O anúncio da descontinuação do Emps+, segmento voltado ao atendimento de pequenas empresas dentro do Itaú, provocou uma onda de insegurança entre trabalhadores do banco. Segundo relatos de funcionários e informações acompanhadas pelo Sindicato dos Bancários, apenas 50 dos cerca de 400 profissionais ligados ao segmento permanecerão em novos projetos internos. Os demais precisarão buscar recolocação por conta própria dentro da instituição.
Itaú encerra Emps+ e reestrutura atendimento a clientes PJ
Fim do Emps+ no Itaú gera pressão por realocação, denúncias sobre metas e insegurança entre bancários em meio à reestruturação.
A decisão faz parte de uma nova rodada de reestruturação no banco, que já vinha promovendo mudanças no atendimento de clientes PJ e ampliando modelos digitais e automatizados. O problema, segundo os trabalhadores, é que o processo ocorre sem um plano transparente de transição, sem suporte efetivo do RH e em meio a cobranças por desempenho consideradas excessivas.
O cenário no Itaú Unibanco expõe uma combinação de pressão interna, metas agressivas, insegurança sobre avaliações e medo de demissões, aumentando o desgaste emocional nas agências e áreas comerciais do banco.
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Falta de transparência aumenta tensão entre funcionários
Um dos pontos mais criticados pelos trabalhadores do Itaú Unibanco é a ausência de critérios claros para definir quem será mantido nos novos projetos e quem precisará buscar uma nova vaga internamente.
De acordo com relatos internos, o termo “High Performance” passou a circular como referência para seleção de profissionais. No entanto, funcionários afirmam que o banco não apresentou parâmetros objetivos sobre o que caracteriza alta performance ou quais indicadores serão utilizados no processo.
Na prática, os trabalhadores relatam que vivem um cenário de incerteza permanente.
Sem um comunicado formal detalhando etapas, prazos ou garantias, muitos funcionários afirmam estar disputando vagas internas sem qualquer direcionamento estruturado.
Além disso, lideranças locais também estariam pressionadas pela necessidade de se realocar, dificultando o suporte às equipes.
Pressão por metas e medo de demissões no segmento Pro
Parte dos bancários afetados vem sendo direcionada ao segmento Pro, área que atende empresas com perfil específico dentro da carteira PJ do Itaú.
Segundo relatos obtidos pelo Sindicato, trabalhadores afirmam que o ambiente do segmento já opera sob forte pressão por resultados.
Entre as principais reclamações estão:
Metas consideradas excessivas
Funcionários relatam cobrança de metas que podem chegar a até 200% do ICM contratado para o segmento.
O ICM, Índice de Cumprimento de Metas, é um dos principais indicadores utilizados para medir performance comercial dentro do banco.
Mesmo profissionais que atingem metas afirmam enfrentar avaliações subjetivas.
Avaliações sem critérios claros
Outra crítica recorrente envolve o sistema Evolui, plataforma interna utilizada para avaliar desempenho.
Segundo trabalhadores, o sistema permite interpretações subjetivas por parte da gestão, o que pode impactar promoções, realocações e até desligamentos.
O Sindicato já vinha questionando o modelo anteriormente, alegando falta de transparência e dificuldade de contestação das avaliações.
Custos operacionais recaem sobre o trabalhador
Há ainda reclamações envolvendo a necessidade de utilização de veículo próprio para atuação no segmento Pro.
Segundo relatos, o reembolso oferecido pelo banco estaria abaixo dos custos reais de combustível praticados atualmente.
Além disso, trabalhadores afirmam que o uso de aplicativos de transporte não é permitido em determinadas situações, obrigando o funcionário a absorver despesas adicionais.
Caso de avaliação interna aumenta preocupação
Um dos episódios que mais repercutiram entre os trabalhadores do Itaú Unibanco envolve um funcionário que teria sido prejudicado por falhas no sistema de avaliação do Itaú Unibanco.
Segundo o relato apresentado ao Sindicato, o bancário comprovou, por meio de registros internos, que havia atingido o ICM necessário durante o ano. No entanto, parte da pontuação desapareceu do sistema em um dos trimestres, fazendo com que ele fosse classificado como “abaixo do esperado”.
O trabalhador afirma que a inconsistência pode afetar diretamente sua permanência no banco e dificultar processos de realocação interna.
O episódio ampliou o temor entre funcionários sobre possíveis erros sistêmicos e falta de acesso transparente aos próprios dados de desempenho.
Sobrecarga nas agências preocupa trabalhadores
A reestruturação do Emps+ ocorre em um momento em que funcionários também denunciam aumento da sobrecarga operacional nas agências.
Há relatos de unidades funcionando com equipes reduzidas devido a férias, afastamentos médicos e cortes internos.
Em alguns casos, cinco gerentes estariam atendendo carteiras superiores a 15 mil clientes.
