A isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês — uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — tem amplo apoio da população brasileira. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (8), 79% aprovam a medida, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora aguarda votação no Senado.
Brasileiros aprovam nova isenção do Imposto de Renda; saiba mais
Isenção de IR até R$ 5 mil é aprovada por 79% dos brasileiros e aumenta apoio a Lula entre os mais ricos; texto aguarda votação no Senado.
A proposta representa um marco na política fiscal do governo federal e tem impacto direto na classe média e nos trabalhadores assalariados, ao mesmo tempo em que propõe a compensação por meio da tributação dos mais ricos. A pesquisa mostra que o tema se tornou amplamente conhecido: 67% da população já ouviu falar sobre a iniciativa — um aumento de 11 pontos em relação a junho.
Leia mais:
Imposto de Renda: regras de isenção em ganhos de capital na venda de imóveis

O que muda com a isenção do IR até R$ 5 mil?
Atual faixa de isenção
Até então, a faixa de isenção do IR está em R$ 2.112 mensais, com um desconto simplificado que na prática alcança R$ 2.640, valor equivalente ao salário mínimo vigente.
Nova proposta
Com a nova regra aprovada na Câmara:
- Trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil ficarão isentos do Imposto de Renda.
- A proposta inclui compensações fiscais, com aumento na tributação de grandes patrimônios, fundos exclusivos e offshores.
- A isenção é válida para rendimentos de pessoas físicas, e o governo estima um impacto de até R$ 20 bilhões anuais na arrecadação, que será compensado com novas fontes.
Popularidade da medida cresce entre os brasileiros
A aprovação da isenção subiu quatro pontos em relação à pesquisa anterior da Quaest, de julho, chegando a 79% de apoio popular.
Reconhecimento do projeto
- 67% dos entrevistados afirmaram conhecer a proposta.
- Em junho, o número era de 56%, evidenciando uma maior penetração do debate público sobre o tema.
- A medida tende a consolidar-se como uma das principais bandeiras eleitorais de Lula para 2026, sendo constantemente destacada por membros do governo e aliados no Congresso.
Otimismo com a própria vida e com a economia
Melhora esperada na vida pessoal
Quando questionados sobre o impacto da isenção do IR até R$ 5 mil em suas próprias vidas:
- 41% acreditam que haverá uma “melhora importante”, ante 33% em março.
- Outros 49% esperam apenas uma “melhora pequena”.
- Apenas 9% não veem impacto direto.
Apoio à taxação dos mais ricos
A compensação da perda de arrecadação por meio da tributação de grandes fortunas também é bem recebida:
- 64% são favoráveis a aumentar impostos sobre os mais ricos.
- Apenas 29% se dizem contra.
- A diferença entre os dois grupos cresceu: eram 26 pontos de diferença em julho e agora são 35.
Repercussão entre as faixas de renda: apoio dos mais ricos sobe
Mudança no perfil de aprovação ao governo
Um dos dados mais reveladores da pesquisa Genial/Quaest é o aumento de aprovação entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos. Nessa faixa:
- A aprovação ao governo Lula subiu sete pontos, passando a 45%.
- A desaprovação ainda é maior, com 52%, mas a diferença caiu significativamente.
- Nas faixas de renda baixa e média, os percentuais de aprovação permaneceram estáveis.
Este movimento sinaliza que a medida está conseguindo atrair um público mais amplo, inclusive entre eleitores que historicamente mostravam resistência ao PT e à agenda redistributiva do governo Lula.
Aprovação geral ao governo Lula: empate técnico

A nova rodada da pesquisa também revelou que a aprovação geral ao governo Lula chegou a 48%, contra 49% de desaprovação, configurando um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Evolução desde julho
- Em julho, a diferença negativa era de 10 pontos (aprovação de 44% contra 54% de desaprovação).
- Desde então, houve uma recuperação gradual, impulsionada por medidas econômicas e sociais, como a própria isenção do IR.
Percepção sobre a economia: otimismo crescente
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Apesar da inflação ainda alta e de desafios fiscais, os brasileiros demonstram otimismo moderado com a economia:
- 43% acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses (três pontos a mais que em setembro).
- 35% acham que vai piorar (dois pontos a menos que na pesquisa anterior).
- A percepção de que a economia piorou nos últimos 12 meses caiu de 48% para 42%.
- Já os que acreditam que a situação permaneceu igual subiram de 29% para 35%.
A parcela que acredita que a economia melhorou nos últimos 12 meses se manteve estável em 21%, número ainda baixo, mas suficiente para sustentar uma narrativa positiva na base governista.
Contexto político e eleitoral: Lula mira 2026
A medida de isenção do IR é vista por analistas como estratégica para consolidar a base eleitoral de Lula rumo às eleições de 2026.
Promessa de campanha
O aumento da faixa de isenção para até R$ 5 mil foi uma das principais promessas do então candidato Lula em 2022. Agora, com a votação no Senado prevista para as próximas semanas, o governo se prepara para capitalizar politicamente o avanço da proposta.
Impacto no cenário eleitoral
- A medida tem potencial de atrair o eleitorado da classe média urbana, essencial para a vitória em grandes centros como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.
- A ampla aceitação da proposta, tanto entre eleitores de baixa quanto de alta renda, reduz o espaço da oposição, que historicamente utiliza o tema “carga tributária” como arma retórica contra governos de esquerda.
Trâmite no Senado: expectativa de aprovação rápida

Com a votação na Câmara já concluída, o texto aguarda apreciação pelo Senado Federal. A expectativa dentro do Palácio do Planalto é de que não haja grandes resistências, uma vez que a proposta é popular e tem apoio de setores empresariais e sindicais.
Possíveis alterações
Embora o texto principal deva ser mantido, senadores aliados do governo já indicaram a possibilidade de incluir regras complementares para garantir equilíbrio fiscal e segurança jurídica na aplicação das compensações.
Se aprovada sem alterações, a proposta vai diretamente à sanção presidencial.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
