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Energia e alimentos pressionam preços e IPCA-15 avança mais que o esperado em setembro

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 10 min de leitura
IPCA 15

A prévia da inflação brasileira voltou a acelerar em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,70% no mês, revertendo a queda de 0,40% registrada em agosto.

Os números mostram uma mudança significativa na dinâmica dos preços. Energia elétrica, alimentação e passagens aéreas estiveram entre os principais responsáveis pela alta, aumentando a pressão sobre despesas importantes do orçamento das famílias.

Em 12 meses, o IPCA-15 chegou a 4,47%, ante 4,24% no período imediatamente anterior. O percentual ficou muito próximo do limite superior de 4,5% utilizado como referência no sistema de metas de inflação.

É importante destacar que a meta é oficialmente acompanhada pelo IPCA, e não pelo IPCA-15. Ainda assim, o indicador divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) funciona como uma prévia relevante da inflação oficial e ajuda a antecipar tendências dos preços ao consumidor.

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IPCA-15 sobe 0,70% em setembro

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Depois da deflação registrada em agosto, quando o IPCA-15 caiu 0,40%, setembro trouxe uma forte aceleração.

O avanço de 0,70% surpreendeu também por mostrar pressões espalhadas por diferentes componentes do orçamento doméstico, especialmente despesas relacionadas à moradia.

No acumulado do ano, o IPCA-15 chegou a 3,82%.

Já nos 12 meses encerrados em setembro, a taxa alcançou 4,47%. No mês anterior, essa mesma leitura estava em 4,24%.

O resultado reforça a atenção sobre o comportamento dos preços nos últimos meses de 2026, especialmente porque alguns itens que haviam ajudado a conter a inflação voltaram a subir.

Conta de luz foi uma das principais responsáveis pela alta

O grupo Habitação apresentou o maior impacto sobre o IPCA-15 de setembro.

Os preços desse grupo avançaram 2,07%, impulsionados principalmente pela energia elétrica residencial.

A conta de luz ficou 7,42% mais cara no mês, depois de ter registrado queda de 6,25% em agosto.

A mudança está relacionada, entre outros fatores, ao fim do efeito temporário do bônus de Itaipu observado anteriormente.

Esse crédito havia reduzido as contas de milhões de consumidores residenciais e rurais e ajudado a puxar o índice de agosto para baixo.

Com o desaparecimento desse efeito estatístico em setembro, a energia voltou a exercer pressão significativa sobre a inflação.

Bandeira tarifária também aumentou o custo

Outro fator que pesou nas contas foi a manutenção da bandeira tarifária amarela.

Nesse sistema, há cobrança adicional sobre a quantidade de energia consumida.

Como eletricidade é uma despesa presente praticamente em todos os domicílios, uma alta expressiva do item consegue gerar impacto relevante não apenas no índice geral de inflação, mas também diretamente no orçamento familiar.

Além da conta paga em casa, energia mais cara pode aumentar custos de empresas, comércio e prestadores de serviços, embora esse efeito indireto nem sempre apareça imediatamente nos preços finais.

Alimentos voltam a ficar mais caros

Outra mudança importante ocorreu no grupo Alimentação e Bebidas.

Depois de recuar 0,57% em agosto, o grupo registrou alta de 0,40% em setembro.

A alimentação dentro do domicílio avançou 0,38%, interrompendo a sequência de alívio observada no mês anterior, quando havia apresentado queda de 0,97%.

O comportamento merece atenção porque os gastos com alimentação possuem peso expressivo no orçamento das famílias, principalmente entre aquelas de menor renda.

Alguns produtos tiveram aumentos bastante superiores à média.

Tomate sobe mais de 20%

Entre os destaques de setembro, o tomate apresentou alta de 20,76%.

O arroz avançou 2,39%, enquanto as carnes ficaram 1,30% mais caras.

Esses movimentos ajudam a explicar por que o consumidor pode perceber uma pressão maior no supermercado mesmo quando a inflação média de determinado período parece relativamente controlada.

A inflação não afeta todos os consumidores da mesma maneira.

Uma família que gasta parcela elevada da renda com alimentação e energia, por exemplo, pode sentir uma alta de custos superior à indicada pelo índice médio.

Fim do período de alimentos mais baratos preocupa

Parte das quedas de alimentos observadas anteriormente esteve associada a fatores sazonais.

Em determinados períodos do ano, o aumento da oferta de alguns produtos contribui para reduzir preços ao consumidor.

Quando essa condição muda, os preços podem voltar a avançar.

A entrada dos alimentos novamente em terreno positivo em setembro, portanto, aumenta a atenção sobre o comportamento desse grupo durante o último trimestre de 2026.

Questões climáticas também permanecem no radar do mercado.

Alterações no regime de chuvas, temperaturas e fenômenos climáticos podem afetar produtividade agrícola, disponibilidade de produtos e preços ao consumidor nos meses seguintes.

Passagens aéreas avançam quase 10%

Os transportes também contribuíram para a inflação do mês.

O grupo apresentou alta de 0,60% em setembro.

Um dos maiores destaques foram as passagens aéreas, que ficaram 9,82% mais caras.

Esse é um item que costuma apresentar grande volatilidade e pode mudar rapidamente de preço conforme demanda, disponibilidade de voos, combustível, período do ano e antecedência da compra.

Por isso, altas ou quedas intensas nas passagens podem influenciar significativamente a inflação de serviços em determinados meses.

Gasolina sobe, mas diesel e etanol ficam mais baratos

Os combustíveis registraram alta média de 0,22% no IPCA-15 de setembro.

O comportamento, entretanto, não foi igual entre todos os produtos.

