Isenção do IR até R$ 5 mil e taxação dos super-ricos: Gleisi e Hugo Motta fazem acordo

A proposta de reforma do Imposto de Renda, promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou oficialmente em tramitação no Congresso Nacional.

O Projeto de Lei 1087/2025, que amplia a faixa de isenção para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês e propõe a taxação de lucros, dividendos e grandes fortunas, será analisado por uma comissão especial instalada na Câmara dos Deputados.

O governo aposta na medida como eixo estratégico para recuperar apoio da classe média e trabalhadora, além de avançar em um discurso de justiça fiscal. O embate, no entanto, está longe de ser simples.

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imposto de renda
Imagem: Freepik e Canva

Nesta segunda-feira (5), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, publicou um vídeo comemorando a instalação da comissão especial. A parlamentar destacou a importância do projeto como símbolo de justiça social e cumprimento das promessas de campanha.

Segundo Gleisi, a proposta garante que “quem ganha pouco não pague imposto, e quem ganha muito contribua mais com o país”.

A estratégia do governo é clara: fortalecer a base política no Congresso e junto ao eleitorado, colocando a reforma como um marco social de sua administração.

A instalação da comissão e o papel de Gleisi Hoffmann

A comissão será oficialmente instalada nesta terça-feira (6), às 14h, na Câmara dos Deputados. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, desempenha um papel central na articulação dessa reforma, buscando apoio tanto no Congresso quanto na população.

A comissão discutirá o PL 1087/2025, que além da nova faixa de isenção, prevê mecanismos para compensação da renúncia fiscal e taxação dos chamados “super-ricos”.

A importância do apoio do Congresso

O governo Lula tem feito um trabalho intenso para garantir o apoio necessário para a aprovação da proposta. Com apoio de parlamentares do Centrão e a articulação de líderes como Gleisi Hoffmann, a proposta ganha força no Congresso, mesmo diante dos desafios fiscais.

Instalação da comissão e apoio de Hugo Motta

A comissão especial será oficialmente instalada nesta terça-feira (6), às 14h, na Câmara dos Deputados. O colegiado discutirá o PL 1087/2025, que além da nova faixa de isenção, prevê mecanismos para compensação da renúncia fiscal e taxação dos chamados “super-ricos”.

O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara em exercício, demonstrou otimismo com a tramitação:

“O Congresso vai aprovar sim. A proposta é boa e popular. Mas precisa ter responsabilidade fiscal”, afirmou.

O papel de Hugo Motta na negociação da proposta

Hugo Motta, com sua posição chave como presidente da Câmara, desempenha um papel fundamental na articulação política do governo.

Seu apoio à proposta é crucial para garantir que a reforma avance sem grandes obstáculos legislativos. Ele, no entanto, também enfatiza que é necessário equilíbrio para que a reforma não seja prejudicial à economia.

Relatoria com o Centrão e presidência com o PT

O comando da comissão será dividido entre aliados importantes do governo e do centrão: a presidência ficará com Rubens Pereira Júnior (PT-MA), enquanto a relatoria será assumida por Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa e figura chave para negociações políticas.

Essa aliança pragmática entre Lula e Lira é vista como essencial para destravar a pauta, garantir equilíbrio entre interesses fiscais e sociais e dar tempo para o debate técnico amadurecer.

Arthur Lira como relator: desafios e expectativas

Com Arthur Lira como relator, a proposta do governo tem grandes chances de avançar sem grandes embaraços. Lira, um dos principais articuladores do Congresso, é considerado uma figura decisiva no processo.

No entanto, sua posição política também representa um desafio, dado que ele precisa equilibrar a pressão do governo com as demandas do setor privado e a necessidade de garantir uma solução fiscal viável.

O que diz o Projeto de Lei 1087/2025

A proposta, articulada pela equipe econômica em conjunto com o Ministério da Fazenda, estabelece mudanças estruturais no Imposto de Renda da Pessoa Física e Jurídica. Entre os principais pontos:

  • Isenção total do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais
  • Descontos progressivos para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7 mil
  • Manutenção das faixas atuais acima de R$ 7 mil
  • Criação de alíquota de 10% sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil/mês
  • Redutores para evitar bitributação em empresas e bancos
  • Teto de alíquotas por setor:
    • 45% para bancos
    • 40% para seguradoras
    • 34% para demais empresas

A ideia central é desonerar os mais pobres e a classe média, enquanto aumenta a carga tributária sobre os que concentram a maior parte da renda nacional.

