O Itaú Unibanco, líder em número de clientes de alta renda no Brasil, está desenvolvendo um novo segmento acima do tradicional Itaú Personnalité. A iniciativa reflete uma mudança de paradigma no mercado bancário: o conceito de exclusividade passou a ser mais seletivo, acompanhando o novo poder de compra e o comportamento financeiro das elites brasileiras.
O movimento, que já vem sendo ensaiado por concorrentes como Bradesco, Banco do Brasil e Santander, simboliza uma nova corrida do ouro pelo público de maior patrimônio. Esse grupo, que reúne investidores com alta liquidez e baixa inadimplência, tornou-se o principal foco das instituições financeiras em busca de rentabilidade sustentável.
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A redefinição do conceito de alta renda

Há uma década, uma renda mensal de R$ 15 mil era suficiente para ser considerado cliente premium. Hoje, esse valor, corroído pela inflação e pela elevação do custo de vida, já não representa o mesmo poder aquisitivo. Essa transformação não apenas reduziu o alcance do segmento Personnalité, mas também forçou os bancos a repensar suas categorias e estratégias de relacionamento.
Em um cenário em que o luxo foi democratizado, a verdadeira exclusividade passou a depender de personalização, acesso e experiências únicas. Não basta ter um cartão Black; é preciso fazer parte de um círculo restrito de atendimento e benefícios.
A nova corrida do ouro bancária
A movimentação dos grandes bancos revela um novo ciclo de competição pela alta renda. O Bradesco foi pioneiro ao lançar o Bradesco Principal, um segmento acima do Prime, eliminando gradualmente o antigo Exclusive. Já o Banco do Brasil criou o High Estilo, enquanto o Santander reformulou o Santander High, substituindo o Van Gogh.
Essas reformulações não são apenas cosméticas. Elas representam uma corrida pela fidelização dos clientes mais rentáveis, que movimentam grandes volumes de investimento e demandam serviços sofisticados.
Aposta na experiência e na exclusividade
Os bancos têm ampliado seus investimentos em cartões premium e ultraluxo, como o Visa Privilege e o Mastercard World Legend. Esses produtos oferecem vantagens diferenciadas, como acesso a salas VIP em aeroportos, concierge 24h, seguros internacionais e experiências exclusivas em hotéis e restaurantes de alto padrão.
Mas o ponto central dessa estratégia não é apenas financeiro: trata-se de pertencimento. O cliente quer se sentir parte de um grupo limitado, uma elite de consumo e status que vai além do saldo em conta.
O novo posicionamento do Itaú
O Itaú Personnalité, tradicionalmente voltado para profissionais liberais e investidores de alta renda, agora se prepara para dar um passo além. O banco está estruturando um segmento superior, direcionado exclusivamente a clientes com elevado patrimônio líquido e histórico sólido de relacionamento.
Embora o nome oficial ainda não tenha sido divulgado, fontes ligadas ao mercado indicam que o novo segmento deve reunir clientes com investimentos a partir de R$ 5 milhões, oferecendo gestão patrimonial integrada, consultoria personalizada e acesso direto a executivos sêniores do banco.
Essa movimentação também é uma resposta direta à pressão competitiva. A alta renda brasileira tornou-se mais sofisticada e exige transparência, atendimento exclusivo e soluções personalizadas de investimento, aproximando o relacionamento bancário de um modelo de private banking internacional.
Exigências atuais do Personnalité

Hoje, para abrir uma conta no Itaú Personnalité, o cliente precisa cumprir pelo menos um dos seguintes requisitos:
- Renda mínima de R$ 15 mil mensais, comprovada via Imposto de Renda ou holerite dos três últimos meses
- Investimentos a partir de R$ 250 mil, com comprovação de renda mínima de R$ 10 mil
- Rating interno positivo, geralmente acima de D, segundo critérios do próprio Itaú
Essa triagem garante que o perfil do cliente esteja alinhado ao posicionamento premium da marca. Contudo, mesmo com esses critérios, muitos correntistas não possuem patrimônio proporcional ao padrão esperado, o que enfraqueceu a segmentação ao longo dos anos.
Requalificação e seleção silenciosa
Para evitar insatisfações e “downgrades” explícitos, os bancos têm preferido adotar uma estratégia de reposicionamento gradual. Em vez de rebaixar diretamente o status de um cliente Personnalité, eles criam novos segmentos e convidam, de forma seletiva, apenas os perfis mais adequados.
No caso do Itaú, há classificações internas que definem a prioridade de atendimento, como o perfil Super Target, reservado a clientes de altíssima relevância para o banco. Esse grupo já vem recebendo tratamento diferenciado, o que indica que o novo segmento pode se basear nessa estrutura.
O impacto no mercado financeiro
A criação de segmentos ultraprivados reflete uma tendência global. Em países desenvolvidos, bancos como JPMorgan, UBS e HSBC mantêm divisões específicas para clientes “Ultra High Net Worth” – com patrimônio acima de US$ 30 milhões. O Itaú e seus concorrentes, ao se inspirarem nesse modelo, buscam elevar o padrão de exclusividade no Brasil.
Especialistas apontam que essa mudança não se trata apenas de status, mas de gestão eficiente do risco e da rentabilidade. Clientes de altíssimo patrimônio tendem a manter relacionamento mais estável, investir em produtos sofisticados e gerar receitas constantes em gestão de ativos e seguros.
Um mercado em maturação
O ciclo de expansão desenfreada dos cartões Black e dos serviços premium dos últimos anos trouxe distorções. Houve uma “massificação do luxo”, na qual benefícios antes exclusivos tornaram-se acessíveis a públicos intermediários. O resultado foi uma banalização da exclusividade e uma perda de valor percebido pelas classes mais altas.
A criação de camadas adicionais, portanto, é um movimento de correção e maturidade. O mercado financeiro parece reconhecer que nem todos os clientes premium são iguais, e que a diferenciação é essencial para preservar o prestígio das marcas bancárias.
A visão de futuro

Para o Itaú e demais bancos, o desafio agora é manter o equilíbrio entre exclusividade e rentabilidade. O novo segmento deverá unir atendimento humano, inteligência artificial e serviços personalizados para oferecer experiências únicas a cada cliente.
Espera-se também que os benefícios não se limitem ao mundo financeiro. O público de alta renda busca cada vez mais conveniência, segurança digital e sustentabilidade, o que deve inspirar o desenvolvimento de produtos voltados ao impacto social e ambiental positivo.
Conclusão
O novo segmento do Itaú acima do Personnalité simboliza um momento de redefinição da alta renda no Brasil. Em vez de democratizar o luxo, os bancos buscam restaurar o sentido da exclusividade — oferecendo valor real, personalização e reconhecimento. Essa tendência deve se consolidar nos próximos anos, aproximando o mercado brasileiro dos padrões internacionais de private banking.
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