O Itaú Unibanco acertou um investimento na Vivix, fabricante brasileira de vidros planos controlada pelo Grupo Cornélio Brennand. Com a operação, o banco poderá deter até 49,9% da Investvivix, holding que controla a empresa. O negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e o valor da transação não foi divulgado.
Apesar da participação relevante, o Itaú não assumirá o controle da fabricante. A Ical Vidros, empresa do Grupo Cornélio Brennand, continuará com todas as ações ordinárias da holding e 50,1% do capital total. O banco ficará com ações preferenciais, que dão participação econômica, mas não conferem o comando da companhia.
A operação aproxima uma das maiores instituições financeiras do país de uma indústria que tem atuação relevante na cadeia da construção civil, arquitetura, decoração e indústria moveleira. A seguir, entenda como funcionará o acordo e o que está por trás da Vivix.
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Como funcionará o investimento do Itaú na Vivix?

O acordo prevê que o Itaú possa chegar a 49,9% do capital da Investvivix, holding que controla a Vivix. A estrutura foi desenhada de forma que o Grupo Cornélio Brennand permaneça no comando da empresa.
Na prática, a diferença está nos tipos de ações. Enquanto o grupo pernambucano continuará com as ações ordinárias, o Itaú terá ações preferenciais, vinculadas à participação econômica no negócio.
Assim, ter quase metade do capital não significa que o banco passará a administrar a fabricante. O controle permanecerá com a Ical Vidros, que seguirá com 50,1% do capital total.
A conclusão da operação também depende da análise do Cade. Até a aprovação e o cumprimento das demais condições previstas no acordo, a estrutura societária não estará definitivamente alterada.
O que é a Vivix?
A Vivix é uma fabricante de vidros planos. São grandes chapas de vidro produzidas industrialmente e posteriormente transformadas em diferentes produtos utilizados em construções e ambientes residenciais e comerciais.
Entre as aplicações estão:
- janelas;
- fachadas;
- espelhos;
- móveis;
- boxes;
- divisórias.
A empresa atende principalmente mercados ligados à construção civil, arquitetura, decoração e indústria moveleira.
A companhia possui uma fábrica em Goiana, em Pernambuco, e uma unidade de beneficiamento de matérias-primas em Pedras de Fogo, na Paraíba. Segundo a própria Vivix, sua fábrica tem capacidade de produção de 900 toneladas de vidro por dia e área construída de 90 mil metros quadrados.
Quanto a Vivix lucrou?
A Vivix encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 138,4 milhões, contra R$ 112,3 milhões em 2024. O resultado representa crescimento de aproximadamente 23,2% no período.
O desempenho ajuda a dimensionar o porte do negócio que passa a ter o Itaú como investidor. A fabricante atua em uma cadeia industrial diretamente relacionada à construção e à produção de bens utilizados em imóveis.
A empresa também afirma ser a única fabricante brasileira de vidros planos com capital integralmente nacional.
Quem é a família Brennand?
A Vivix faz parte do Grupo Cornélio Brennand, conglomerado empresarial com origem em Pernambuco. A história do grupo começou em 1917, com a criação da Cerâmica São João.
Ao longo das décadas, os negócios da família se expandiram para diferentes segmentos. O grupo teve atuação em áreas como cerâmica, vidro, cimento e geração de energia, além de posteriormente ampliar sua presença para o desenvolvimento imobiliário.
Atualmente, o grupo mantém negócios em áreas como vidros planos, energia renovável, cimentos e desenvolvimento imobiliário. Entre as empresas estão a Vivix, a Atiaia Renováveis e a Iron House.
Por que a Vivix interessa ao Itaú?
O acordo coloca o Itaú como investidor de uma indústria com operação consolidada e exposição a diferentes segmentos da economia real.
A Vivix está inserida em uma cadeia que envolve construção civil, arquitetura, decoração e indústria moveleira. Isso significa que seu desempenho está relacionado à demanda por materiais utilizados em imóveis, projetos arquitetônicos e produtos para ambientes residenciais e comerciais.
Outro aspecto é a estrutura da operação. Como o Itaú terá ações preferenciais, o investimento permite ao banco obter participação econômica sem assumir o controle operacional da fabricante. A gestão e o controle societário continuarão ligados ao Grupo Cornélio Brennand.