Segundo trabalhadores, o clima nas unidades é marcado por:
- Exaustão emocional
- Pressão constante por resultados
- Insegurança sobre permanência no cargo
- Falta de comunicação clara
- Aumento das cobranças internas
Funcionários descrevem um ambiente considerado “opressor” e afirmam que novas mudanças organizacionais são comunicadas continuamente sem tempo adequado de adaptação.
Inteligência artificial avança no atendimento bancário
A mudança no Emps+ também revela um movimento mais amplo do setor bancário: a ampliação do uso de inteligência artificial no relacionamento com clientes.
Um dos projetos anunciados pelo Itaú envolve justamente o atendimento de “transbordo” da IA. Nesse modelo, bancários humanos assumem apenas casos que não conseguem ser resolvidos pelo gerente virtual.
A iniciativa deve começar com uma equipe reduzida.
Outro projeto em estudo prevê uma possível versão digital do segmento Pro, ampliando ainda mais o modelo remoto e automatizado.
Nos últimos anos, grandes bancos brasileiros aceleraram investimentos em digitalização para reduzir custos operacionais e aumentar eficiência.
Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos, os canais digitais já concentram a maior parte das transações bancárias realizadas no país, tendência que se intensificou após a pandemia.
Reestruturações no setor bancário aumentam debate sobre saúde mental
O caso do Emps+ reacende discussões sobre saúde mental no ambiente corporativo bancário.
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O setor financeiro frequentemente aparece entre os segmentos com altos índices de adoecimento relacionado ao trabalho, especialmente devido à pressão por metas e produtividade.
Especialistas em relações trabalhistas apontam que processos de reestruturação sem comunicação transparente tendem a elevar:
- Ansiedade
- Estresse ocupacional
- Sensação de insegurança profissional
- Risco de burnout
- Conflitos internos nas equipes
Além disso, quando avaliações de desempenho são percebidas como subjetivas, o impacto emocional pode ser ainda maior.
Sindicato cobra transparência do Itaú
Diante das denúncias, o Sindicato dos Bancários afirma acompanhar o caso e cobrar esclarecimentos do banco.
A dirigente sindical Gleice Pereira afirmou que os relatos recebidos entram em conflito com o posicionamento oficial apresentado pelo Itaú.
Segundo ela, trabalhadores questionam tanto o ambiente de pressão quanto possíveis falhas na aferição de metas e avaliações.
O Sindicato defende:
- Participação efetiva do RH na transição
- Critérios transparentes de avaliação
- Garantias para realocação
- Revisão de metas consideradas abusivas
- Mais clareza sobre os novos projetos internos
O que diz o Itaú sobre a reestruturação
Em resposta ao Sindicato, o Itaú informou que os clientes do Emps+ estão sendo redistribuídos entre os segmentos Pro, Pro-Smart e Emps, modelo digital voltado ao autoatendimento.
O banco afirma ainda que:
- Não há demissões relacionadas à reestruturação
- Os desligamentos ocorreriam exclusivamente por performance
- Não houve alteração na política de reembolso
- A integração entre Pro e Pro-Smart não resultará em cortes
O Itaú também declarou que as avaliações seguem critérios internos e negou manipulações voltadas a impedir realocações.
Sequência de mudanças amplia instabilidade
A atual crise do Emps+ não surgiu de forma isolada.
Nos últimos anos, o Itaú promoveu sucessivas mudanças no atendimento ao segmento de pequenas empresas.
Inicialmente, clientes do antigo Empreenda foram redistribuídos entre Emps+, Pro-Smart e novos modelos digitais.
Em dezembro, o banco lançou o Emps, plataforma PJ totalmente digital voltada a empresas com faturamento anual de até R$ 3 milhões.
Agora, uma nova redistribuição altera novamente a estrutura de atendimento, ampliando o sentimento de instabilidade entre os trabalhadores envolvidos.
Para especialistas em mercado financeiro e relações trabalhistas, o episódio mostra como a transformação digital no sistema bancário brasileiro vem alterando profundamente a dinâmica do trabalho nas instituições financeiras.
Enquanto bancos buscam eficiência operacional e redução de custos, cresce também a discussão sobre transparência, condições de trabalho e proteção aos profissionais afetados pelas reestruturações.
Conclusão
O encerramento do Emps+ evidencia um momento de forte transformação dentro do Itaú e do setor bancário como um todo. Enquanto o banco acelera projetos digitais e amplia o uso de inteligência artificial no atendimento, trabalhadores relatam insegurança, pressão por metas e falta de transparência nos processos internos. A ausência de um plano claro de transição e as dúvidas sobre critérios de avaliação intensificam o clima de tensão entre os bancários. Diante desse cenário, sindicatos seguem cobrando garantias, acompanhamento do RH e maior clareza nas reestruturações que impactam diretamente centenas de profissionais.
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