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Itaú surpreende clientes e encerra atividades de unidade histórica

Itaú fecha agência em Salvador após demissões em massa e reacende debate sobre digitalização, exclusão bancária e impacto no setor financeiro.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Nas últimas semanas, o Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, vem enfrentando críticas após promover uma demissão em massa que, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, afetou cerca de mil funcionários, principalmente do setor de tecnologia e home office.

Agora, em meio à repercussão negativa, o banco volta ao centro das atenções com o anúncio do fechamento de mais uma agência física, desta vez localizada em Salvador (BA). A decisão surpreendeu clientes e funcionários e reabriu o debate sobre os rumos da digitalização bancária no país.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A agência da Avenida Tancredo Neves será fechada

A unidade em questão está situada na Avenida Tancredo Neves, no bairro do Caminho das Árvores, uma das áreas mais movimentadas da capital baiana.

Histórico e importância

  • Fundada em 1992;
  • Possui 28 funcionários;
  • Atende aproximadamente 20 mil clientes;
  • Sempre foi considerada estratégica pela localização e volume de operações.

O encerramento das atividades está previsto para o dia 5 de novembro, deixando milhares de clientes sem o atendimento presencial no espaço que funcionou por mais de três décadas.

Justificativa do Itaú: adesão ao digital

Em nota oficial, o Itaú justificou o fechamento afirmando que os clientes estão migrando para os canais digitais, como aplicativo e internet banking.

Segundo a instituição, a mudança faz parte de uma revisão da estratégia de presença física, priorizando agências com modelo consultivo e atendimento especializado.

Essa estratégia acompanha a tendência do setor, em que bancos apostam na redução da estrutura física e no fortalecimento do atendimento online.

Reação dos sindicatos: “desmonte silencioso”

A medida, no entanto, gerou forte reação.

Críticas dos representantes sindicais

  • O Sindicato dos Bancários da Bahia afirma que o fechamento da unidade foi uma surpresa para funcionários e clientes;
  • Classifica a estratégia como um “desmonte silencioso” da rede física;
  • Alega que a medida compromete o acesso de grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com baixa familiaridade digital;
  • Defende que os bancos, como prestadores de serviço essencial, devem manter a presença física mínima para garantir inclusão financeira.

Protestos em Salvador

Funcionários da agência já realizaram manifestações contra o encerramento das atividades, denunciando tanto a falta de diálogo quanto o impacto social da decisão.

Fechamento de agências não é caso isolado

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Imagem: Freepik e Canva

O caso de Salvador é parte de um movimento mais amplo de redução da rede física de bancos no Brasil.

No cenário local

  • Apenas em 2025, já são quatro agências do Itaú fechadas em Salvador.
  • Outras instituições também têm reduzido a presença física, especialmente em bairros comerciais e centrais.

Em nível nacional

  • Dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) apontam que mais de 850 agências bancárias foram fechadas em 2024 por Itaú, Bradesco e Santander.
  • Desde 2014, o país já perdeu mais de 5 mil unidades bancárias.

Essa tendência reflete a busca por redução de custos operacionais e a expansão do atendimento digital.

Impactos sociais e econômicos do fechamento

Para os clientes

  • Dificuldade de acesso para quem depende de atendimento presencial;
  • Aumento da distância até a agência mais próxima;
  • Risco de exclusão bancária em comunidades menos digitalizadas.

Para os funcionários

  • O fechamento gera incertezas trabalhistas, especialmente para os 28 empregados da unidade;
  • O sindicato teme que mais demissões ocorram com o avanço da estratégia digital.

Para a sociedade

  • O encolhimento da rede física reforça desigualdades, já que nem todos os brasileiros têm acesso à internet de qualidade ou familiaridade com aplicativos bancários.

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A digitalização e o dilema da inclusão

O Itaú e outros bancos argumentam que a maioria das operações pode ser feita por meio digital. De fato, dados da Febraban mostram que mais de 70% das transações bancárias no Brasil em 2024 foram realizadas por celulares e computadores.

Vantagens do digital

  • Agilidade nas transações;
  • Redução de custos para as instituições;
  • Segurança operacional com menos movimentação em espécie.

Desafios da exclusão

  • Idosos e pessoas com pouca experiência digital ainda enfrentam barreiras tecnológicas;
  • Em áreas de menor infraestrutura, a falta de internet estável impede o acesso aos serviços;
  • Questões de segurança cibernética também preocupam consumidores.

O que dizem especialistas

Especialistas em serviços financeiros afirmam que o fechamento de agências físicas é irreversível no médio prazo, mas reforçam a necessidade de políticas de inclusão digital.

Segundo o economista Luiz Fernando Prado, consultor do setor bancário:

“A digitalização traz ganhos de eficiência, mas o desafio é não deixar para trás milhões de brasileiros que ainda dependem do atendimento presencial. O equilíbrio entre tecnologia e inclusão será decisivo.”

Futuro do Itaú e do setor bancário no Brasil

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Imagem: Canva / Edição Seu Crédito Digital

O Itaú aposta em um modelo híbrido, mantendo agências com atendimento mais especializado, enquanto transfere operações rotineiras para os canais digitais.

Contudo, sindicatos alertam que, sem políticas de educação financeira e digitalização inclusiva, o processo pode aprofundar a exclusão de parte da população.

Cenários possíveis

  • Redução contínua de agências, especialmente em grandes capitais;
  • Expansão do digital, com maior uso de inteligência artificial no atendimento;
  • Pressão social por manutenção de postos físicos em áreas estratégicas.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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