O gás veicular teve aumento de 1,56%, enquanto a gasolina avançou 0,30%.

Na direção contrária, o óleo diesel caiu 0,78%.

O etanol também apresentou redução, de 0,22%.

Mesmo uma variação aparentemente pequena da gasolina pode ter impacto relevante sobre o orçamento porque o combustível possui peso elevado na cesta de consumo das famílias.

Além disso, mudanças nos preços dos combustíveis podem influenciar custos de transporte de pessoas e mercadorias.

Inflação de serviços segue no radar

Além da energia e dos alimentos, a inflação dos serviços continua sendo acompanhada atentamente por economistas e pelo Banco Central.

A pressão das passagens aéreas contribuiu para uma aceleração importante dessa categoria em setembro.

A inflação de serviços preocupa porque costuma apresentar maior persistência.

Diferentemente de alimentos in natura ou combustíveis, cujos preços podem subir e cair rapidamente, serviços como aluguel, educação, saúde, alimentação fora de casa e cuidados pessoais tendem a apresentar reajustes mais resistentes.

Por isso, a evolução desse grupo possui peso importante nas decisões sobre os juros.

IPCA-15 chega perto do limite superior da meta

A taxa de 4,47% acumulada em 12 meses colocou o IPCA-15 muito próximo de 4,5%.

A meta de inflação estabelecida para o Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Isso cria uma faixa de 1,5% a 4,5%.

No entanto, existe uma diferença fundamental: o indicador utilizado oficialmente para verificar o cumprimento da meta é o IPCA.

O IPCA-15 segue metodologia semelhante, mas possui período de coleta diferente e funciona principalmente como uma prévia da inflação oficial.

Portanto, dizer que o IPCA-15 chegou a 4,47% não significa, por si só, que a inflação oficial esteja a apenas 0,03 ponto percentual de romper o teto.

O número, porém, oferece um sinal relevante sobre a direção dos preços.

Qual a diferença entre IPCA e IPCA-15?

Os dois índices são calculados pelo IBGE e acompanham a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias.

A principal diferença está no período utilizado para coletar os preços.

O IPCA-15 fecha sua coleta antes do IPCA tradicional. Por isso, costuma ser conhecido como a “prévia da inflação”.

Na prática, ele permite observar antecipadamente algumas das pressões que podem aparecer posteriormente no índice oficial.

Os resultados não precisam ser idênticos, já que os períodos analisados são diferentes.

Juros continuam elevados apesar de corte da Selic

A divulgação do IPCA-15 também acontece em um momento importante para a política monetária brasileira.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos para 13,75% ao ano.

Mesmo com a redução, a taxa permanece em nível elevado.

O Banco Central indicou que continuará adotando cautela nas próximas decisões devido às incertezas relacionadas ao processo de convergência da inflação.

Na ata da reunião de setembro, o Copom destacou que a atividade econômica apresenta moderação gradual, embora o mercado de trabalho continue aquecido.

O colegiado também apontou que as expectativas de inflação permanecem acima da meta.

Por que o Banco Central acompanha tanto os serviços?

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A inflação não é analisada apenas pelo número geral.

O Banco Central procura identificar quais componentes estão provocando a alta e se o movimento deve ser temporário ou persistente.

Uma elevação da conta de energia causada pela retirada de um desconto, por exemplo, possui características diferentes de uma alta disseminada nos preços dos serviços.

Da mesma maneira, uma disparada pontual do tomate pode ser revertida rapidamente caso a oferta aumente.

A inflação de serviços costuma ser considerada mais resistente porque depende bastante de salários, renda e demanda doméstica.

Por essa razão, indicadores de serviços, mercado de trabalho e núcleos de inflação permanecem importantes para determinar quanto tempo os juros precisarão ficar elevados.

Como a alta de 0,70% chega ao bolso do consumidor

O efeito da inflação varia conforme os hábitos de cada família.

Quem consome mais energia elétrica sentirá diretamente a alta da conta de luz.

Uma família que direciona parcela significativa da renda ao supermercado poderá perceber com maior intensidade o retorno das altas dos alimentos.

Já quem planeja viajar de avião encontrou passagens significativamente mais caras durante o período considerado pelo índice.

O impacto também depende da renda.

Famílias de menor renda normalmente destinam proporção maior do orçamento a despesas essenciais, como alimentação, habitação, gás, energia e transporte.

Por isso, aumentos nesses grupos podem gerar uma sensação de inflação maior do que o índice geral sugere.

O que observar nos próximos meses

Os dados de setembro colocam alguns componentes no centro das atenções para o fim de 2026.

A energia elétrica continuará sendo importante, principalmente diante das condições de geração e das bandeiras tarifárias adotadas.

Os alimentos também merecem acompanhamento após voltarem ao campo positivo.

Além disso, os serviços permanecem relevantes para determinar se a inflação continuará resistente mesmo quando choques temporários perderem força.

O comportamento desses preços será decisivo para as próximas decisões do Banco Central sobre a Selic.

IPCA oficial de setembro será próximo termômetro

O IPCA-15 de 0,70% confirma uma forte aceleração da prévia da inflação depois da queda de agosto.

Habitação foi o principal destaque, com forte pressão da energia elétrica, enquanto alimentação voltou a subir e as passagens aéreas registraram avanço expressivo.

O acumulado de 4,47% em 12 meses reforça a necessidade de acompanhar a trajetória dos preços, embora a avaliação formal da meta seja realizada pelo IPCA.

A próxima leitura do índice oficial ajudará a mostrar até que ponto as pressões observadas no IPCA-15 também apareceram na inflação cheia e qual poderá ser o impacto sobre juros, consumo e poder de compra das famílias nos meses seguintes.

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