Vivix também investe em sustentabilidade
A operação industrial da Vivix inclui iniciativas relacionadas à eficiência energética e ao reaproveitamento de materiais.
Segundo a empresa, sua fábrica utiliza a tecnologia L.E.M. (Low Energy Melter), desenvolvida para aumentar a eficiência energética do processo de fabricação de vidro e reduzir emissões em comparação com a média mundial do setor.
A companhia também informa que, desde 2024, sua operação fabril utiliza energia limpa, renovável e certificada. A energia está relacionada ao parque solar Maravilhas I, desenvolvido pela Atiaia Renováveis, outra empresa do Grupo Cornélio Brennand.
O processo industrial também envolve o reaproveitamento de cacos de vidro na produção de novas chapas, além de iniciativas de tratamento e reúso de água, segundo informações divulgadas pela própria companhia.
O que falta para o negócio ser concluído?
O principal ponto regulatório mencionado até agora é a aprovação do Cade. O órgão analisa operações de concentração econômica para verificar seus possíveis efeitos sobre a concorrência.
Enquanto a autorização não for concedida e as demais condições do acordo não forem cumpridas, a transação não estará concluída.
Também não foi divulgado o valor que o Itaú pagará pela participação. Portanto, ainda não é possível calcular publicamente quanto o investimento representa em termos de avaliação financeira da Vivix.
O Itaú vai controlar a Vivix?
Não. A estrutura anunciada prevê que a Ical Vidros permaneça com todas as ações ordinárias da Investvivix e com 50,1% do capital total.
O Itaú terá ações preferenciais e poderá chegar a 49,9% do capital. Dessa forma, sua participação será econômica, sem transferência do controle da fabricante.
O que muda para a Vivix?
A mudança mais significativa será a entrada do Itaú na estrutura societária da holding que controla a fabricante.
Como o Grupo Cornélio Brennand continuará no controle, a operação não representa uma venda integral da Vivix. Trata-se de uma associação entre o grupo controlador e o banco, sujeita ainda à aprovação regulatória.
Os efeitos sobre investimentos, estratégia, expansão ou gestão da companhia dependerão das condições definitivas do acordo e dos próximos passos após a análise do Cade.
Entenda o negócio em números
| Item | Informação |
|---|---|
| Investidor | Itaú Unibanco |
| Empresa | Vivix Vidros Planos |
| Holding | Investvivix |
| Participação potencial do Itaú | Até 49,9% |
| Participação do Grupo Cornélio Brennand | 50,1% |
| Tipo de ações do Itaú | Preferenciais |
| Controle da companhia | Grupo Cornélio Brennand |
| Lucro líquido em 2025 | R$ 138,4 milhões |
| Lucro líquido em 2024 | R$ 112,3 milhões |
| Fábrica | Goiana (PE) |
| Unidade de beneficiamento | Pedras de Fogo (PB) |
| Aprovação pendente | Cade |
| Valor da transação | Não divulgado |
O que acontece agora?

O próximo passo é a análise da operação pelo Cade. A aprovação é necessária para que a transação avance dentro do processo regulatório previsto.
Até lá, a participação do Itaú permanece sujeita às condições do negócio. O valor da operação e eventuais detalhes adicionais da estrutura financeira também podem ser divulgados posteriormente.
Para o Grupo Cornélio Brennand, a operação mantém o controle da Vivix enquanto incorpora um novo sócio financeiro. Para o Itaú, representa uma participação econômica em uma indústria brasileira de vidros planos sem a transferência do controle da companhia.
Conclusão
A entrada do Itaú na estrutura da Vivix marca uma nova etapa para a fabricante de vidros planos, mas não altera, neste momento, o controle da companhia, que continuará nas mãos do Grupo Cornélio Brennand. O banco poderá deter até 49,9% da holding por meio de ações preferenciais, enquanto o grupo pernambucano manterá as ações ordinárias e 50,1% do capital.
A operação ainda depende da aprovação do Cade e teve o valor mantido em sigilo. Até a conclusão do processo, os principais pontos a acompanhar são a análise do órgão regulador e os termos definitivos da participação do Itaú na empresa.
