O depósito de uma aposentadoria ou pensão depois da morte do beneficiário pode provocar uma dúvida delicada para a família: é possível sacar o dinheiro que apareceu na conta?
A orientação é não movimentar valores pagos indevidamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após o falecimento. Mesmo que o crédito tenha ocorrido porque os sistemas ainda não registraram a morte, isso não transforma automaticamente o dinheiro em patrimônio disponível aos familiares.
Existe, porém, uma diferença fundamental. O segurado pode ter deixado valores que efetivamente tinha direito a receber até a data de sua morte. Nesse caso, familiares habilitados podem solicitar o pagamento pelos procedimentos previstos pelo INSS.
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Dinheiro do INSS caiu depois da morte: família pode sacar?
A família não deve simplesmente acessar a conta do segurado falecido e retirar o pagamento.
O crédito pode aparecer porque existe um intervalo entre o falecimento, o registro no cartório, o envio das informações e o processamento pelos sistemas previdenciários.
Isso pode fazer com que uma parcela seja depositada mesmo quando já não deveria ter sido paga integralmente.
Caso o valor seja movimentado irregularmente, o INSS poderá identificar posteriormente a situação e adotar procedimentos para recuperar o dinheiro.
O fato de o familiar ser dependente ou potencial beneficiário de pensão por morte não autoriza automaticamente o saque da aposentadoria que pertencia ao falecido.
Por que o pagamento ainda pode cair na conta?
Os cartórios comunicam os registros de óbito por meio do Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc).
Essas informações são utilizadas pelo INSS para atualizar seus registros e cessar benefícios quando ocorre a morte do titular.
Apesar da integração dos sistemas, existe tempo de processamento e também podem ocorrer inconsistências.
Assim, encontrar dinheiro depositado depois do falecimento não significa necessariamente que o INSS autorizou o pagamento aos familiares.
A orientação mais segura é verificar a natureza daquele crédito antes de qualquer movimentação.
Usar o dinheiro para pagar o funeral torna o saque permitido?
Não automaticamente.
Uma justificativa frequente é que o valor foi utilizado para custear funeral, medicamentos, hospital ou outras despesas deixadas pelo segurado.
A finalidade dada ao dinheiro não altera, por si só, a natureza do pagamento.
Se o INSS concluir que houve pagamento indevido posterior ao falecimento, poderá ser necessário discutir a devolução do montante.
As despesas do funeral e os direitos previdenciários deixados pelo segurado são questões diferentes.
Existe dinheiro do benefício que pertence aos herdeiros?
Pode existir.
É aqui que entra o chamado valor não recebido até a data do óbito.
O segurado pode morrer antes de receber integralmente uma quantia que já havia adquirido o direito de receber.
Imagine uma aposentadoria mensal cujo titular faleceu no decorrer do mês.
O falecimento não elimina os valores efetivamente devidos até aquela data.
Essas quantias podem ser solicitadas pelos legitimados, mas devem ser obtidas pelo procedimento correto perante o INSS — e não simplesmente retiradas da conta bancária do falecido.
Como pedir o valor não recebido até a data do óbito?
O INSS disponibiliza um serviço específico para essa situação.
No Meu INSS, o interessado deve procurar pelo serviço relacionado ao pagamento de valor não recebido até a data do óbito do beneficiário.
Também é possível obter orientação pela Central 135.
A documentação e o procedimento dependem principalmente da existência ou não de dependentes habilitados à pensão por morte.
Quando existem dependentes com direito à pensão por morte
Se o falecido deixou dependentes previdenciários, a situação tende a ser mais simples depois que essa condição é reconhecida.
Primeiro, deve ser solicitado o benefício de pensão por morte, quando houver direito.
Após a habilitação, os valores residuais devidos ao segurado falecido podem ser solicitados conforme o procedimento do INSS.
O pagamento do resíduo não deve ser confundido com a pensão.
A pensão por morte é um novo benefício concedido aos dependentes que atendem aos requisitos previdenciários.
Já o resíduo corresponde a valores que pertenciam ao segurado antes de sua morte e não chegaram a ser recebidos.
E quando não existem dependentes habilitados?
A situação muda quando não há dependentes habilitados à pensão por morte.
Nesse caso, os sucessores precisam comprovar que possuem legitimidade para receber os valores deixados pelo segurado.
O INSS poderá exigir documentação sucessória apropriada, conforme o caso, como alvará judicial, formal de partilha ou escritura/inventário correspondente.
O objetivo é impedir que qualquer familiar solicite dinheiro simplesmente alegando parentesco.
É necessário demonstrar juridicamente quem possui direito aos valores.
Pensão por morte não é continuação da aposentadoria
Esse é outro ponto que provoca confusão.
Quando um aposentado morre, sua aposentadoria não é simplesmente transferida para o cônjuge ou filhos.
O benefício do titular é encerrado.
Os dependentes que cumprirem os requisitos podem requerer a pensão por morte, que possui regras próprias para concessão, duração e cálculo.
Por isso, a existência de dinheiro na conta utilizada pelo aposentado não deve ser interpretada como uma antecipação da pensão.
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Como saber se o valor depositado era realmente devido?
A família pode consultar o Meu INSS e buscar orientação pela Central 135.
Também é importante verificar a competência do pagamento e a data do falecimento.
Se houver dúvida, o ideal é não movimentar o dinheiro até esclarecer a situação.
Isso evita que uma quantia utilizada imediatamente para despesas familiares seja posteriormente considerada pagamento indevido e cobrada pelo INSS.
O banco pode devolver o dinheiro ao INSS?
Pagamentos previdenciários realizados depois do falecimento podem passar por procedimentos de recuperação.
Quando o óbito é identificado, podem ser adotadas providências entre o INSS e a instituição financeira para evitar ou recuperar pagamentos que não eram devidos.
Por isso, familiares não devem tentar “se antecipar” e retirar o saldo imaginando que o dinheiro será automaticamente bloqueado.
O saque pode criar um problema administrativo que não existiria se o valor permanecesse disponível para a regularização.
O que fazer quando o beneficiário do INSS morre?
A família deve separar três questões diferentes.
Primeiro, verificar se existem valores que o segurado tinha direito a receber antes de morrer.
Segundo, identificar se há dependentes que podem solicitar pensão por morte.
Terceiro, evitar movimentar pagamentos realizados indevidamente após o falecimento.
No Meu INSS, é possível iniciar diferentes requerimentos previdenciários. A Central 135 também pode orientar sobre os documentos necessários.
Empréstimo consignado passa automaticamente para a pensão?
Não.
A morte do beneficiário encerra o benefício previdenciário original, e os descontos que eram realizados naquela folha não são simplesmente transferidos para uma eventual pensão por morte.
Isso não significa, contudo, que qualquer dívida desapareça automaticamente.
A situação do empréstimo depende do contrato, das regras aplicáveis e de eventual cobertura existente.
Portanto, a família deve consultar a instituição financeira antes de concluir que as parcelas foram extintas ou que passaram para outro beneficiário.
Família deve evitar movimentar a conta antes de esclarecer o pagamento
Se uma aposentadoria, pensão ou auxílio cair depois da morte do titular, a existência do depósito não é autorização para saque.
A recomendação é manter o valor intacto e procurar o INSS para esclarecer a situação.
Quando houver dinheiro que efetivamente era devido ao segurado até a data do falecimento, existe procedimento próprio para que dependentes ou sucessores solicitem esses recursos.
Dessa forma, a família consegue receber aquilo que legalmente lhe cabe sem correr o risco de movimentar um pagamento indevido e enfrentar posteriormente uma cobrança de devolução pelo INSS.



