O Itaú Unibanco ampliou sua atuação no mercado de inteligência artificial ao investir na Simile, empresa de tecnologia sediada nos Estados Unidos que desenvolve sistemas capazes de simular comportamentos humanos e testar diferentes cenários antes que decisões sejam colocadas em prática.
O aporte foi realizado pelo Itaú Ventures, braço de Corporate Venture Capital do banco, e representa uma nova etapa de uma relação que já existia entre as duas empresas. Antes de receber o investimento, a Simile já havia se tornado cliente do Itaú na América Latina. O valor aplicado pelo banco não foi divulgado.
A operação ocorre em uma extensão da rodada Série B de US$ 200 milhões, liderada pela Greenoaks, que levou a avaliação da Simile para aproximadamente US$ 2 bilhões. O movimento coloca a tecnologia de simulação baseada em IA no radar de uma das maiores instituições financeiras privadas da região.
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Como funciona a tecnologia da Simile
A proposta da Simile vai além dos modelos tradicionais utilizados para gerar textos, imagens ou respostas. A empresa trabalha com sistemas capazes de representar indivíduos, organizações e mercados em ambientes simulados.
Na prática, a tecnologia permite criar cenários para avaliar como determinados grupos poderiam reagir diante de mudanças, decisões ou condições específicas. A ideia é permitir que empresas testem hipóteses virtualmente antes de implementar determinadas estratégias no mundo real.
Esse tipo de aplicação pode ter relevância para instituições financeiras porque decisões sobre produtos, atendimento, crédito e operações dependem de diferentes perfis de consumidores e de condições econômicas que podem mudar rapidamente.
A Simile também trabalha com agentes generativos voltados à simulação de pessoas, acompanhando os resultados com indicadores de confiança. A tecnologia, portanto, busca transformar a IA em uma ferramenta de experimentação e análise de cenários, e não apenas em um recurso de automação.
Itaú já utilizava a tecnologia antes do investimento

Um dos pontos centrais da operação é que a relação entre as empresas começou antes da entrada do Itaú no quadro de investidores.
O banco foi o primeiro cliente da Simile na América Latina e passou a trabalhar com a companhia ainda durante seus estágios iniciais. Segundo as empresas, a parceria envolveu a exploração conjunta de aplicações da tecnologia em diferentes áreas do banco.
Isso ajuda a explicar a decisão de investimento. Em vez de apostar apenas em uma tecnologia ainda não testada internamente, o Itaú já tinha experiência prática com a solução e com a equipe responsável pelo desenvolvimento.
A estratégia também está alinhada à atuação do Itaú Ventures, que busca investir em empresas de tecnologia capazes de gerar sinergias com as atividades do banco. Entre os segmentos acompanhados pelo fundo estão inteligência artificial, cibersegurança, pagamentos, crédito, infraestrutura e serviços financeiros.
O que é o Itaú Ventures
O Itaú Ventures é o braço de Corporate Venture Capital do Itaú Unibanco. A estrutura foi lançada em 2025, após a internalização do Kinea Ventures, e nasceu com compromisso inicial de R$ 500 milhões sob gestão.
A proposta é realizar investimentos minoritários em startups e empresas de tecnologia que tenham relação com as prioridades estratégicas da instituição. O fundo também procura aproximar as empresas investidas das áreas de negócio do banco, criando possibilidades de desenvolvimento conjunto.
Na prática, esse modelo permite ao Itaú acompanhar tecnologias emergentes de maneira mais próxima, enquanto as startups podem ter acesso ao conhecimento de um grande participante do mercado financeiro.
Inteligência artificial ganha espaço na estratégia do banco

O investimento na Simile ocorre em um momento de expansão do uso de inteligência artificial pelo setor financeiro.
O próprio Itaú já utiliza IA em diferentes áreas. Em 2025, por exemplo, o banco lançou um agente de investimentos baseado em inteligência artificial generativa para interagir com clientes, explicar produtos e apoiar a experiência de investimento. A instituição afirma utilizar inteligência artificial e machine learning em seus serviços desde 2014.
Em 2026, o banco também vem ampliando iniciativas voltadas à aplicação prática da tecnologia em serviços financeiros e na rotina de empresas. Um exemplo é o Itaú Emps, plataforma direcionada a empreendedores que combina recursos digitais e IA com atendimento humano.
Nesse contexto, a parceria com a Simile acrescenta uma frente diferente: utilizar inteligência artificial para simular comportamentos e cenários, permitindo que hipóteses sejam analisadas antes de determinadas decisões.
Conteúdo baseado em informações divulgadas pelo Itaú Unibanco.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
