O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, anunciou o fechamento da agência localizada na avenida Tancredo Neves, no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador (BA). A unidade, uma das mais tradicionais da capital baiana, encerrará suas atividades em 5 de novembro, após 33 anos de funcionamento.
Itaú confirma encerramento de mais uma grande agência no Brasil em novembro
Itaú fechará agência na Tancredo Neves, em Salvador, em 5 de novembro; protestos criticam demissões e exclusão de clientes sem acesso digital.
A decisão causou revolta entre funcionários e clientes, além de provocar protestos de bancários em frente ao prédio nesta quarta-feira (17). Com cerca de 20 mil correntistas e 28 funcionários, a agência passará a ser substituída operacionalmente pela unidade do Iguatemi (0935), conforme informou o banco.
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Uma agência emblemática em Salvador
História e importância regional
Inaugurada em 1992, a unidade Tancredo Neves é considerada uma agência de grande porte, tendo passado por reformas recentes para modernização de sua estrutura. Ela atende a pessoas físicas, empresas e instituições da região, sendo uma das mais movimentadas da cidade.
“É uma agência tradicional, reformada recentemente e referência para pessoas físicas e jurídicas da região. A decisão trouxe indignação e perplexidade”, declarou Luciana Dória, diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe.
Reestruturação nacional do Itaú e corte de agências
Dados apontam encolhimento da rede física
O encerramento da agência em Salvador é parte de uma reestruturação em escala nacional conduzida pelo Itaú. De acordo com dados apresentados ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, entre janeiro e julho de 2025 o banco:
- Demitiu 4.475 funcionários
- Fechou 197 agências físicas
- Tem outras 28 unidades em processo de encerramento
A justificativa da instituição financeira é a adoção crescente dos canais digitais por parte dos clientes, o que tornaria algumas estruturas físicas “obsoletas”.
Lucro bilionário em meio aos cortes
Apesar da redução da rede, o Itaú registrou lucro líquido de R$ 11,5 bilhões no segundo trimestre de 2025, um aumento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2024. A rentabilidade reforça as críticas de que o fechamento de agências e os desligamentos não são fruto de crise, mas sim de reestruturação estratégica visando maximizar ganhos.
Impacto para clientes: realocação e exclusão digital
Atendimento migrado para agência Iguatemi
Com o fechamento da unidade Tancredo Neves, os cerca de 20 mil correntistas ativos da agência serão redirecionados para a unidade Iguatemi, localizada em região próxima.
Entretanto, a mudança é vista com preocupação por entidades sindicais e lideranças comunitárias, que alertam para a sobrecarga da nova agência e a falta de acessibilidade digital de muitos clientes.
Exclusão digital e insegurança cibernética
“A resposta é sempre a mesma: os clientes migraram para os canais virtuais. Mas sabemos que boa parte da população ainda não tem acesso ou familiaridade com essas ferramentas e prefere o atendimento presencial. Além disso, cresce o número de golpes virtuais, atingindo justamente os mais vulneráveis”, destacou Luciana Dória.
Entre os mais afetados estão idosos, aposentados, trabalhadores informais e pequenos empresários, que ainda preferem resolver questões bancárias presencialmente, inclusive por questões de segurança diante do aumento de fraudes digitais.
Protestos e reações sindicais

Ato público em Salvador
O protesto realizado em frente à agência nesta quarta-feira (17) contou com faixas, discursos e manifestações contra o que os bancários classificam como um processo de desmonte do atendimento bancário físico. Eles denunciam que a estratégia de digitalização tem promovido:
- Demissões em massa
- Sobrecarregamento das agências restantes
- Exclusão de camadas da população sem acesso digital
- Precarização dos serviços bancários
Tendência nacional de fechamento
A unidade da Tancredo Neves é a quarta agência de grande porte a ser fechada em Salvador apenas em 2025. Antes dela, encerraram atividades:
- Agência de Brotas
- Agência do Cabula
- Unidade do Imbuí
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Juntas, essas três agências atendiam mais de 70 mil clientes. No interior da Bahia, cidades menores enfrentam o risco de ficarem sem qualquer estrutura bancária física, o que agrava o processo de desbancarização regional.
Digitalização avança no setor, mas não é inclusiva
Outros bancos seguem mesma lógica
A movimentação não é exclusiva do Itaú. O Bradesco, por exemplo, teve seu plano de encerramento da única agência em Chorrochó (BA) suspenso por decisão da Justiça, que considerou a ausência de alternativas viáveis para os moradores locais.
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), desde 2016 os cinco maiores bancos do país já fecharam mais de 3 mil agências físicas, ao mesmo tempo em que registraram crescimento de lucros bilionários.
Bancos digitais ganham espaço, mas não substituem tudo
Com a ascensão de fintechs como Nubank, C6 Bank, Inter e Neon, o modelo bancário caminha para um ambiente quase totalmente digitalizado. Porém, os sindicatos argumentam que:
- Nem todos os serviços podem ser realizados online
- A alfabetização digital ainda é uma barreira
- Fraudes bancárias e golpes crescem em ritmo acelerado
- A presença física é importante para relações de confiança e resolução de problemas mais complexos
O que diz o Itaú?
Em nota oficial, o banco reafirma que a decisão de fechamento faz parte de um processo contínuo de ajuste da rede física para “atender à nova realidade do mercado”. O Itaú sustenta que mais de 90% das transações bancárias hoje são realizadas por meio de canais digitais, como aplicativo, internet banking e caixas eletrônicos.
O banco também informa que os funcionários da unidade Tancredo Neves serão realocados, sem mencionar se haverá compensações, demissões ou plano de transição detalhado.
Cenário futuro: menos agências, mais resistência?

A tendência de fechamento de agências deve continuar nos próximos anos, segundo analistas do setor bancário. Porém, a pressão social e sindical também cresce.
“Não se trata de negar a tecnologia. Queremos inclusão digital com responsabilidade, com planejamento e com respeito às pessoas que ainda dependem do atendimento humano”, afirmou Luciana Dória.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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