende focar em:
- Veículos elétricos mais acessíveis;
- Parcerias tecnológicas com startups do setor de mobilidade;
- Automação industrial e inteligência artificial na produção;
- Revisão do portfólio de modelos vendidos em mercados como Europa, Ásia e América Latina.
Imagem: John Gress Media Inc/Shutterstock.com

