Desde o mês passado, o governo Lula (PT) vem pressionando Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, para reduzir a taxa de juros. No entanto, para o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, caso essa redução aconteça de forma antecipada, “há grandes chances” de “dar errado”.
Embora acredite que o Federal Reserve (Fed) – “Banco Central” dos Estados Unidos – vá diminuir os juros de 0,50% para 0,25% na semana que vem, devido à quebra recente de dois bancos, para o economista não há mudança nas projeções de juros no Brasil. Dessa forma, Mesquita e sua equipe acreditam que a queda da Selic deve acontecer somente a partir de novembro.
Previsão para o PIB
Ademais, o Itaú manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano em 1,3%. Além disso, para 2024, a estimativa de alta não teve alteração, continuou em 1%, pois, ainda que o Fed tenha anunciado boas medidas para a economia, os preços das ações ainda continuam bastante instáveis.
O economista também alertou ser arriscado fazer qualquer mudança brusca na política monetária, como parte do atual governo quer. Isto aconteceu em 2011, quando os juros reduziram antes do tempo pelo Banco Central, alegando que estava se antecipando à crise na Europa. Assim, o resultado foi aumento da inflação.
Previsões do Itaú
Portanto, de acordo com as projeções do Itaú, a Selic deve fechar 2023 em 12,50%, além de encerrar 2024 em 10%. Para além disso, Mesquita fez duras críticas a quem prega que se deve ignorar a preocupação com a dívida pública e emitir mais moeda para assegurar o crescimento econômico.
Dessa forma, o economista usou como exemplo a Argentina, que está com uma inflação anual de cerca de 100% e, neste ano, deve registrar queda de 3% no PIB.
Diante disso, Mesquita afirma que a crise bancária deve estar no radar da economia brasileira, que deve monitorar os riscos de um colapso de crédito devido à escassez de financiamento a empresas a longo prazo.
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