O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou em 21 de outubro de 2025 a suspensão temporária de novas operações de crédito consignado em 13 instituições financeiras de todo o país. A medida foi tomada após auditorias internas apontarem falhas contratuais, cobranças indevidas e indícios de fraudes nas ofertas de empréstimos voltados a aposentados e pensionistas.
INSS suspende crédito consignado em 13 instituições e reforça fiscalização sobre bancos
INSS suspende crédito consignado em 13 instituições por irregularidades. Veja quais bancos foram afetados e como isso impacta aposentados.
A suspensão foi confirmada pelo Ministério da Previdência Social e pela Diretoria de Benefícios do INSS, que reforçaram o compromisso de proteger beneficiários de práticas abusivas e de garantir maior transparência no sistema de consignados, um dos mais procurados por idosos e segurados do Regime Geral da Previdência.
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Quais bancos e financeiras foram suspensos
Segundo comunicado oficial, as 13 instituições afetadas estão temporariamente impedidas de ofertar novos contratos de consignado, tanto na modalidade tradicional quanto no cartão de crédito consignado. A decisão não afeta contratos antigos, que seguem válidos até o término do pagamento.
A lista inclui:
- Banco Inter
- Paraná Banco
- Facta Financeira
- Cobuccio Sociedade de Crédito Direto
- Banco Master S.A.
- CDC Sociedade de Crédito Direto S.A.
- HBI Sociedade de Crédito Direto S.A.
- Banco Seguro S.A.
- Via Certa Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
- Casa do Crédito S.A. – Sociedade de Crédito ao Microempreendedor
- Valor Sociedade de Crédito Direto S.A. (Valor Financiamentos)
- Banco do Nordeste do Brasil S/A (BNB)
- Banco Industrial do Brasil S/A
O INSS informou que a suspensão é preventiva e temporária, mas poderá se tornar definitiva caso as instituições não apresentem ajustes técnicos e provas de conformidade dentro do prazo de 30 dias.
Motivos das suspensões
De acordo com o INSS, os principais motivos para o bloqueio foram:
- Descumprimento das normas do convênio INSS/Dataprev, que estabelece padrões de registro eletrônico dos contratos;
- Cobranças indevidas de tarifas e juros acima do limite legal;
- Ofertas irregulares de crédito por telefone e sem autorização expressa do beneficiário;
- Falhas no repasse de informações aos sistemas da autarquia;
- Uso indevido de dados de segurados, incluindo casos de falsificação de assinatura digital;
- Assédio comercial contra idosos e beneficiários com vulnerabilidade social.
O órgão afirmou que as irregularidades foram detectadas por meio de cruzamentos automáticos de dados e denúncias recebidas nos canais de atendimento, como o Fala.BR e o 135.
Impacto para aposentados e pensionistas
A decisão do INSS não afeta empréstimos já firmados, que continuarão sendo descontados normalmente na folha de pagamento. No entanto, novas operações estão bloqueadas até que as instituições regularizem a situação.
O objetivo é proteger os beneficiários de práticas abusivas, que se intensificaram nos últimos meses. Dados da Dataprev indicam que mais de 37% das reclamações registradas entre julho e setembro de 2025 estavam relacionadas a contratações não reconhecidas ou descontos indevidos.
O crédito consignado, que permite o desconto direto da parcela no benefício, tem juros controlados pelo governo e movimenta cerca de R$ 200 bilhões por ano. No entanto, o aumento das fraudes motivou uma ação conjunta entre o INSS, Banco Central e Ministério da Justiça para endurecer a fiscalização.
Reação das instituições financeiras
Em nota conjunta, algumas instituições alegaram que estão colaborando com o INSS para corrigir falhas técnicas e retomar as operações o mais breve possível. Outras, como a Crefisa e o Banco Pan, afirmaram que a suspensão não se deve a irregularidades financeiras, mas a ajustes operacionais exigidos pelo novo sistema de averbação eletrônica implementado em agosto.
O Banco Central também acompanha o caso, já que algumas financeiras são supervisionadas diretamente pela autarquia. Caso sejam constatadas irregularidades graves, as instituições poderão sofrer multas e restrições adicionais, incluindo proibição de atuar no segmento de crédito consignado federal.
