O custo de vida voltou a subir em junho e afetou diretamente o orçamento das famílias brasileiras. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou alta de 0,41% no mês.
Alimentos e conta de luz pressionam inflação e pesam mais no bolso dos brasileiros
Prévia da inflação sobe em junho com alta da conta de luz e dos alimentos. Veja os produtos que mais encareceram e o impacto no orçamento.
Os principais responsáveis pelo avanço foram os grupos Alimentação e Bebidas e Habitação, impulsionados principalmente pelo aumento da conta de energia elétrica e pela alta de alimentos básicos como batata, tomate, feijão e cebola.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,80%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.
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O que fez a inflação subir em junho

O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial e mostra quais produtos e serviços tiveram maior impacto sobre o orçamento das famílias.
Conta de luz teve o maior impacto do mês
O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que ficou 2,04% mais cara em junho.
O aumento foi provocado principalmente pela adoção da bandeira tarifária amarela e pelos reajustes aplicados por distribuidoras em algumas regiões do país.
Como a energia elétrica está presente em praticamente todas as residências, qualquer reajuste acaba tendo efeito imediato no orçamento doméstico.
Além da despesa direta com a conta de luz, custos maiores de energia também podem influenciar os preços de diversos produtos e serviços.
Alimentos básicos voltaram a subir
Os supermercados continuam sendo um dos locais onde o consumidor mais percebe os efeitos da inflação.
Entre os alimentos que registraram as maiores altas em junho estão:
- batata-inglesa: 29,42%;
- tomate: 17,27%;
- feijão-carioca: 14,29%;
- cebola: 9,54%.
São produtos presentes na alimentação diária da maioria das famílias brasileiras, tornando o impacto ainda mais significativo.
Alguns alimentos ficaram mais baratos
Apesar das altas expressivas, alguns produtos ajudaram a reduzir parte da pressão inflacionária.
Entre eles estão:
- café moído: queda de 3,69%;
- frutas: recuo de 0,96%;
- combustíveis: redução média de 1,22%.
Essas quedas impediram que o índice geral fosse ainda maior.
A inflação dos alimentos preocupa em 2026
Os números mostram que o aumento dos preços não ocorreu apenas em junho.
Produtos já dobraram de preço neste ano
No acumulado do primeiro semestre de 2026, alguns alimentos registraram altas superiores a 100%.
Os maiores aumentos foram:
- tomate: 103,84%;
- cenoura: 103,10%;
- batata-inglesa: 100,20%.
Esses produtos são bastante sensíveis às condições climáticas, ao custo do transporte e à oferta agrícola, fatores que ajudam a explicar oscilações tão expressivas.
Alimentação continua pressionando o orçamento
Como alimentação representa uma das maiores despesas das famílias, principalmente das de menor renda, aumentos consecutivos reduzem o poder de compra e exigem mudanças no planejamento financeiro.
Em muitos casos, consumidores substituem produtos mais caros por alternativas semelhantes ou reduzem o volume das compras para manter o orçamento equilibrado.
Outros gastos também ficaram mais caros
Além da alimentação e da energia elétrica, outros serviços apresentaram reajustes em junho.
Passagens aéreas
As passagens aéreas registraram aumento de 7,24%, influenciadas pela demanda e pelas variações operacionais do setor.
Produtos de higiene pessoal
Itens de higiene tiveram alta média de 1,03%, impactando despesas recorrentes das famílias.
Embora individualmente esses aumentos sejam menores, somados aos reajustes de alimentação e habitação acabam ampliando a pressão sobre o orçamento mensal.
Inflação segue acima da meta
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O resultado de junho mantém a inflação acima do limite considerado ideal para a economia brasileira.
Acumulado do ano
Nos seis primeiros meses de 2026, o IPCA-15 acumula alta de 3,45%.
Acumulado em 12 meses
Já no período de 12 meses, o índice chegou a 4,80%, ultrapassando o teto da meta de inflação de 4,5%.
Quando a inflação permanece elevada por um período prolongado, o Banco Central costuma manter uma política monetária mais restritiva para controlar a alta dos preços, o que pode influenciar os juros cobrados em empréstimos e financiamentos.
Cidades tiveram resultados diferentes
A inflação não avançou da mesma forma em todo o país.
Brasília registrou a maior alta
A capital federal apresentou inflação de 0,93%, a maior entre as localidades pesquisadas.
Os principais fatores foram:
- aumento das passagens aéreas;
- alta da gasolina.
Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador tiveram os menores índices
As três capitais registraram inflação de 0,28%.
Em Curitiba, o resultado foi influenciado principalmente pela redução nos custos de emplacamento, licenciamento de veículos e gasolina.
Em Salvador, a queda do café moído e dos combustíveis ajudou a conter os preços.
Já no Rio de Janeiro, hospedagem e seguro voluntário de veículos ficaram mais baratos, contribuindo para aliviar o índice local.
O que esperar nos próximos meses

O comportamento da inflação dependerá de diversos fatores, como o clima, a produção agrícola, o preço da energia elétrica, os combustíveis e o cenário econômico nacional e internacional.
Caso os alimentos continuem registrando altas expressivas e a energia permaneça mais cara, a pressão sobre o custo de vida poderá continuar nos próximos meses. Por outro lado, reduções em itens como combustíveis e alguns alimentos podem ajudar a equilibrar o índice.
Para os consumidores, o momento reforça a importância de pesquisar preços, acompanhar promoções e planejar as compras, especialmente dos produtos que mais sofreram reajustes ao longo do primeiro semestre de 2026.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
