IR do investidor: veja o que pode ser adiantado para a declaração de 2026
Embora ainda faltem mais de três meses para o fim de 2025, ano-base da declaração do Imposto de Renda 2026, este é o momento ideal para que os contribuintes, especialmente os investidores, comecem a se organizar.
Antecipar a preparação permite corrigir falhas ainda neste ano, evitar atrasos no pagamento de impostos e reduzir riscos de cair na malha fina da Receita Federal.
Para orientar essa organização, o InfoMoney ouviu Claudio Ianface Jr., economista e sócio do escritório The Hill Capital, e Wesley Beneventi, diretor de contabilidade da plataforma IRTrade, que compartilharam conselhos práticos sobre como simplificar a declaração e evitar dores de cabeça.
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Monte uma pasta digital ou física
De acordo com Ianface Jr., o segredo de uma declaração tranquila é centralizar os documentos necessários. Isso inclui:
- Informes de rendimentos de bancos e corretoras.
- Recibos médicos e odontológicos.
- Comprovantes de despesas com educação.
- Comprovantes de contribuições à previdência privada.
- Comprovantes de venda de bens (imóveis, veículos, etc.).
- DARFs pagos ao longo de 2025.
Controle mensal das operações
Para investidores em bolsa ou fundos imobiliários, a dica é acompanhar os resultados mês a mês: verificar lucros, perdas e impostos devidos. Esse controle evita acumular cálculos na véspera da declaração e reduz o risco de esquecer DARFs.
Renda variável: a atenção deve ser redobrada
Diferença em relação à renda fixa
Enquanto a renda fixa sofre tributação diretamente na fonte, a renda variável exige que o investidor apure e recolha o imposto por conta própria, tornando o processo mais complexo.
Alíquotas aplicáveis
- Operações comuns em ações: 15% sobre o lucro líquido, com isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês (desde que não envolvam day trade).
- Day trade: 20% sobre qualquer ganho, sem isenção.
- ETFs de renda variável e BDRs: não há isenção; tributação segue as mesmas alíquotas (15% operações comuns, 20% day trade).
O papel do DARF
O pagamento do imposto deve ser feito via DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) até o último dia útil do mês seguinte ao da operação. O cálculo pode ser feito no sistema Sicalc da Receita Federal.
Segundo Beneventi, muitos investidores negligenciam DARFs pequenos, o que pode gerar problemas:
“Mesmo valores abaixo de R$ 10 devem ser somados e recolhidos. A Receita cruza os dados com as corretoras e detecta inconsistências.”
Erros comuns na declaração e como evitá-los
Esquecer pequenos rendimentos
Ianface Jr. destaca que muitos contribuintes deixam de declarar:
- Juros de CDBs.
- Rendimentos de poupança.
- Dividendos menores.
- Rendimentos espalhados em diferentes bancos.
Mesmo pequenos valores precisam ser informados, já que a Receita Federal tem acesso a todas as movimentações financeiras.
Informar errado o custo de aquisição
Outro erro recorrente é declarar incorretamente o custo de aquisição de ações, fundos imobiliários e ETFs. Muitos esquecem de incluir taxas de corretagem e emolumentos, o que altera o cálculo do ganho de capital.
Despesas médicas e reembolsos
Beneventi alerta que é comum declarar despesas médicas sem incluir os reembolsos recebidos do plano de saúde. Esse erro pode levar a inconsistências que resultam em multa e juros:
“Se você declara a despesa e não o reembolso, pode reduzir o imposto a pagar indevidamente. Quando a Receita cruza os dados, a diferença é cobrada.”
Ganho de capital na venda de bens
Imóveis e veículos
Além dos investimentos, é preciso atenção à venda de bens. O ganho de capital deve ser apurado no mês da venda e o imposto recolhido no mês seguinte.
Multas e fiscalização
O não pagamento resulta em multa que pode chegar a 20% do valor devido, além de juros. Imóveis recebem atenção especial da Receita Federal, já que movimentações imobiliárias são facilmente rastreadas.
Ferramentas para simplificar a declaração
Aplicativos de controle
Existem hoje diversas plataformas que auxiliam o investidor a calcular e emitir DARFs automaticamente, além de consolidar operações em ações, FIIs e BDRs.
Vantagens do uso
- Redução de erros manuais.
- Consolidação de notas de corretagem.
- Armazenamento seguro de documentos.
- Emissão de relatórios completos para importar na declaração.
Consequências do descumprimento das regras
Multas
O atraso ou a omissão no pagamento de DARFs pode resultar em multa de até 20% do valor devido, além de juros diários.
Malha fina
Inconsistências na declaração levam o contribuinte para a malha fina, obrigando-o a apresentar documentos adicionais e podendo gerar cobranças retroativas.
Risco de autuação
Casos graves podem resultar em autuação fiscal, com cobrança de impostos atrasados, multas pesadas e restrições legais.
Como corrigir erros ainda em 2025
Ajustes antecipados
Segundo Ianface Jr., é possível corrigir falhas ainda neste ano:
- Emitir DARFs atrasados.
- Atualizar custos de aquisição de ativos.
- Organizar notas fiscais e comprovantes.
Vantagens
Antecipar correções reduz multas, evita juros acumulados e facilita a entrega da declaração em 2026.
Checklist para investidores até dezembro
Documentos
- Informes de rendimentos de bancos e corretoras.
- Recibos médicos e comprovantes de educação.
- DARFs pagos em 2025.
- Comprovantes de compra e venda de ativos.
Operações
- Revisar lucros e prejuízos mensais.
- Emitir DARFs pendentes.
- Consolidar custos de aquisição.
Organização
- Criar uma pasta digital dedicada ao IR.
- Usar aplicativos de apoio.
- Conferir movimentações de imóveis e veículos.
Considerações finais
Preparar-se com antecedência para o Imposto de Renda 2026 é fundamental para evitar erros, multas e atrasos. Para os investidores, a atenção deve ser ainda maior, especialmente em operações de renda variável e day trade, que exigem recolhimento mensal de impostos via DARF.
Como ressaltam os especialistas Claudio Ianface Jr. e Wesley Beneventi, a chave está em organização contínua: manter documentos reunidos, acompanhar operações mês a mês e usar ferramentas de apoio. Assim, a declaração deixa de ser um pesadelo e se torna uma formalidade.