Fiscalização reforçada pelo INSS e Dataprev

Desde março, o INSS e a Dataprev vêm modernizando o sistema de averbação e monitoramento de consignados. A nova plataforma permite verificar em tempo real se um contrato foi realmente autorizado pelo beneficiário, com biometria facial e autenticação de dois fatores.
O sistema também bloqueia automaticamente propostas feitas fora do horário comercial ou repetidas por mais de três instituições em 24 horas — uma prática comum de assédio telefônico.
Com o novo modelo, as instituições financeiras precisam comprovar autorização digital, gravação da proposta e rastreamento de origem de cada operação. As que não se adaptaram dentro do prazo foram incluídas na lista de suspensão.
Mudanças recentes nas regras do consignado
Em 2025, o governo federal publicou novas portarias para reforçar a proteção dos beneficiários do INSS. Entre as medidas estão:
- Limite máximo de juros de 1,84% ao mês para empréstimos consignados;
- Teto de 2,73% ao mês para o cartão consignado;
- Proibição de ligações automáticas e robocalls para ofertar crédito;
- Obrigatoriedade de contrato digital com autenticação biométrica;
- Criação de um período de carência mínima de 30 dias após a concessão de um benefício antes da liberação de crédito.
Essas regras foram aprovadas pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) e já estão em vigor em todo o país.
Medidas de proteção ao segurado
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O INSS reforça que nenhum banco ou financeira pode oferecer crédito sem autorização do beneficiário. Para garantir segurança, o aposentado deve seguir algumas recomendações:
- Nunca fornecer dados pessoais por telefone ou WhatsApp.
- Conferir mensalmente o extrato de consignações disponível no site ou aplicativo “Meu INSS”.
- Bloquear temporariamente o acesso a empréstimos pelo próprio aplicativo, caso não pretenda contratar crédito.
- Registrar denúncia em caso de descontos indevidos através do telefone 135, site Fala.BR ou ouvidoria do Banco Central.
Essas medidas são essenciais para evitar golpes que, em muitos casos, comprometem o benefício de idosos e pensionistas de baixa renda.
O que dizem especialistas
Para o economista e consultor financeiro Ricardo Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a decisão do INSS é “um passo necessário para frear o avanço de práticas predatórias no mercado de crédito consignado”.
Segundo ele, há um descompasso entre o ritmo de modernização das instituições e a necessidade de proteger o público-alvo. “Os aposentados são os principais alvos de abordagens agressivas. A suspensão cria um alerta importante para que os bancos adotem mecanismos de consentimento mais robustos”, avalia.
Já o advogado Fábio Ramos, especialista em direito do consumidor, destaca que a responsabilidade civil das instituições é objetiva. “Mesmo quando há intermediários terceirizados, o banco responde solidariamente pelos danos causados. A fiscalização do INSS é fundamental para reduzir o contágio de fraudes”, afirma.
Próximos passos e prazos para regularização
O INSS concedeu um prazo inicial de 30 dias úteis para que as instituições apresentem documentos que comprovem o cumprimento das normas técnicas e regulatórias. Após análise, os bancos que se adequarem poderão ter a suspensão retirada.
Caso persistam irregularidades, a autarquia poderá encaminhar os casos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, para apuração de crimes contra a administração pública e estelionato financeiro.
Compromisso do governo com a transparência
O Ministério da Previdência Social reforçou que as medidas não visam restringir o acesso ao crédito, mas garantir um ambiente mais seguro e transparente para aposentados e pensionistas. A pasta também anunciou que estuda a criação de um selo de conformidade, que certificará bancos e financeiras que mantêm boas práticas no crédito consignado.
De acordo com o ministro Carlos Lupi, “o crédito consignado é um instrumento importante de inclusão financeira, mas precisa ser usado com responsabilidade e ética. O governo não vai tolerar abusos contra quem mais precisa.”
A suspensão de 13 instituições pelo INSS marca uma nova fase de endurecimento regulatório no mercado de crédito consignado. Embora temporária, a medida reforça a importância de proteger aposentados e pensionistas, grupo historicamente vulnerável a fraudes e abusos comerciais.
Com a modernização dos sistemas da Dataprev e o cruzamento de informações digitais, espera-se que o setor se torne mais transparente e confiável nos próximos meses. O desafio agora é equilibrar o acesso ao crédito com a segurança do beneficiário, garantindo que o consignado continue sendo uma ferramenta de apoio e não de endividamento.
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