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Fome no Brasil: 6,4 milhões de brasileiros sofrem insegurança alimentar

Em 2024, 6,4 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar. Entenda causas, regiões mais afetadas e programas que ajudam. Leia mais!

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Pesquisa indica que lares chefiados por mulheres estão sentindo mais fome

O Brasil registrou 6,4 milhões de pessoas vivendo sob fome em 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) divulgada pelo IBGE. Esse é o menor número desde o início da série histórica, em 2004.

Em 2023, o país contabilizou 8,6 milhões de pessoas em situação semelhante. Ou seja, cerca de 2,2 milhões de brasileiros deixaram de viver em extrema privação alimentar em apenas um ano.

O percentual de lares com fome caiu de 4,1% em 2023 para 3,2% em 2024, repetindo o patamar registrado em 2013.

Leia mais: Osmar Júnior afirma que não há país digno com fome

Insegurança alimentar: panorama completo

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Imagem: Reprodução

A pesquisa avalia diferentes graus de privação alimentar, indo de leve a grave, abrangendo famílias que apenas preocupam-se com acesso futuro a alimentos até aquelas que enfrentam fome real, incluindo crianças.

  • Leve: preocupação com falta de alimentos ou ajustes na qualidade da dieta;
  • Moderada: redução quantitativa de alimentos entre adultos;
  • Grave: falta de alimentos também entre crianças, caracterizando fome real.

No total, considerando qualquer grau de insegurança alimentar, 24,2% dos lares apresentaram restrições em 2024, ante 27,6% em 2023. O maior índice histórico foi registrado em 2017 e 2018, atingindo 36,7% dos domicílios.

Maior renda e programas sociais ajudam a reduzir a fome

A renda familiar é diretamente ligada à insegurança alimentar. Entre os domicílios em situação grave, 71,9% tinham renda de até um salário mínimo. Para qualquer tipo de privação, 66,1% dos lares possuíam renda per capita de até um salário.

Segundo Maria Lucia Vieira, gerente da pesquisa, o acesso à alimentação está intimamente ligado à taxa de desemprego:

“Em momentos que tem uma redução dos empregos, não tem jeito de não reduzir a alimentação. Tem que reduzir os custos ou para comer ou de outras contas para não reduzir a alimentação. E a gente veio observando nesses últimos dois anos, comparando 2023 com 2024, que, de fato, a taxa de desocupação também vem reduzindo, melhorando o rendimento das pessoas. Isso tem um reflexo direto no que as pessoas conseguem adquirir de alimentos.”

Além do emprego, programas sociais têm papel crucial na redução da insegurança alimentar. Medidas como transferência de renda e merenda escolar contribuem para melhorar a nutrição das famílias mais vulneráveis.

Grupos sociais mais afetados pela insegurança alimentar

A pesquisa evidencia desigualdades raciais e de gênero entre os lares afetados:

  • Lares com responsáveis negros: 70,4% dos domicílios;
    • 54,7% pardos, 15,7% pretos;
  • Lares chefiados por mulheres: 59,9%;
  • Lares com fome grave: 73,8% negros e 24,4% brancos.

Esses números mostram que mulheres e pessoas negras estão mais vulneráveis à privação alimentar no país.

Distribuição geográfica da fome

O levantamento também destaca disparidades regionais:

  • Norte: 37,7% dos lares com algum grau de insegurança alimentar;
  • Nordeste: 34,8%;
  • Grau mais grave: 6,3% no Norte e 4,8% no Nordeste;
  • Áreas rurais: 31,3% dos domicílios;
  • Áreas urbanas: 23,2%.

Regiões historicamente mais pobres e zonas rurais concentram a maior parte das famílias afetadas.

Impacto da renda e emprego na alimentação

A relação entre renda familiar, ocupação e alimentação é clara:

  • Lares com maior renda sofrem menos com restrição alimentar;
  • Redução da taxa de desemprego aumenta a capacidade de compra de alimentos;
  • Programas sociais atuam como rede de proteção, especialmente para crianças e adolescentes.

Segundo a pesquisa, os dois últimos anos mostraram melhora significativa nos indicadores de segurança alimentar, graças à combinação de emprego e políticas públicas.

Como a EBIA classifica a insegurança alimentar

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A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) define os domicílios em quatro categorias:

  1. Segurança alimentar: acesso regular e permanente a alimentos de qualidade;
  2. Insegurança alimentar leve: preocupação ou ajustes na dieta para não comprometer quantidade;
  3. Insegurança alimentar moderada: redução de alimentos entre adultos;
  4. Insegurança alimentar grave: restrição de alimentos atinge crianças, caracterizando fome real.

Essa classificação permite monitorar a evolução da fome e planejar políticas públicas mais eficientes.

Políticas públicas e combate à fome

O combate à fome é uma prioridade nacional, incluindo ações como:

  • Programas de transferência de renda, que aumentam o poder de compra das famílias;
  • Merenda escolar, garantindo alimentação de crianças e adolescentes;
  • Subsídios e cestas básicas, voltados para regiões de maior vulnerabilidade;
  • Incentivo à geração de emprego, aumentando renda e segurança alimentar.

Especialistas ressaltam que a combinação desses fatores reduziu em 2,2 milhões o número de pessoas em fome extrema de 2023 para 2024.

Desafios futuros

Bandeira do Brasil com um prato vazio, simbolizando a fome no país.
Imagem: PatriciaFragoso/ shutterstock.com

Apesar da queda nos índices, ainda existem desafios importantes:

  • Garantir que mulheres chefes de família e pessoas negras tenham maior acesso a políticas públicas;
  • Reduzir desigualdades regionais, especialmente no Norte e Nordeste;
  • Manter a segurança alimentar das crianças, prioridade para desenvolvimento e saúde;
  • Fortalecer programas sociais e monitorar sua eficácia regularmente.

O Brasil mostra avanços, mas a fome ainda persiste como desafio social.

Com informações de: EXTRA

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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