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Preços seguem pressionados nos EUA e guerra é apenas parte da explicação

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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A inflação dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções dos mercados em setembro de 2026. O avanço dos preços de energia associado ao conflito no Oriente Médio aumentou a preocupação com a oferta de combustíveis, enquanto tarifas comerciais e pressões persistentes em serviços dificultam uma desinflação rápida.

O problema ganhou dimensão internacional porque o Federal Reserve (Fed) precisa equilibrar inflação e atividade econômica. Em sua atualização de setembro, o banco central americano elevou a projeção mediana para o PCE, seu principal indicador de inflação, para 3,7% em 2026, ante 3,6% na previsão de junho. Para 2027, a estimativa é de 2,3%, e o retorno a 2% aparece apenas em 2028.

Esse cenário ajuda a explicar por que uma inflação mais persistente nos Estados Unidos pode continuar afetando países emergentes, incluindo o Brasil.

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Imagem: chormail – freepik

O conflito envolvendo Estados Unidos e Irã acrescentou uma nova fonte de pressão sobre os preços de energia. Em 22 de setembro, o petróleo Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 100 por barril, enquanto persistiam dúvidas sobre a duração das tensões e sobre a normalização do fluxo de petróleo na região.

O impacto não fica restrito à gasolina. Petróleo e derivados são utilizados no transporte, na indústria, na agricultura e em diversas cadeias de produção. Quando o combustível fica mais caro, empresas podem repassar parte desse aumento para mercadorias e serviços.

Há ainda uma diferença importante entre um choque temporário e uma inflação persistente. Uma alta pontual do petróleo pode desaparecer quando a oferta é normalizada. Já efeitos secundários, como salários, fretes e preços de serviços, podem manter a inflação elevada mesmo depois de a cotação da commodity recuar.

O núcleo da inflação continua acima da meta

Os dados do Bureau of Economic Analysis mostram que o núcleo do PCE subiu 3,3% em 12 meses até julho de 2026, permanecendo acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve. O indicador exclui alimentos e energia justamente para ajudar a identificar tendências menos influenciadas por oscilações desses componentes.

Isso significa que o problema inflacionário americano não depende exclusivamente da guerra ou do petróleo.

O Fed também elevou sua projeção para o núcleo do PCE em 2026, de 3,3% para 3,4%. Para 2027, a mediana ficou em 2,5%, e para 2028, em 2,2%.

Fed mais cauteloso muda o cenário para os mercados

A inflação persistente limita o espaço para uma política monetária mais frouxa nos Estados Unidos.

Nas projeções divulgadas em setembro, os integrantes do FOMC indicaram mediana de 4,1% para a taxa dos Fed Funds ao fim de 2026, 4,1% em 2027, 3,9% em 2028 e 3,6% em 2029.

Mais importante que uma previsão isolada é o mecanismo. Se os juros americanos permanecem elevados por mais tempo, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos podem oferecer uma remuneração relativamente mais atraente aos investidores globais.

Isso aumenta a competição por capital internacional e pode elevar o custo de financiamento de economias emergentes.

Como isso chega ao Brasil

O Brasil não fica isolado desse movimento. O mercado financeiro brasileiro é influenciado pelas taxas americanas, pelo dólar, pelos preços das commodities e pela percepção de risco.

Quando os juros dos Estados Unidos sobem ou permanecem elevados, investidores podem exigir retornos maiores para manter recursos em ativos de países emergentes. Para o Brasil, isso pode significar maior pressão sobre juros longos, câmbio e custo de captação.

O dólar também é um canal importante. Uma valorização da moeda americana encarece produtos importados, equipamentos, componentes industriais e diversos insumos cotados internacionalmente.

Esse processo pode dificultar a convergência da inflação brasileira, principalmente quando ocorre simultaneamente a outros fatores domésticos.

Selic continua sendo peça central

O Banco Central brasileiro precisa considerar não apenas a inflação interna, mas também o ambiente financeiro internacional.

A taxa Selic continua sendo o principal instrumento para controlar a demanda e influenciar as expectativas de inflação. O sistema de dados do Banco Central registra a meta definida pelo Copom e permite acompanhar sua evolução diariamente.

Para famílias e empresas, a consequência de um cenário externo mais pressionado pode aparecer na forma de crédito mais caro ou de uma redução mais lenta das taxas de financiamento.

Isso afeta desde empréstimos bancários até financiamentos imobiliários, capital de giro e investimentos empresariais.

Brasil também enfrenta um cenário de desaceleração

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Imagem: Reprodução

O efeito dos juros elevados precisa ser analisado junto com o desempenho da economia brasileira.

O IBGE informou que o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a expansão foi de 2,0%.

O resultado mostra que a economia continua crescendo, mas uma política monetária restritiva tende a produzir efeitos graduais sobre consumo, crédito e investimento.

Esse é um dos desafios para o Banco Central: combater pressões inflacionárias sem provocar uma desaceleração excessiva da atividade econômica.

Imagem: Reprodução

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