A elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até dois salários mínimos (R$ 3.036) pode enfrentar um impasse no Senado. A movimentação de senadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está pressionando a condução da pauta e pode colocar em risco a votação em tempo hábil para evitar prejuízos a milhões de contribuintes.
Risco para projeto que eleva isenção do IR cresce com ocupação no Congresso
Projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 3.036 corre risco de atraso no Senado, afetando muitos contribuintes.

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Projeto tramita com urgência, mas há risco de atraso
Na terça-feira (5), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o projeto de lei que formaliza a isenção para a faixa salarial de até R$ 3.036. A proposta, de autoria do governo Lula, foi encaminhada com pedido de urgência para o plenário, com o objetivo de substituir a Medida Provisória (MP) que atualmente garante o benefício.
Medida Provisória tem data para caducar
A MP que elevou a faixa de isenção foi editada em abril e tem validade até o dia 11 de maio. Caso o projeto não seja aprovado e sancionado pelo presidente Lula até essa data, o benefício perderá validade legal. Isso pode provocar um vácuo jurídico e gerar insegurança fiscal, afetando diretamente cerca de 10 milhões de brasileiros que atualmente estão isentos.
A tensão política no Senado e a ocupação da mesa
Desde a semana passada, a mesa diretora do Senado está sendo ocupada por parlamentares de oposição, em sua maioria aliados de Jair Bolsonaro. O protesto é uma resposta à condução de pautas do governo no Congresso e inclui obstruções e interrupções em sessões. Esse movimento ameaça paralisar a tramitação de projetos, incluindo o que trata da tabela do Imposto de Renda.
Consequência direta: atraso na votação
O risco imediato é a falta de quórum e o bloqueio da votação em plenário. A urgência da proposta exige apreciação rápida, e a continuidade do impasse pode fazer com que o projeto ultrapasse a data-limite imposta pela MP. Caso isso ocorra, os contribuintes que se beneficiaram da isenção a partir de abril voltariam a ter desconto no contracheque.
Entenda o que está em jogo
A proposta aprovada na CAE atualiza a faixa de isenção para refletir o novo valor do salário mínimo, reajustado no início do ano. A mudança é uma forma de manter o poder de compra dos trabalhadores que recebem até dois salários mínimos e garantir justiça tributária. Atualmente, esse grupo representa uma fatia expressiva da base econômica do país.
O que diz o projeto
O texto aprovado determina que ficam isentos os trabalhadores com rendimento mensal de até R$ 3.036, valor equivalente a dois salários mínimos em 2025. Esse reajuste na tabela do IR segue a política gradual anunciada pelo governo de ampliar a isenção até a faixa de R$ 5 mil até o final do mandato.
E se o projeto não for aprovado a tempo?

Caso a medida provisória caduque sem que o projeto seja sancionado, os efeitos são imediatos. Na prática, os empregadores poderão voltar a aplicar o desconto do Imposto de Renda sobre os salários desses trabalhadores, o que poderá gerar confusão, necessidade de compensações futuras e, possivelmente, reembolsos pela Receita Federal.
Impacto financeiro direto
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O retorno da cobrança do IR para quem ganha até dois salários mínimos, mesmo que por um período curto, pode representar uma perda significativa para quem já lida com renda limitada. Com o custo de vida em alta, qualquer desconto adicional no salário pesa no orçamento familiar.
A promessa de isenção até R$ 5 mil segue em paralelo
É importante destacar que este projeto é diferente da promessa feita por Lula durante a campanha presidencial de isentar quem ganha até R$ 5 mil. Essa meta está prevista para ocorrer de forma escalonada até o final de seu mandato. Portanto, o texto que tramita no Senado agora tem caráter mais imediato e emergencial.
Como será feita a expansão até R$ 5 mil?
A equipe econômica do governo trabalha em uma proposta mais ampla de reforma do Imposto de Renda, que envolverá revisão de faixas, alíquotas e compensações fiscais. No entanto, esse debate é mais complexo e depende de articulação política mais ampla, envolvendo também a Câmara dos Deputados.
Pressão sobre o Senado aumenta
Entidades de classe, sindicatos e organizações civis já começam a se mobilizar para pressionar o Senado a votar o projeto ainda nesta semana. A expectativa é que, superado o impasse político, a proposta seja aprovada rapidamente. O próprio governo acompanha com atenção os desdobramentos e busca garantir apoio para aprovar o texto em plenário.
Calendário apertado exige articulação rápida

Com o prazo final se aproximando (11 de maio), qualquer atraso no trâmite legislativo pode inviabilizar a manutenção da isenção neste mês. Mesmo que a proposta seja aprovada após essa data, a sua validade legal dependerá de nova sanção presidencial e ajustes técnicos na Receita Federal.
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