A inflação voltou a pesar no bolso dos brasileiros e tem forçado milhões de famílias a mudarem seus hábitos, especialmente na alimentação. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 58% da população reduziu a compra de alimentos nos últimos meses, enquanto 8 em cada 10 fizeram algum ajuste no consumo para lidar com os preços em alta.
Inflação leva 58% dos brasileiros a reduzirem compras de alimentos, aponta DataFolha
Inflação altera hábitos alimentares dos brasileiros; 58% reduzem compras. Estudo aponta responsabilidade do governo e dificuldades econômicas.
Com o orçamento cada vez mais apertado, cortes vão desde refeições fora de casa até itens essenciais, como luz, gás e medicamentos. A pressão econômica também afeta a avaliação do governo e revela a busca por estratégias para sobreviver em meio à alta do custo de vida.
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Estudo revela queda no consumo de alimentos

Segundo pesquisa divulgada neste domingo pelo Instituto Datafolha, 58% dos brasileiros afirmam ter reduzido a quantidade de alimentos comprados nos últimos meses. A principal causa apontada foi o aumento contínuo dos preços.
Essa tendência de retração no consumo não se limita a uma ou outra região do país. A pesquisa, realizada entre os dias 1 e 3 de abril, ouviu mais de 3 mil pessoas em 172 municípios de todas as regiões, revelando um panorama nacional de incertezas e dificuldades.
Mudanças de hábito já afetam 8 em cada 10 brasileiros
De acordo com o levantamento, 80% da população mudou algum hábito de consumo por causa da inflação. Os dados mostram que:
- 61% passaram a sair menos para comer fora
- 50% trocaram marcas de produtos, como o café, por opções mais baratas
- 49% reduziram o consumo de café
Essa retração também é observada em outros setores, como o de remédios e utilidades domésticas.
Redução na quantidade de comida em casa
Um dado alarmante da pesquisa é que 1 em cada 4 brasileiros afirma não ter comida suficiente em casa. Para 60%, os alimentos disponíveis são apenas o suficiente, enquanto apenas 13% dizem ter mantimentos em excesso.
Essa realidade não sofreu alterações significativas em relação ao mesmo período do ano anterior, o que indica um cenário persistente de insegurança alimentar no país.
Estratégias para conter gastos estão cada vez mais comuns
Além de cortar alimentos, os brasileiros também têm adotado diversas estratégias para lidar com o impacto da inflação:
- 50% reduziram o consumo de água, luz e gás
- 47% buscaram fontes extras de renda
- 36% diminuíram a compra de remédios
- 32% deixaram de pagar dívidas
- 26% não conseguiram quitar despesas básicas
Essas medidas demonstram que o impacto da inflação vai além do supermercado, afetando profundamente todas as dimensões da vida cotidiana.
A economia e a política se entrelaçam
O Datafolha também identificou uma correlação entre a adoção dessas medidas e a orientação política dos entrevistados. Quanto maior o alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, maior a chance de o entrevistado afirmar que precisou cortar despesas ou buscar renda extra.
Entre os eleitores do presidente Lula, esse percentual é menor, embora também significativo.
Avaliação do governo Lula sofre pressão com alta nos alimentos

A inflação no setor de alimentos tem pesado na percepção popular sobre o governo federal. De acordo com a pesquisa:
- 54% atribuem grande responsabilidade ao governo Lula pelo aumento dos preços
- 29% dizem que o governo tem parte da culpa
- Apenas 14% isentam o Planalto completamente
Mesmo entre os que pretendem votar em Lula, 72% acreditam que ele tem alguma ou muita culpa pela alta nos alimentos.
Popularidade do governo: leve melhora, mas com ressalvas
A pesquisa mostra uma leve melhora na avaliação do governo Lula, com 29% de aprovação, contra 24% em dezembro. No entanto, 38% continuam avaliando negativamente a gestão, mantendo um saldo desfavorável.
Medidas do governo ainda não surtem efeito prático
Para tentar conter a inflação, o governo federal anunciou ações como a isenção de imposto de importação para alguns alimentos. No entanto, os efeitos práticos dessas medidas ainda não foram percebidos pela população.
Quem a população responsabiliza pela alta dos preços?
O Datafolha investigou também quais fatores os brasileiros acreditam que contribuem para o aumento dos preços. As principais respostas foram:
- Governo Lula (citados por mais de 50% dos entrevistados)
- Produtores rurais
- Crise climática
- Conflitos internacionais
- Situação econômica dos Estados Unidos
Renda influencia percepção de responsabilidade
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Entre a população com renda de até dois salários mínimos, o governo federal e os produtores rurais foram apontados como igualmente responsáveis (55% e 54%, respectivamente). Já entre os mais ricos, apenas 41% culpam o setor agropecuário.
Essa diferença de percepção demonstra que a vivência econômica impacta diretamente a forma como os brasileiros interpretam a inflação e seus culpados.
Influência das intenções de voto
O grau de responsabilidade atribuído ao governo também varia de acordo com a intenção de voto:
- Eleitores de Zema e Tarcísio: 78% e 77% culpam o governo Lula
- Eleitores de Lula: dividem as responsabilidades entre governo, produtores rurais e fatores externos, como guerras
Inflação oficial: alimentos puxam alta em março

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam a percepção popular. Em março, a inflação oficial foi de 0,56%, com acúmulo de 5,48% nos últimos 12 meses.
Alimentos lideram os aumentos
O grupo de alimentos e bebidas subiu 1,17% em março, uma aceleração em relação aos 0,70% de fevereiro. Os produtos que mais subiram foram:
- Tomate: 22,55% no mês
- Ovo de galinha: 13,13%
- Café moído: 8,14%
Nos últimos 12 meses:
- Café moído: alta acumulada de 77,78%
- Ovos: 19,52%
- Tomate: 0,13%
Esse aumento contínuo nos alimentos mais consumidos pelas famílias brasileiras agrava ainda mais a situação de quem já vive com orçamento apertado.
Conclusão: inflação altera hábitos, desafia políticas e impõe urgência
Os dados do Datafolha e do IBGE escancaram os efeitos duradouros e profundos da inflação no Brasil. O encarecimento dos alimentos força a população a renunciar a itens básicos, muda a relação com marcas e hábitos tradicionais, e pressiona a imagem do governo federal, que ainda não conseguiu conter os impactos no cotidiano da maioria.
Enquanto isso, estratégias de contenção, como cortes no consumo e busca por renda extra, se tornam rotina para milhões. A inflação, mais do que um número, representa hoje um drama humano vivido diariamente à mesa de muitos brasileiros.
