Nesta terça-feira, 4, o Senado Federal deverá votar o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5.000 mensais.
IR até R$ 5 mil: o que muda na sua declaração se o senado aprovar a nova isenção nesta terça
O Senado deve votar esta terça-feira o projeto de lei que isenta do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil mensais, com impacto fiscal e disputa política.
O texto, relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), será examinado inicialmente pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e, na sequência, levado ao plenário, com expectativa de aprovação em ambas as instâncias no mesmo dia.
Tratada como uma das prioridades políticas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a medida busca cumprir um compromisso de campanha e deve entrar em vigor para a declaração de 2026, caso seja sancionada ainda neste ano.
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O que muda com o projeto de isenção do IR

Faixa de isenção ampliada
Atualmente, a faixa de isenção do IR para pessoa física está em torno de R$ 3.036 por mês, equivalente a dois salários mínimos. O projeto prevê elevar esse limite para R$ 5.000 mensais (R$ 60.000 por ano). Para quem recebe entre R$ 5.000 e R$ 7.350, haverá uma redução gradual no imposto.
Compensações fiscais
Para viabilizar a renúncia tributária, estimada em cerca de R$ 25,8 bilhões por ano, o texto prevê aumento da tributação para altos rendimentos, incluindo criação de imposto mínimo para rendas acima de R$ 600 mil anuais e taxação de lucros e dividendos.
Vigência
A proposta determina que a nova regra entre em vigor a partir da declaração de imposto de renda de 2026, beneficiando diretamente trabalhadores de renda média e baixa.
Tramitação legislativa e disputa entre Senado e Câmara
Autoria e relatórios
O projeto original foi enviado pelo governo federal como PL 1087/2025, que prevê isenção do IR até R$ 5.000 por mês. No Senado, Renan Calheiros apresentou um substitutivo com as mesmas diretrizes, mantendo o espírito da proposta e reforçando o caráter redistributivo da medida.
Comissão de Assuntos Econômicos
Em setembro, a CAE aprovou o substitutivo que isenta rendimentos até R$ 5.000 e cria faixas reduzidas até R$ 7.350. O relatório deve agora ser confirmado no plenário antes de seguir para a Câmara dos Deputados, onde também há movimentações para acelerar a votação.
Câmara dos Deputados
Na Câmara, líderes partidários pressionam por uma tramitação rápida, já que o tema tem alto apelo eleitoral. Contudo, a Casa ainda discute ajustes técnicos relacionados às compensações fiscais e à previsão orçamentária para 2026.
Impactos e consequências esperadas
Para os contribuintes
Para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000, a isenção significa não pagar mais imposto sobre a renda do trabalho. Isso representa um alívio direto no orçamento familiar, aumentando o poder de compra e ajudando a movimentar o comércio e os serviços.
Um trabalhador que ganha R$ 4.800 mensais, por exemplo, deixaria de pagar cerca de R$ 4.000 em imposto ao ano, valor que pode ser revertido em consumo ou investimentos domésticos.
Para Estados e Municípios
Embora o Imposto de Renda seja tributo federal, os governos estaduais e municipais podem sentir reflexos indiretos. A ampliação da renda disponível tende a aumentar o consumo, gerando impacto positivo na arrecadação de impostos como ICMS e ISS.
Para o Orçamento da União
O governo estima uma renúncia fiscal de R$ 25 a R$ 30 bilhões por ano, mas pretende compensar o impacto com novas receitas vindas da taxação de rendas mais altas, ajuste de deduções e redução de benefícios fiscais a grandes empresas.
Para o cenário econômico
A ampliação da faixa de isenção é vista como uma medida que estimula o consumo interno, reduz desigualdades e reforça a justiça tributária. Ao mesmo tempo, pode gerar pressões fiscais que exigirão responsabilidade e equilíbrio nas contas públicas.
Principais pontos de controvérsia

Custo fiscal e metas de equilíbrio
Economistas alertam que a medida pode pressionar o resultado primário da União se as compensações previstas não forem implementadas com rigor. O governo promete manter o arcabouço fiscal intacto e ampliar a arrecadação de tributos sobre capital para equilibrar a conta.
Justiça tributária
Defensores da proposta afirmam que ela corrige distorções históricas, já que milhões de trabalhadores de baixa renda vinham sendo tributados mesmo com ganhos próximos ao mínimo. Já os críticos afirmam que a taxação sobre lucros e dividendos pode afastar investimentos privados.
Disputa política
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A votação do projeto ocorre em meio a uma disputa de protagonismo entre Senado e Câmara. Renan Calheiros defende a aprovação imediata, enquanto setores da Câmara pedem mais tempo para discutir os impactos fiscais.
Como acompanhar e o que fazer como contribuinte
Como monitorar o andamento
- Acompanhar a agenda do Senado e da Câmara para atualizações sobre a votação.
- Consultar o portal do Congresso Nacional, que exibe o status legislativo do PL 1087/2025.
- Ficar atento às publicações oficiais no Diário do Senado Federal, que informam eventuais alterações no texto.
O que fazer agora
- Avaliar se a renda familiar se enquadra na nova faixa de isenção.
- Manter em dia o cadastro junto à Receita Federal.
- Planejar a declaração de IR de 2026, considerando que a medida só valerá para rendimentos do próximo ano.
Cronologia resumida da proposta
| Data | Evento |
|---|---|
| Março de 2025 | Governo envia o PL 1087/2025 ao Congresso, ampliando a faixa de isenção para R$ 5.000. |
| Abril de 2025 | Ministério da Fazenda apresenta estudo de impacto e proposta de compensações fiscais. |
| Setembro de 2025 | Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprova relatório favorável de Renan Calheiros. |
| 4 de novembro de 2025 | Votação prevista no plenário do Senado, com expectativa de aprovação no mesmo dia. |
| 2026 | Entrada em vigor da nova tabela de isenção, válida para a declaração de 2027. |
O que dizem os especialistas
Analistas de mercado destacam que a ampliação da faixa de isenção é socialmente positiva, mas exigirá gestão responsável da arrecadação. O aumento da tributação sobre altas rendas é visto como essencial para garantir a neutralidade fiscal.
Para economistas, o Brasil precisa avançar na progressividade tributária, e o aumento da isenção é apenas o primeiro passo rumo a um sistema mais equilibrado. Há consenso de que a medida beneficia diretamente mais de 13 milhões de brasileiros, principalmente assalariados e microempreendedores individuais.
Expectativa de sanção presidencial

O governo Lula pretende sancionar a nova lei ainda em 2025, de modo que ela entre em vigor já em 2026. O Planalto considera a medida simbólica e estratégica, especialmente por ocorrer em ano que antecede as eleições municipais e reforça o discurso de justiça social e redução da carga sobre o trabalhador.
Considerações finais
A votação do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 é um divisor de águas na política econômica e social do Brasil. A medida atende a uma promessa de campanha do presidente Lula e busca corrigir desigualdades históricas na cobrança de impostos sobre o trabalho.
Por outro lado, o desafio está em equilibrar responsabilidade fiscal e justiça social, garantindo que a nova regra não comprometa as metas orçamentárias e mantenha o país no caminho da estabilidade econômica.
A expectativa é que, caso o texto seja aprovado e sancionado sem alterações significativas, a nova faixa de isenção beneficie milhões de brasileiros já em 2026, marcando um novo capítulo na reforma tributária voltada à renda e à inclusão social.
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