O projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000 por mês foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados e agora segue para análise do Senado Federal. A proposta, enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é considerada uma das principais promessas de campanha e deve ser um trunfo político para a tentativa de reeleição em 2026.
IR até R$ 5 mil ficará isento: saiba o que muda após aprovação na Câmara
Câmara aprova isenção do IR até R$ 5 mil; proposta segue ao Senado e pode beneficiar 16 milhões de contribuintes em 2026.
Segundo estimativas apresentadas pelo relator, Arthur Lira (PP-AL), cerca de 16 milhões de contribuintes estarão isentos do IR a partir de 2026, caso a medida seja aprovada em definitivo e sancionada ainda este ano.
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O que muda com o novo projeto do IR?
Faixa de isenção total e parcial
No texto aprovado pela Câmara:
- Isenção total para quem recebe até R$ 5.000 mensais.
- Isenção parcial para quem ganha até R$ 7.350 mensais.
Essa mudança significa que a grande maioria dos assalariados de baixa e média renda ficará fora da obrigação de pagar o Imposto de Renda a partir do próximo exercício fiscal.
Como será a compensação fiscal?
Para compensar a perda de arrecadação, a proposta prevê aumento da tributação para quem ganha acima de R$ 600 mil anuais — aproximadamente R$ 50 mil por mês. Assim, o projeto mantém a ideia de justiça tributária: aliviar os contribuintes de menor renda e cobrar mais dos que estão no topo da pirâmide.
Um ativo eleitoral para Lula
Promessa de campanha em andamento
Durante a campanha de 2022, Lula havia prometido que trabalhadores que recebem até R$ 5 mil não pagariam Imposto de Renda. A aprovação na Câmara representa, portanto, o cumprimento de um compromisso político de alta visibilidade.
Além disso, ao garantir isenção a milhões de contribuintes, o projeto se consolida como um ativo eleitoral de peso para o presidente em sua possível candidatura à reeleição em 2026.
Apoio suprapartidário e discurso de responsabilidade fiscal
O texto teve apoio amplo de partidos da base e da oposição, mostrando forte alinhamento em torno da proposta. Para o governo, o projeto também reforça o discurso de responsabilidade fiscal, já que a compensação via taxação dos mais ricos foi incorporada desde o início.
Expectativa de aprovação no Senado

Apoio antecipado dos senadores
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que percebe um clima favorável entre as lideranças do Senado:
“Eu tenho visto, por parte dos senadores, uma receptividade muito grande a esse projeto.”
O próprio presidente Lula também se mostrou otimista, destacando que a proposta “contará com amplo apoio no Senado”.
Tramitação prevista
Se aprovado no Senado ainda este ano, o projeto pode ser sancionado até dezembro, garantindo validade já para o exercício de 2026.
Projeto concorrente no Senado
Texto de Eduardo Braga e Renan Calheiros
Paralelamente, o Senado vinha discutindo outra proposta de alteração no IR. Na semana passada, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou um projeto do senador Eduardo Braga (MDB-AM), relatado por Renan Calheiros (MDB-AL), que previa:
- Isenção do IR para quem recebe até R$ 4.990,00 mensais;
- Aumento da tributação sobre rendas mais altas.
Por que o projeto da Câmara deve prevalecer?
Apesar de ter avançado primeiro, o projeto do Senado deve perder espaço para o texto encaminhado pelo Executivo. O motivo é principalmente político:
- A proposta do governo tem alinhamento direto com o Ministério da Fazenda, sob comando de Fernando Haddad;
- O texto foi relatado por Arthur Lira, figura central na articulação da Câmara;
- Conta com apoio suprapartidário e maior ancoragem fiscal.
Impacto esperado para contribuintes e economia
Quem se beneficia diretamente?
Segundo cálculos do relator:
- 16 milhões de brasileiros ficarão totalmente isentos do pagamento do IR;
- Outros milhões terão redução significativa no imposto devido, com a ampliação da faixa de isenção parcial.
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Efeitos na renda e no consumo
Com menos impostos retidos, trabalhadores de baixa e média renda terão maior poder de compra. Isso pode estimular:
- Consumo interno, especialmente em setores como alimentação, vestuário e serviços;
- Redução da inadimplência, já que haverá mais recursos disponíveis para pagamento de dívidas;
- Movimentação do varejo, segmento que historicamente se beneficia de alívios fiscais.
Críticas e desafios à proposta
Risco fiscal e arrecadação
Economistas apontam que a medida terá impacto relevante sobre a arrecadação federal. A solução de taxar grandes rendas é vista como um passo na direção certa, mas especialistas lembram que será necessário monitorar a sustentabilidade das contas públicas.
Exclusão de autônomos e informalidade
Outro ponto de debate é a dificuldade de alcance do benefício para trabalhadores informais ou autônomos, que muitas vezes não declaram o IR. Para esses grupos, a medida terá efeito limitado.
Comparação internacional: como o Brasil se posiciona?
Em muitos países da OCDE, a faixa de isenção do imposto de renda é próxima ou superior a US$ 10 mil anuais. Com a mudança, o Brasil se aproxima mais da média internacional, corrigindo parcialmente a defasagem histórica da tabela do IR, que há anos penalizava os assalariados de baixa renda.
Perspectivas para os próximos anos

Nova política tributária em debate
A ampliação da isenção é apenas uma peça no quebra-cabeça maior da reforma tributária. O governo Lula e o Congresso ainda debatem medidas que envolvem:
- Simplificação de tributos sobre consumo;
- Revisão da taxação sobre dividendos;
- Criação de regras mais rígidas para planejamento tributário de grandes empresas.
Eleição de 2026 no horizonte
Do ponto de vista político, a medida tende a ser usada como símbolo de compromisso com o trabalhador. Para Lula, cumprir a promessa da isenção até R$ 5 mil será uma bandeira central em sua tentativa de reeleição.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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