O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou nesta quinta-feira (21) a suspensão cautelar dos contratos firmados com a Crefisa, instituição financeira responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários em quase todo o país. A decisão foi tomada após a multiplicação de denúncias de coação, venda casada, mau atendimento e dificuldades enfrentadas por aposentados e pensionistas para sacar seus valores de forma integral.
Embora o INSS tenha garantido que não há risco de perda dos benefícios, a suspensão preocupa novos segurados, que podem enfrentar atrasos até que seja definida a transferência dos pagamentos para outro banco.
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Segundo o advogado Márcio Coelho, especialista em Direito Previdenciário, a medida atinge apenas os novos aposentados e pensionistas que tiveram benefícios concedidos em 2025. Isso porque os contratos com a Crefisa entraram em vigor apenas neste ano.
“Os segurados que já recebem normalmente em outros bancos não serão prejudicados. A suspensão atinge somente quem ainda não teve o primeiro pagamento processado”, explicou o advogado.
Garantia de recebimento
O presidente do INSS, Gilberto Waller, destacou que os valores estão preservados e que os beneficiários não perderão o direito ao pagamento. Segundo ele, a prioridade agora é garantir a transferência para outra instituição financeira sem que os segurados passem por mais transtornos.
“Não podemos continuar permitindo um verdadeiro calvário aos aposentados. Recebemos relatos de filas enormes, falta de caixas eletrônicos e até dificuldades no saque integral dos valores, situações que são inadmissíveis”, disse Waller em entrevista à CNN.
Reclamações contra a Crefisa
Crescente insatisfação
De acordo com dados do site Reclame Aqui, entre fevereiro e julho de 2025, a Crefisa recebeu mais de 12 mil queixas de consumidores, a maioria envolvendo cobranças indevidas e juros abusivos em empréstimos consignados. O índice de satisfação também caiu: apenas 57,2% das respostas foram consideradas satisfatórias pelos usuários.
Dados do Banco Central
O cenário se repete nas estatísticas oficiais. No segundo trimestre de 2025, a Crefisa acumulou 854 reclamações procedentes junto ao Banco Central, um aumento de 62% em comparação com o início do ano. As principais críticas envolvem falta de transparência, venda casada e má prestação de serviços a aposentados e pensionistas.
O que diz a Crefisa
Imagem: Divulgação/ site da Crefisa.
Em nota oficial, a Crefisa afirmou ter recebido a decisão do INSS com “surpresa” e negou qualquer irregularidade. Segundo a instituição, menos de 5% dos beneficiários abriram contas-correntes na empresa, o que demonstraria a inexistência de coação ou venda casada.
A financeira também ressaltou que investiu mais de R$ 1 bilhão em tecnologia e modernização dos serviços desde o início da parceria, em 2020. “Nenhum beneficiário deixou de receber valores durante o período de contrato com o INSS”, declarou a empresa.
O que acontece agora?
Alternativas em estudo
O INSS informou que está analisando alternativas para transferir os novos pagamentos de forma automática para outro banco, mas ainda não divulgou prazo para a mudança. A expectativa é de que instituições já parceiras do órgão assumam temporariamente a função até que um novo processo de contratação seja concluído.
Orientação aos segurados
Enquanto a definição não acontece, especialistas recomendam cautela. “Não há motivo para desespero. O benefício está garantido. A questão é apenas operacional, até que seja concluída a migração para outra instituição financeira”, disse o advogado Márcio Coelho.
Histórico da parceria
A parceria entre INSS e Crefisa começou em 2020, mas só passou a impactar os novos aposentados a partir de 2025. O modelo previa que a instituição financeira cuidasse do pagamento em 25 das 26 regiões do país, uma responsabilidade que exigia grande capilaridade de atendimento.
Entretanto, as reclamações sobre mau atendimento, falta de caixas eletrônicos e cobrança de juros elevados em produtos oferecidos aos segurados minaram a confiança na operação.
O que os especialistas avaliam
Imagem: kenchiro168 / Shutterstock.com
Risco de concentração
Analistas do setor financeiro apontam que a concentração de pagamentos em uma única instituição pode ter sido um dos fatores que contribuíram para os problemas. A falta de concorrência direta no atendimento reduziu a pressão por melhorias nos serviços.
Necessidade de transparência
Para a economista Ana Paula Silveira, o caso reforça a importância de maior transparência e fiscalização nas parcerias entre órgãos públicos e instituições financeiras. “É preciso garantir que o aposentado, que já enfrenta dificuldades, não seja prejudicado por falhas operacionais ou práticas abusivas”, afirmou.
Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.