As ações da Nu Holdings (ROXO34), controladora do Nubank, ganharam um novo impulso após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025. Pela primeira vez desde o IPO da fintech na Bolsa de Nova York, duas das maiores instituições financeiras do país — Itaú BBA e BTG Pactual — elevaram suas recomendações para os papéis, passando de “neutra” para “outperform”, equivalente a recomendação de compra.
Nubank: analistas dão upgrade duplo após resultados do 2º trimestre
Itaú BBA e BTG recomendam compra de ações do Nubank, com projeção de valorização de até 32% em 2025.
O movimento, considerado simbólico, marca uma mudança significativa de percepção em relação à capacidade da empresa de manter seu crescimento em ritmo sustentável, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador no Brasil e América Latina.
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O que motivou a mudança de recomendação?
Melhora na rentabilidade e resultados acima do esperado
Tanto o BTG Pactual quanto o Itaú BBA destacaram a melhora expressiva nas métricas de rentabilidade da Nu Holdings como um dos fatores determinantes para a reavaliação da empresa.
Os resultados do segundo trimestre de 2025 apontaram para:
- Aumento da margem financeira;
- Crescimento consistente na receita com serviços;
- Estabilidade na qualidade do crédito;
- Ganhos de eficiência e escalabilidade do negócio.
Essa performance levou os analistas a projetarem um crescimento de 32% no lucro da companhia para 2025, consolidando a visão de que o banco digital entrou em uma nova fase de maturidade operacional e financeira.
Diversificação de receitas e novos produtos
A capacidade do Nubank de diversificar suas fontes de receita, ampliando a oferta de produtos e serviços — como seguros, investimentos, empréstimos e cashback —, também foi um dos pontos elogiados nos relatórios.
A monetização da base de clientes, que já ultrapassa 100 milhões de contas ativas, tem sido feita de forma gradual, com baixa fricção e alta adesão, segundo os analistas.
Expansão internacional reforça estratégia de longo prazo
O papel do México no crescimento
A operação mexicana foi mencionada com destaque nas análises de ambas as casas. Desde 2024, o Nubank tem direcionado esforços para escalar sua presença no México, onde encontrou uma população desbancarizada semelhante à realidade do Brasil em 2014.
Segundo o BTG:
“O banco está ganhando tração no México, especialmente no público de alta renda, e isso ajuda a compensar a desaceleração de alguns produtos no Brasil, como o crédito via Pix e o cartão de crédito rotativo.”
A expectativa é que o México se torne, nos próximos anos, um dos principais motores de receita da Nu Holdings, superando inclusive mercados consolidados na América do Sul.
Do ceticismo ao otimismo: a virada do BTG Pactual

O BTG, que havia sido um dos analistas mais cautelosos em relação à performance do Nubank nos primeiros anos pós-IPO, passou a adotar uma visão mais otimista desde o início de 2025. Com os números do segundo trimestre confirmando os avanços esperados, o banco decidiu atualizar sua recomendação.
A nova visão de mercado destaca:
- Aumento na emissão de empréstimos pessoais, com controle da inadimplência;
- Expansão do TPV (Total de Pagamentos com Cartão), o que indica maior engajamento dos clientes;
- Fortalecimento do portfólio de produtos para segmentos de média e alta renda.
Preço-alvo atualizado
O BTG também elevou o preço-alvo da ação de US$ 14 para US$ 18, com base nas novas projeções de lucro e expansão internacional. Esse valor representa uma potencial valorização de cerca de 35% frente ao preço atual dos papéis.
A nova leitura do Itaú BBA: contexto macro e estabilidade de crédito
O Itaú BBA, por sua vez, revisou sua avaliação anterior, que havia sido mais conservadora por conta da incerteza macroeconômica no Brasil e dos riscos de inadimplência.
Agora, o banco destaca:
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- Estabilidade na carteira de crédito;
- Controle das provisões para perdas;
- Crescimento do volume de transações;
- Aumento da receita por cliente ativo.
Essa leitura reforça que o Nubank conseguiu melhorar seu desempenho mesmo com juros ainda elevados e inflação que pressiona o consumo.
Crescimento sustentável e estratégia bem executada
Eficiência e escalabilidade
Outro ponto relevante mencionado pelos analistas é a capacidade de escalar o negócio com baixa estrutura de custos, o que permite ao Nubank entregar margens mais saudáveis mesmo com tíquete médio menor do que bancos tradicionais.
A tecnologia, aliada a um modelo operacional enxuto, permite à fintech:
- Ampliar rapidamente sua base de clientes;
- Reduzir custo por transação;
- Personalizar ofertas com base em dados.
Foco em clientes de baixa e média renda
A atuação concentrada em segmentos menos atendidos pelo sistema bancário tradicional também é vista como uma vantagem competitiva. Em um momento de desaceleração econômica, esse público ainda demanda crédito, especialmente com condições mais acessíveis — como os empréstimos via aplicativo com simulações simples.
Impacto no mercado e reação das ações
A revisão das recomendações por duas das maiores casas de análise do país deve provocar uma movimentação relevante entre os investidores institucionais e gestores de fundos.
Com a projeção de lucros crescentes até 2027 e a redução da volatilidade dos resultados, o Nubank pode começar a ser visto como uma aposta sólida de longo prazo, especialmente entre aqueles que buscam exposição ao setor financeiro digital da América Latina.
Comparativo: Nubank vs Bancos tradicionais

| Indicador (2025) | Nubank (ROXO34) | Bancos Tradicionais (média) |
|---|---|---|
| Lucro projetado | R$ 2,6 bilhões | R$ 10-20 bilhões |
| Base de clientes | +100 milhões | 50-80 milhões |
| Custo operacional por cliente | Muito baixo | Elevado |
| Receita por cliente | Crescendo gradualmente | Estável ou em queda |
| Inadimplência controlada | Sim | Sim |
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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