Seu Crédito Digital
O Seu Crédito Digital é um portal de conteúdo em finanças, com atualizações sobre crédito, cartões de crédito, bancos e fintechs.

Isenção de Imposto de Renda e Previdência para idosos acima de 75 anos é aprovada

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que poderá aliviar o bolso de milhares de brasileiros com mais de 75 anos. A proposta prevê isenção total do Imposto de Renda (IR) para esse público, até o limite do teto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), atualmente fixado em R$ 8.157,41 para 2025. Além disso, idosos que ainda trabalham com carteira assinada também ficariam isentos da contribuição previdenciária.

A medida segue agora para análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Caso seja aprovada nessas etapas, o projeto poderá ser votado diretamente no Senado.

Leia mais:

Idosos possuem direito a isenção no Imposto de Renda?

Idosos brasileiros têm direito a ajuda financeira por lei que poucos conhecem
Imagem: Canva

Entenda o que muda com a proposta

O projeto de lei em questão é o PL 5965/2023, de autoria da deputada Renata Abreu (Pode-SP), e foi aprovado com modificações apresentadas pelo relator, o deputado Rubens Otoni (PT-GO). A essência do projeto foi mantida: promover justiça tributária e aliviar a carga fiscal de idosos em idade mais avançada, especialmente em um cenário de crescente envelhecimento populacional e aumento de gastos com saúde e cuidados pessoais.

O que prevê o texto aprovado?

  • Isenção de IR para pessoas com mais de 75 anos, até o valor de R$ 8.157,41 (equivalente ao teto do INSS em 2025);
  • Isenção da contribuição previdenciária para aposentados ou pensionistas com mais de 75 anos que ainda estejam empregados formalmente;
  • As isenções se aplicam à Lei 7.713/1988 (Imposto de Renda) e à Lei Orgânica da Seguridade Social (previdência).

Justificativa: custos com o envelhecimento

A autora da proposta, deputada Renata Abreu, defende que o envelhecimento da população traz desafios financeiros que não são devidamente considerados pela legislação atual. “O envelhecimento traz consigo a evolução dos gastos necessários à manutenção do padrão de vida, geralmente com a redução da capacidade da pessoa em gerar renda”, argumenta.

Entre os custos que mais pressionam os idosos, destacam-se:

  • Medicamentos de uso contínuo
  • Planos de saúde e internações hospitalares
  • Serviços de cuidadores
  • Alimentação especializada
  • Transporte e acessibilidade

A proposta busca justamente compensar essas despesas, promovendo alívio tributário em uma fase da vida em que a renda costuma ser mais restrita.

Como funciona a tributação atual para idosos?

Atualmente, contribuintes com 65 anos ou mais já têm direito a uma faixa de isenção adicional no Imposto de Renda, limitada a R$ 1.903,98 mensais sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma. Acima desse valor, as alíquotas progressivas do IR são aplicadas normalmente, podendo chegar a 27,5%.

O que o novo projeto propõe é uma isenção ainda maior e exclusiva para pessoas com mais de 75 anos, ampliando significativamente o teto de isenção.

Exemplo prático com a nova regra:

  • Um aposentado de 76 anos com renda mensal de R$ 7.500 atualmente paga IR sobre cerca de R$ 5.600 (acima da faixa isenta atual);
  • Com a nova regra, ele ficaria completamente isento, já que sua renda está abaixo do teto de R$ 8.157,41.

E para os idosos que continuam trabalhando?

Imposto de Renda IR
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Um dos destaques do texto é a isenção da contribuição previdenciária para idosos que ainda exercem atividade remunerada formal, ou seja, com carteira assinada.

Hoje, como funciona:

  • Mesmo aposentados que voltam a trabalhar continuam contribuindo com 7,5% a 14% do salário para o INSS;
  • Eles não têm direito a nenhum benefício previdenciário adicional por isso;
  • O argumento da proposta é que esses idosos já contribuíram por toda a vida e não se beneficiam diretamente dessa nova contribuição.

O que mudaria:

  • Idosos com mais de 75 anos e empregados formalmente deixariam de contribuir com parte do salário para o INSS, o que, na prática, aumenta o valor líquido recebido no mês.

Impacto fiscal e social da proposta

Embora a medida possa gerar renúncia fiscal, especialistas avaliam que o impacto seria limitado, já que a maioria da população idosa com mais de 75 anos vive com rendas abaixo do teto do INSS.

Possíveis efeitos positivos:

  • Maior poder de compra para os idosos
  • Redução da pobreza entre a população idosa
  • Estímulo à formalização do trabalho para idosos que ainda estão ativos
  • Diminuição da judicialização por isenção de IR em casos de moléstia grave

Quais os próximos passos do projeto?

O PL 5965/2023 segue tramitando em caráter conclusivo. Isso significa que, caso seja aprovado pelas comissões seguintes (Finanças e Tributação e CCJ), pode seguir direto ao Senado, sem necessidade de votação em plenário na Câmara, salvo se houver recurso.

Etapas restantes:

  1. Análise pela Comissão de Finanças e Tributação
    • Avaliação do impacto orçamentário e compatibilidade com a LDO
  2. Análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
    • Verificação da legalidade, constitucionalidade e técnica legislativa
  3. Votação no Senado Federal
  4. Sanção presidencial

Panorama do envelhecimento no Brasil

A proposta ganha relevância em um cenário de aceleração do envelhecimento populacional no Brasil. Segundo dados do IBGE:

  • Em 2023, o Brasil contava com mais de 7,4 milhões de pessoas com 75 anos ou mais
  • A expectativa é que, até 2050, esse número ultrapasse 18 milhões
  • A proporção de idosos acima de 75 anos pode mais que dobrar nas próximas três décadas

Isso reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à renda, saúde, moradia e mobilidade dessa população.

Como a proposta se diferencia de outras isenções já existentes?

Imposto de Renda
Imagem: Freepik e Canva

Além da faixa de isenção para maiores de 65 anos, já mencionada, existem outras regras que preveem isenção de IR para aposentados com doenças graves — como câncer, AIDS, cardiopatias, entre outras.

O diferencial do PL 5965/23:

  • Universalidade: vale para todos os idosos acima de 75 anos, independentemente de doença ou condição médica;
  • Automatismo: não exige perícia ou comprovação adicional;
  • Ampla abrangência: beneficia tanto aposentados quanto trabalhadores formais da mesma faixa etária.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital