A política de fechamento de agências do banco Itaú tem provocado uma série de reações por parte dos trabalhadores do setor bancário, especialmente através da COE (Comissão de Organização dos Empregados).
Itaú: COE cobra paralisação do fechamento de agências bancárias
COE cobra do Itaú o fim do fechamento de agências, que já causou milhares de demissões e afeta o acesso bancário em diversas regiões
Em reunião realizada na tarde de terça-feira (10), representantes da comissão cobraram da direção do banco a paralisação imediata do processo de encerramento de unidades, que tem deixado bairros e até municípios inteiros sem serviços bancários. A prática tem sido duramente criticada como um exemplo de irresponsabilidade social por parte do sistema financeiro, o mais lucrativo da economia nacional.
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Itaú lucra R$ 41,9 bilhões, mas fecha 219 agências
Os dados contrastam de forma gritante: em 2024, o Itaú atingiu um lucro líquido de R$ 41,9 bilhões, mas mesmo assim, optou pelo fechamento de 219 agências em todo o país e a demissão de 7.721 funcionários. Os números foram apresentados pela própria COE durante a reunião e reforçam as críticas à política de reestruturação implementada pelo banco, que prioriza a digitalização e a centralização dos serviços, em detrimento do atendimento físico e da manutenção do emprego.
Segundo os representantes da COE, somente nos últimos meses, 120 agências encerraram as atividades, e a projeção é de que mais 55 sejam fechadas até agosto de 2025. Entre as unidades afetadas estão as agências dos bairros Brotas Center, Cabula e Imbuí, todas localizadas em Salvador (BA), o que gera apreensão entre trabalhadores e moradores locais.
Uma decisão que impacta muito além dos números
A crítica central é que o fechamento de agências não apenas compromete empregos diretos, mas também prejudica comunidades inteiras, sobretudo as regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos. Idosos, pequenos comerciantes e pessoas sem familiaridade com a tecnologia digital são os mais atingidos por essa mudança, pois muitas vezes não têm acesso facilitado a agências alternativas ou aos serviços bancários digitais.
Sistema bancário sob escrutínio
Não é só o Itaú: Bradesco e Santander seguem o mesmo caminho
Embora o Itaú esteja no centro das críticas, a política de fechamento de agências não é uma prática isolada. Bradesco e Santander, outros gigantes do setor, também têm adotado estratégias semelhantes. A COE alerta que essa prática generalizada coloca em risco o papel social dos bancos, que, embora sejam instituições privadas, exercem funções essenciais na vida econômica da população brasileira.
A estratégia comum entre os bancos é baseada na redução de custos operacionais e no fortalecimento dos canais digitais. Embora essas inovações tragam ganhos em eficiência, o resultado prático para milhares de trabalhadores é o desemprego, enquanto a população mais vulnerável enfrenta dificuldades no acesso a serviços básicos.
COE pressiona por compromissos reais

Reunião tratou de temas diversos, mas banco não assumiu compromissos firmes
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Durante o encontro com a direção do Itaú, a COE não se limitou à pauta do fechamento de agências. Também foram abordados temas como a CCV (Comissão de Conciliação Voluntária), banco de horas, o programa Gera, segurança nos espaços de negócios e os segmentos Smart Pro e Personnalité.
Apesar da pressão dos representantes dos trabalhadores, o banco relutou em se comprometer com a suspensão do fechamento das agências, alegando que continuará avaliando caso a caso. A única concessão feita até o momento é a promessa de debater os casos pontuais apresentados pela COE nas próximas reuniões.
A reunião contou com a participação da diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Luciana Dória, que reforçou a importância de se manter uma negociação permanente para evitar retrocessos e defender os direitos dos trabalhadores.
Trabalhadores enfrentam cenário de insegurança
Demissões e precarização agravam realidade do setor bancário
Com a reestruturação em curso, os trabalhadores bancários enfrentam um ambiente cada vez mais instável. Além das demissões, há denúncias de sobrecarga de trabalho para os funcionários remanescentes, que precisam absorver demandas de agências fechadas ou lidar com o acúmulo de funções em espaços de atendimento mais enxutos.
O receio entre os funcionários do setor é de que, com o avanço da digitalização e a ausência de uma regulamentação eficaz, a precarização do trabalho se torne uma regra, mesmo em um dos segmentos mais rentáveis da economia brasileira.
Imagem: Pilar Olivares/Reuters
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