A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de bastidores para assumir um papel central na experiência dos clientes do Itaú Unibanco. O banco anunciou o lançamento do ia.i, um assistente baseado em inteligência artificial generativa que passa a integrar o aplicativo oficial da instituição, permitindo que os usuários conversem com o banco de forma mais natural e personalizada.
Itaú inicia liberação de IA nativa para 300 mil clientes
Itaú estreia IA generativa no aplicativo para clientes, com atendimento por chatbot, análise financeira e novas funcionalidades. Veja como funciona.
A novidade representa um dos maiores movimentos de digitalização do setor financeiro brasileiro nos últimos anos. Em vez de navegar por diversos menus para encontrar informações, o cliente poderá simplesmente fazer perguntas em linguagem comum e receber respostas contextualizadas, com gráficos, tabelas e direcionamentos para serviços disponíveis no aplicativo.
Inicialmente, o recurso será disponibilizado gradualmente para uma parcela dos correntistas, mas a expectativa é que alcance toda a base de clientes ao longo dos próximos meses.
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Como funciona a inteligência artificial do Itaú
O ia.i aparece diretamente na tela inicial do aplicativo como um assistente virtual capaz de interpretar perguntas escritas pelos usuários.
A proposta é aproximar o relacionamento entre cliente e banco por meio de uma conversa semelhante à realizada com outros assistentes digitais amplamente conhecidos.
Em vez de procurar manualmente informações sobre cartões, seguros ou despesas, o usuário poderá escrever perguntas como:
- Quanto gastei com transporte nos últimos meses?
- Como minhas despesas mudaram em relação ao mês passado?
- Qual cartão do Itaú oferece mais vantagens para meu perfil?
- Quais categorias concentram a maior parte dos meus gastos?
A plataforma analisa os dados autorizados pelo cliente e apresenta respostas em formato visual, incluindo gráficos e comparativos sempre que isso facilitar a compreensão.
Os conteúdos produzidos pela inteligência artificial também serão identificados dentro do aplicativo para que o usuário saiba quando está interagindo com respostas geradas pela tecnologia.
O que a IA já consegue fazer
Nesta primeira fase, o assistente concentra suas funções em consultas financeiras e orientação sobre produtos disponíveis.
Entre os recursos oferecidos estão:
- análise de gastos;
- consulta de despesas por categoria;
- informações sobre cartões;
- detalhes sobre seguros;
- dados sobre crédito;
- direcionamento para contratação de serviços.
Embora facilite a jornada do cliente, a inteligência artificial ainda não conclui operações financeiras diretamente durante a conversa.
Na prática, ela conduz o usuário até a tela adequada para finalizar uma contratação ou realizar determinada operação, mantendo os mecanismos tradicionais de segurança do banco.
Recomendações de investimentos ainda são limitadas
Uma das funções que muitos clientes esperam encontrar é a recomendação personalizada de investimentos.
Entretanto, o Itaú informou que essa funcionalidade ainda não faz parte da versão disponibilizada ao público.
Segundo o banco, apenas um grupo reduzido participa de testes específicos envolvendo esse tipo de orientação financeira, que exige cuidados adicionais em razão das regras regulatórias e da responsabilidade sobre recomendações de investimento.
Disponibilização será gradual
O lançamento ocorrerá em etapas.
Na primeira fase, aproximadamente 300 mil clientes terão acesso ao recurso em versão beta.
Posteriormente, a previsão é ampliar o acesso para cerca de 3 milhões de usuários até o fim de setembro.
Depois dessa etapa de testes e ajustes, a ferramenta deverá chegar gradualmente aos demais clientes da instituição.
Essa estratégia permite identificar oportunidades de melhoria antes da expansão completa da plataforma.
Por que o Itaú aposta na inteligência artificial
O investimento acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores brasileiros.
Cada vez mais pessoas resolvem praticamente toda a vida financeira pelo celular, desde pagamentos via Pix até contratação de crédito, investimentos e seguros.
Segundo dados divulgados pelo próprio banco, uma parcela significativa dos clientes utiliza intensamente os canais digitais, tornando natural a adoção de soluções baseadas em inteligência artificial para simplificar o atendimento.
A proposta é substituir longas buscas em menus por conversas rápidas, objetivas e personalizadas.
IA deve complementar, e não substituir, o atendimento humano
Um dos pontos destacados pelo Itaú é que a inteligência artificial não foi criada para eliminar o contato entre clientes e funcionários.
A expectativa da instituição é que as tarefas repetitivas passem a ser executadas pela IA, liberando os especialistas para situações mais complexas e que exigem análise humana.
Entre esses casos estão decisões importantes da vida financeira, como financiamento imobiliário, reorganização patrimonial ou planejamento para aposentadoria.
Segundo o banco, essa divisão tende a tornar o atendimento mais eficiente tanto para clientes quanto para equipes internas.
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+311 mil seguidores
O avanço da inteligência artificial também impacta a rotina dos profissionais do setor financeiro.
Em vez de dedicar grande parte do tempo a consultas simples, os colaboradores poderão atuar em atividades consultivas e de relacionamento.
Essa tendência acompanha um movimento observado em diversas instituições financeiras no Brasil e no exterior, nas quais a IA passa a executar processos operacionais enquanto os profissionais concentram esforços em decisões estratégicas e atendimento personalizado.
O Itaú afirmou que não possui planos de substituir funcionários pela nova tecnologia.
A inteligência artificial melhora o atendimento?
Segundo informações apresentadas pela instituição, a adoção de soluções baseadas em IA já produziu resultados internos relevantes.
Entre os indicadores divulgados estão:
- aumento na resolução de demandas dos clientes;
- redução significativa dos custos relacionados ao uso de IA generativa;
- maior velocidade no atendimento;
- ganho de produtividade para as equipes.
Esses avanços são resultado de uma plataforma própria desenvolvida pelo banco para integrar diferentes modelos de inteligência artificial e organizar grandes volumes de dados.
Segurança e privacidade continuam sendo prioridade
Como o setor bancário é um dos mais regulados do país, o uso de inteligência artificial precisa seguir regras rigorosas relacionadas à proteção de dados e à segurança das operações.
O Itaú afirma que a nova plataforma foi construída considerando requisitos regulatórios e mecanismos de controle para preservar as informações dos clientes.
Além disso, operações financeiras continuam sujeitas aos mesmos protocolos de autenticação utilizados atualmente, reduzindo riscos de fraudes.
No Brasil, instituições financeiras também precisam observar normas do Banco Central, além das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece critérios para tratamento de informações pessoais.
O banco utiliza diferentes modelos de IA

Para desenvolver sua plataforma, o Itaú adotou uma estratégia baseada na combinação de diferentes modelos de inteligência artificial.
Em vez de depender de apenas uma tecnologia, a instituição utiliza soluções especializadas para tarefas distintas, permitindo selecionar o modelo mais adequado para cada tipo de consulta.
Essa arquitetura também facilita futuras atualizações conforme surgem novas gerações de modelos de IA no mercado.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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