Em alguns países, trabalhadores podem pagar contribuições retroativas para preencher lacunas no histórico previdenciário e aumentar o valor da aposentadoria. No Brasil, também existem situações em que é possível regularizar contribuições do passado, mas as regras do INSS são diferentes e exigem atenção.
O pagamento em atraso pode ajudar o segurado a reconhecer períodos de contribuição, porém não significa que qualquer mês antigo possa ser quitado livremente. Dependendo da categoria do trabalhador e do período envolvido, o INSS pode exigir comprovação da atividade e o recolhimento pode não contar para todos os requisitos da aposentadoria.
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É possível pagar o INSS em atraso?
Sim, mas a possibilidade depende da categoria do segurado e do tempo decorrido desde a competência em aberto.
Segundo o INSS, o contribuinte individual, como o trabalhador autônomo que realmente exerceu atividade remunerada, pode regularizar determinadas contribuições em atraso. Para períodos mais antigos, pode ser necessário solicitar cálculo ao instituto e apresentar documentos que comprovem o exercício da atividade naquele período.
Isso significa, por exemplo, que uma pessoa que trabalhou como autônoma em 2018, mas não recolheu o INSS na época, pode tentar regularizar a situação. No entanto, não basta simplesmente decidir hoje que gostaria de pagar contribuições referentes àquele período: é necessário demonstrar que a atividade profissional realmente existiu.
Já as regras são mais restritas para quem contribui como segurado facultativo, categoria destinada, em geral, a pessoas que não exercem atividade remunerada.
Contribuinte facultativo tem mais limitações
O segurado facultativo não pode, em regra, preencher livremente anos inteiros de lacunas previdenciárias apenas fazendo pagamentos retroativos.
De acordo com as orientações oficiais, podem ser regularizadas contribuições em atraso do facultativo referentes a competências dentro dos últimos seis meses, desde que observadas as regras relacionadas à manutenção da qualidade de segurado.
Essa situação pode afetar, por exemplo, uma pessoa que deixou de trabalhar temporariamente e decidiu contribuir para o INSS por conta própria. Se ela interromper os pagamentos por um longo período, não poderá simplesmente voltar anos depois e quitar todo o intervalo como se tivesse contribuído normalmente durante esse tempo.
Há também modalidades específicas, como o facultativo de baixa renda, destinadas a pessoas sem atividade remunerada que atendam aos requisitos legais, incluindo inscrição atualizada no CadÚnico e renda familiar dentro do limite estabelecido.
Pagar o INSS atrasado sempre conta para a aposentadoria?
Não necessariamente. Esse é um dos pontos mais importantes para quem pretende regularizar a vida previdenciária.
É preciso diferenciar tempo de contribuição e carência. Embora os dois conceitos estejam relacionados, eles não significam exatamente a mesma coisa.
A carência corresponde ao número mínimo de contribuições mensais exigido para determinados benefícios. Nas aposentadorias, a regra geral indicada pelo INSS prevê 180 contribuições mensais para cumprir esse requisito.
Para determinadas categorias, contribuições recolhidas em atraso podem não ser aproveitadas para a carência, especialmente quando o segurado perdeu a qualidade de segurado ou quando o pagamento não atende às condições previstas na legislação previdenciária. As normas internas do INSS deixam claro que, em situações específicas, o recolhimento atrasado pode não produzir o efeito que o contribuinte espera para cumprir a carência.
Por isso, pagar uma guia antiga sem verificar previamente o impacto pode resultar em gasto sem o benefício previdenciário imaginado.
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Quantas contribuições são necessárias para se aposentar?
As exigências variam conforme a data de filiação ao Regime Geral de Previdência Social, a regra aplicável e a situação individual do trabalhador.
Para quem passou a contribuir a partir da Reforma da Previdência, a aposentadoria programada exige, entre outros requisitos, 180 meses de carência, idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. O tempo mínimo de contribuição é de 15 anos para mulheres e 20 anos para homens nessa regra.
Já segurados que estavam vinculados ao INSS antes da reforma podem se enquadrar em regras de transição ou outras situações específicas. Por isso, uma mesma quantidade de contribuições pode produzir resultados diferentes para pessoas com históricos previdenciários distintos.
Como saber se existem períodos faltantes no INSS?

O primeiro passo é consultar o histórico no Meu INSS e conferir o Cadastro Nacional de Informações Sociais, o CNIS.
É importante verificar se todos os vínculos empregatícios, salários e contribuições aparecem corretamente. Uma lacuna no cadastro nem sempre significa que o trabalhador precisa pagar uma contribuição: em alguns casos, pode haver atividade ou vínculo que precisa apenas ser comprovado e reconhecido pelo INSS.
Quem identifica períodos sem recolhimento deve analisar, antes de gerar qualquer guia, qual era sua categoria naquele momento. Um autônomo, um facultativo, um empregado e um MEI seguem regras diferentes.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