Isenção para os mais pobres e mudanças nas faixas do IR

A principal proposta da reforma é a isenção total para quem recebe até R$ 5 mil. Além disso, as alíquotas de imposto para as faixas superiores seriam mais graduais, buscando reduzir a carga tributária para quem tem menor poder aquisitivo.

Taxação de lucros e dividendos: um passo para a tributação progressiva

Outro ponto importante da reforma é a criação de uma alíquota de 10% sobre lucros e dividendos que superem R$ 50 mil mensais.

Atualmente, esses rendimentos são isentos de Imposto de Renda, o que é visto como um benefício para os mais ricos. A medida visa aumentar a contribuição dos super-ricos para a arrecadação fiscal do país.

Impacto fiscal e o debate sobre compensações

A Consultoria de Orçamento da Câmara estima que a ampliação da faixa de isenção pode gerar perda de arrecadação de até R$ 2,9 bilhões para estados e municípios. Esse dado reaquece discussões sobre o pacto federativo e levanta preocupações sobre a sustentabilidade da proposta.

Compensação fiscal: como equilibrar a proposta?

O governo propôs alternativas para compensar a perda de arrecadação, incluindo a taxação de lucros e dividendos de grandes empresas e bancos. A busca por soluções equilibradas é um dos pontos mais debatidos no Congresso, já que o governo precisa garantir que a reforma não prejudique o orçamento.

As alternativas para cobrir a renúncia fiscal

Além da taxação de super-ricos, o governo propõe alternativas como a criação de novas alíquotas para diferentes setores da economia. A ideia é que a carga tributária sobre os mais ricos e grandes empresas aumente, sem prejudicar a classe média e os mais pobres.

Popularidade e clima político favorável

Pesquisas recentes indicam que mais de 70% da população apoia a ampliação da isenção do IR.

O apoio popular transforma o projeto em uma vitrine política para o governo, especialmente em meio ao desgaste de pautas econômicas recentes, como o arcabouço fiscal e a resistência ao corte de gastos sociais.

A popularidade da proposta entre os brasileiros

A proposta de ampliar a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil tem se mostrado altamente popular entre a população, especialmente entre as classes mais baixas e médias.

Isso ocorre em parte porque a medida beneficia diretamente os trabalhadores que enfrentam dificuldades econômicas devido à inflação e à alta dos preços.

O impacto político da reforma: uma vitrine para o governo Lula

Para o governo Lula, a reforma do IR é uma vitrine política. Ela simboliza o compromisso do governo com a justiça fiscal e social. Em um momento de desafios econômicos e incertezas políticas, o governo vê na reforma uma maneira de resgatar a confiança do eleitorado.

Cronograma e negociações no Congresso

A instalação da comissão especial deve marcar o início formal das negociações. O governo retirou a urgência constitucional do projeto para evitar o bloqueio de outras votações e permitir o amadurecimento técnico da proposta.

O objetivo é realizar uma série de audiências públicas com especialistas, sindicatos, representantes do setor produtivo e economistas. A expectativa é que o texto seja votado no segundo semestre de 2025, após aproximadamente dois meses de debates.

A batalha política por justiça fiscal

A reforma do Imposto de Renda recoloca o tema da justiça tributária no centro da política nacional. O Brasil, um dos países que menos tributa renda e mais tributa consumo, figura entre os sistemas mais regressivos do mundo.

A proposta do governo tenta inverter essa lógica, diminuindo a pressão sobre quem ganha menos e distribuindo melhor a carga tributária.

Entretanto, o desafio está nas costuras políticas e nas soluções técnicas que serão necessárias para viabilizar a transição sem impactos recessivos.

A visão do governo sobre a justiça tributária

O governo Lula quer garantir que a reforma do Imposto de Renda seja uma ferramenta de justiça tributária. Isso significa que os mais ricos devem pagar mais impostos, enquanto os mais pobres ficam isentos. Essa mudança visa corrigir desigualdades históricas no sistema tributário brasileiro.

Se aprovada, será a maior reforma do IR desde 1988

Especialistas afirmam que, se aprovada, a proposta será a maior mudança popular no Imposto de Renda desde a redemocratização.

A medida dialoga diretamente com a ideia de “Estado social” defendida por Lula e seus aliados e pode abrir espaço para novas reformas no sistema tributário, como a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas (IGF) e o aperfeiçoamento da tributação ambiental.