Desde a segunda-feira, 2, milhões de brasileiros começaram a sentir no bolso os efeitos práticos da nova isenção do Imposto de Renda. A regra, aprovada no ano passado e válida desde 1º de janeiro de 2026, já se reflete nos salários pagos em fevereiro, referentes ao trabalho realizado em janeiro.
A mudança representa um dos maiores ajustes recentes na tributação da renda no Brasil e altera diretamente o valor líquido recebido por trabalhadores, servidores públicos e aposentados. Para quem ganha até R$ 5.000 brutos por mês, a alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) foi zerada. Já para rendas um pouco maiores, o benefício existe, mas de forma gradual.
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O que mudou na prática com a nova isenção do IR
A nova legislação do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) trouxe três faixas bem definidas de impacto:
- Até R$ 5.000 mensais: isenção total do IR na fonte
- De R$ 5.000,01 a R$ 7.350: redução progressiva do imposto
- Acima de R$ 7.350: regras antigas mantidas, com alíquotas progressivas que chegam a 27,5%
Isso significa que o desconto que antes aparecia no contracheque simplesmente deixa de existir para quem está na faixa de isenção. Para quem está na faixa intermediária, o valor do imposto diminui, mas não some completamente.
Quem é beneficiado pelas novas regras
A medida vale para diferentes perfis de contribuintes, desde que respeitados os limites de renda mensal bruta:
- Trabalhadores com carteira assinada
- Servidores públicos
- Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social
A nova regra foi aprovada pelo Congresso Nacional em novembro do ano passado, com aval do Senado Federal, e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda no mesmo mês.
Quanto o trabalhador passa a ganhar a mais
O impacto é mais perceptível para quem estava próximo da faixa de isenção anterior. Um exemplo ajuda a entender:
Exemplo prático de salário até R$ 5.000
Antes da mudança, um trabalhador com salário bruto de R$ 4.800 tinha desconto mensal de IR. Com a nova regra, o imposto é zerado, aumentando o salário líquido em dezenas ou até centenas de reais ao longo do ano.
Exemplo de renda entre R$ 5.000 e R$ 7.350
Um trabalhador que recebe R$ 6.000 mensais não fica totalmente isento, mas passa a pagar menos imposto. Quanto mais próximo de R$ 7.350, menor será o benefício, até que ele desapareça completamente ao ultrapassar esse valor.
Salários acima de R$ 7.350 continuam sujeitos à tabela progressiva tradicional, sem qualquer alteração.
Impacto fiscal e alcance da medida
De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a mudança deve beneficiar até 16 milhões de brasileiros. O custo para os cofres públicos, em forma de renúncia fiscal, é estimado em cerca de R$ 25,4 bilhões por ano.
O governo argumenta que a medida aumenta o poder de compra da população, estimula o consumo e ajuda a movimentar a economia, especialmente em um cenário de renda pressionada por inflação e juros elevados nos últimos anos.
Mudança não altera a declaração anual do IR em 2026
Um ponto importante que costuma gerar confusão é a relação entre a isenção na fonte e a declaração anual do Imposto de Renda.
Em 2026, não haverá impacto na declaração anual do IR, entregue entre março e maio. Isso acontece porque a declaração feita neste ano se refere aos rendimentos de 2025, período anterior à vigência da nova lei.
Ou seja, mesmo que o trabalhador já esteja recebendo salário com IR zerado em 2026, isso não altera as regras da declaração entregue neste ano.
O que muda na declaração anual a partir de 2027
A partir de 2027, a nova legislação passa a refletir também na declaração anual do IRPF. As regras previstas são:
- Rendimentos tributáveis de até R$ 60.000 em 2026: isenção total na declaração de 2027
- Rendimentos entre R$ 60.000,01 e R$ 88.200 anuais: redução gradual do imposto
- Acima de R$ 88.200 por ano: tributação normal, sem desconto adicional
Na prática, quem ganhar até R$ 5.000 por mês em 2026 também ficará isento do Imposto de Renda na declaração anual entregue no ano seguinte.
O que o trabalhador deve observar no contracheque
Com a mudança já em vigor, é recomendável que o trabalhador confira atentamente o contracheque a partir dos salários pagos em fevereiro. A linha de desconto do IR deve aparecer zerada ou reduzida, conforme a faixa de renda.
Caso o desconto continue sendo aplicado de forma indevida, o ideal é procurar o setor de recursos humanos da empresa ou o órgão pagador para correção imediata.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
