Uma pesquisa divulgada pelo Itaú BBA com gestores de investimentos em ações brasileiras revelou que, embora o cenário econômico atual ainda seja desafiador, investidores estrangeiros estão ligeiramente mais otimistas do que os gestores locais sobre as ações brasileiras. O estudo, divulgado na quarta-feira (12), apontou uma perspectiva positiva em relação aos fluxos de investimentos no Brasil, com destaque para o setor de serviços públicos e uma visão mais pessimista sobre os setores de consumo, varejo e educação.
Itaú BBA revela as 10 ações que dominam a preferência dos gestores de investimentos
Pesquisa do Itaú BBA revela que estrangeiros são mais otimistas que os locais sobre as ações brasileiras. Veja as perspectivas para os setores!
Este levantamento destaca que, em um cenário de taxa de juros elevada e com a política fiscal brasileira em foco, as expectativas para o mercado de ações continuam a ser moldadas por fatores internos e externos, como tarifas comerciais e o risco comercial dos EUA. Neste artigo, vamos analisar as principais conclusões do estudo do Itaú BBA, os setores que estão atraindo mais investimentos e o que pode esperar o mercado de ações brasileiro nos próximos meses.
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Perspectivas dos investidores: estrangeiros mais otimistas que os locais
O estudo realizado pelo Itaú BBA com gestores de investimentos em ações brasileiras revelou uma diferença de percepção entre investidores estrangeiros e locais. Os dados indicam que 74% dos investidores estrangeiros esperam uma entrada de capital no Brasil nos próximos meses, enquanto o percentual entre investidores locais é ligeiramente inferior.
Expectativa de fluxos positivos
De acordo com o levantamento, os fluxos de capital estrangeiro continuam a ser um fator crucial para o desempenho das ações brasileiras. O estudo apontou que 38% dos gestores entrevistados afirmaram que podem aumentar a exposição às ações brasileiras, o que reforça a expectativa de que o mercado de ações do país continuará atraindo investidores internacionais. Isso é especialmente relevante em um momento de taxas de juros elevadas e incertezas econômicas globais, já que a atração de capital externo pode ser um fator importante para a manutenção da liquidez e do crescimento no mercado de ações.
Política fiscal e juros elevados continuam no foco
O estudo também destacou que a perspectiva fiscal continua sendo o principal fator para as expectativas sobre o mercado de ações brasileiro. Com a taxa de juros ainda em patamares elevados, os investidores estão atentos à política fiscal do governo, que tem impacto direto sobre o crescimento econômico, a inflação e, consequentemente, os retornos das ações. A pesquisa ainda ressaltou que as tarifas comerciais e os riscos comerciais dos EUA ganharam relevância entre os gestores, especialmente no que diz respeito ao impacto nas economias emergentes e nos mercados globais de commodities.
Setores mais atraentes para os investidores
A pesquisa também apontou os setores prioritários para os gestores que participaram do estudo. Os serviços públicos destacaram-se como o setor mais atraente, com os investidores demonstrando uma preferência crescente por empresas de energia, água e saneamento. Em contraste, os setores de consumo, varejo e educação receberam avaliações mais pessimistas, refletindo as dificuldades enfrentadas por essas áreas em meio ao cenário econômico atual.
Setor de serviços públicos em alta

Os gestores de investimentos destacaram empresas como Sabesp (BVMF:SBSP3), Equatorial (BVMF:EQTL3) e Eletrobras (BVMF:ELET3) como algumas das principais escolhas no setor de serviços públicos. O desempenho dessas empresas é considerado mais estável e com potencial de crescimento, especialmente devido à alta demanda por serviços essenciais e à segurança regulatória, o que atrai investidores em busca de rentabilidade de longo prazo.
Além disso, o estudo identificou que, entre as empresas com maior perspectiva de retorno no setor, Eletrobras lidera as expectativas, seguida por Sabesp e Localiza (BVMF:RENT3). O foco nesses setores pode ser atribuído à regulação favorável e à tendência de demanda crescente por serviços de infraestrutura no Brasil, que são vistas como mais resilientes às flutuações econômicas.
Bancos de grande porte perdem momentum
Por outro lado, os bancos de grande porte enfrentam um cenário mais desafiador. Embora o setor bancário continue sendo uma das áreas mais relevantes para a economia brasileira, com grandes players como Itaú (BVMF:ITUB4) e Banco do Brasil (BVMF:BBAS3), a pesquisa apontou que esses bancos perderam momentum entre os investidores. O aumento da taxa de juros e a desaceleração econômica impactaram diretamente os lucros desses bancos, gerando uma visão mais cautelosa por parte dos gestores.
Apesar disso, os bancos ainda ocupam posição de destaque nas escolhas dos investidores, com Itaú sendo uma das principais escolhas, especialmente entre investidores de longo prazo e aqueles com foco em ações de large cap.
Perfil dos investidores: longo prazo vs. hedge funds
A pesquisa também dividiu as escolhas de investimentos entre investidores de longo prazo e gestores de hedge funds, revelando algumas diferenças nas preferências de ações brasileiras.
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Investidores de longo prazo
Os investidores de longo prazo se mostraram mais inclinados a escolher empresas com modelo de negócios mais estável, como Suzano (BVMF:SUZB3), Equatorial e Eletrobras. Essas empresas são vistas como opções mais seguras, com menor volatilidade e maior potencial de crescimento sustentado. O setor de energia e saneamento continua sendo um foco importante para esses investidores, que buscam rentabilidade constante ao longo do tempo.
Gestores de hedge funds
Já os gestores de hedge funds, que tendem a adotar uma abordagem mais dinâmica e tática, favoreceram empresas como Sabesp, Equatorial, Itaú, Suzano e Eletrobras. O movimento em direção a essas empresas é um reflexo da busca por ações com potencial de valorização no curto e médio prazo, além da segurança oferecida pelo setor de energia e infraestrutura.
Expectativas para o futuro das ações brasileiras

A pesquisa do Itaú BBA revelou uma perspectiva positiva para as ações brasileiras em 2025, com uma ênfase crescente em setores essenciais e infrastruturais, como energia, água, saneamento e telecomunicações. Embora o cenário fiscal e a taxa de juros ainda sejam questões de atenção, o fluxo de investimentos estrangeiros e a demanda por ações de empresas grandes e bem estabelecidas continuam a gerar otimismo no mercado.
A diversificação do portfólio
A escolha por empresas de grande porte e setores essenciais reflete uma tendência dos investidores em buscar diversificação e resiliência em seus portfólios, com foco em empresas que possam oferecer rentabilidade estável mesmo diante de desafios econômicos. A pesquisa também indicou que os investidores estão mais atentos às perspectivas de crescimento em setores como infraestrutura, energia renovável e tecnologia, o que pode gerar oportunidades de valorização para empresas com foco nesses segmentos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
