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Japão destina quase US$ 1 bilhão para nova rede de internet via satélite

Japão destinará quase US$ 1 bilhão para criar rede própria de satélites e reduzir a dependência do Starlink em comunicações estratégicas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Satélite

O governo do Japão prepara um dos maiores investimentos já realizados pelo país no setor de comunicações via satélite. A administração japonesa deve aprovar um subsídio de 150 bilhões de ienes (cerca de US$ 1 bilhão) para financiar a criação de uma constelação nacional de satélites de baixa órbita, reduzindo a dependência do serviço Starlink, operado pela empresa de Elon Musk.

O projeto será conduzido por um consórcio liderado pela Rakuten, um dos maiores grupos de tecnologia do Japão, em parceria com a empresa americana AST SpaceMobile. O objetivo é oferecer cobertura de internet via satélite diretamente para smartphones convencionais, sem necessidade de antenas externas ou equipamentos específicos.

A iniciativa faz parte da estratégia japonesa de fortalecer sua soberania tecnológica, ampliar a resiliência das comunicações em situações de emergência e diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros em uma infraestrutura considerada estratégica.

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Governo financiará projeto durante três anos

Japão
Imagem: Canva

Segundo informações divulgadas pelo jornal Nikkei Asia, o investimento será distribuído ao longo de três anos.

Os recursos serão destinados à compra de equipamentos, desenvolvimento da infraestrutura terrestre necessária para controlar os satélites e implantação da futura rede de comunicações.

A expectativa é que a joint venture entre Rakuten e AST SpaceMobile seja oficialmente criada ainda em 2026, permitindo o início do desenvolvimento da nova constelação de satélites.

O projeto integra uma política mais ampla do governo japonês voltada para segurança econômica, inovação tecnológica e fortalecimento da indústria espacial nacional.

Parceria com a AST SpaceMobile impulsiona o projeto

Tecnologia permitirá conexão direta com celulares

A escolha da AST SpaceMobile não aconteceu por acaso.

A empresa americana vem desenvolvendo uma tecnologia conhecida como Direct-to-Cell, que permite conectar smartphones convencionais diretamente aos satélites, eliminando a necessidade de antenas parabólicas ou receptores dedicados.

Na prática, isso significa que usuários poderão acessar serviços de comunicação mesmo em regiões onde não exista cobertura de antenas terrestres.

Esse modelo representa uma evolução importante em relação às primeiras gerações de internet via satélite, que normalmente exigem equipamentos específicos instalados nas residências ou empresas.

Rakuten amplia atuação no setor espacial

Conhecida internacionalmente por sua plataforma de comércio eletrônico, a Rakuten também atua nos setores financeiro, de telecomunicações e tecnologia.

Nos últimos anos, a companhia vem expandindo investimentos em infraestrutura digital e redes móveis, tornando-se uma das principais empresas japonesas envolvidas em projetos de inovação tecnológica.

A criação da nova empresa dedicada aos satélites reforça essa estratégia.

Por que o Japão quer reduzir a dependência do Starlink

Embora o Starlink seja atualmente uma das maiores redes de satélites do mundo, depender exclusivamente de empresas estrangeiras para serviços considerados essenciais passou a ser visto como um risco estratégico.

Segurança econômica

O conceito de segurança econômica ganhou força em diversos países após eventos recentes que expuseram vulnerabilidades nas cadeias globais de suprimentos e na infraestrutura tecnológica.

No caso japonês, possuir uma rede nacional de satélites significa:

  • maior autonomia tecnológica;
  • redução da dependência de empresas estrangeiras;
  • proteção de comunicações críticas;
  • maior controle sobre serviços estratégicos.

Esse movimento acompanha iniciativas semelhantes adotadas por países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia, que também vêm investindo em infraestrutura espacial própria.

Maior autonomia em situações críticas

Uma rede doméstica permite que o governo tenha maior capacidade de resposta durante crises, sem depender exclusivamente de decisões comerciais tomadas por empresas privadas sediadas em outros países.

Isso é especialmente relevante em áreas como:

  • defesa nacional;
  • gestão de desastres naturais;
  • comunicações governamentais;
  • atendimento emergencial.

O terremoto de Noto acelerou os planos

Catástrofe mostrou importância da comunicação via satélite

O terremoto que atingiu a Península de Noto em 2024 teve papel importante na aceleração do projeto.

Na ocasião, parte significativa da infraestrutura terrestre de telecomunicações foi danificada, comprometendo o funcionamento das redes tradicionais.

O Starlink foi utilizado para restabelecer rapidamente parte das comunicações em áreas afetadas, permitindo o funcionamento de serviços essenciais durante as operações de resgate.

Apesar do sucesso da tecnologia, o episódio reforçou uma preocupação do governo japonês: depender de uma empresa estrangeira em momentos críticos pode representar um risco para a segurança nacional.

A partir dessa experiência, aumentou o interesse em desenvolver uma solução nacional com capacidade semelhante.

Reação positiva do mercado financeiro

O anúncio do subsídio repercutiu imediatamente entre investidores.

As ações da Rakuten registraram valorização próxima de 8% após a divulgação das informações pelo Nikkei Asia, alcançando o maior patamar desde o início de junho.

O movimento ocorreu em um contexto de valorização das empresas de tecnologia e semicondutores na Bolsa de Tóquio, refletindo o otimismo do mercado com investimentos ligados à inovação e infraestrutura digital.

A expectativa é que o novo projeto fortaleça a posição da Rakuten no segmento de telecomunicações e amplie seu potencial de crescimento nos próximos anos.

Cobertura chegará além das grandes cidades

Benefícios para regiões isoladas

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Uma das principais vantagens das redes de satélites em órbita baixa é a capacidade de oferecer cobertura em locais onde a instalação de infraestrutura terrestre é economicamente inviável.

No Japão, isso inclui:

  • regiões montanhosas;
  • pequenas ilhas do arquipélago;
  • comunidades rurais;
  • áreas sujeitas a desastres naturais.

Nesses locais, construir torres de telefonia pode exigir altos investimentos e enfrentar dificuldades geográficas.

Com satélites de baixa órbita, a comunicação pode ser mantida mesmo quando a infraestrutura terrestre estiver indisponível.

Comunicação em emergências

Além do uso cotidiano, a nova rede poderá desempenhar papel fundamental em situações como:

  • terremotos;
  • tsunamis;
  • enchentes;
  • deslizamentos de terra;
  • interrupções prolongadas de energia.

A continuidade das comunicações é considerada essencial para operações de defesa civil, atendimento médico e coordenação de equipes de resgate.

O crescimento das redes Direct-to-Cell

O projeto japonês acompanha uma tendência global de expansão das chamadas redes Direct-to-Cell, capazes de conectar celulares diretamente aos satélites.

Essa tecnologia vem sendo desenvolvida por diferentes empresas e pode transformar a forma como usuários acessam serviços de telefonia em regiões remotas.

Além da AST SpaceMobile, outras companhias internacionais também investem nesse segmento, impulsionando uma nova fase da conectividade global.

Especialistas apontam que, nos próximos anos, a integração entre redes terrestres e satélites deverá se tornar cada vez mais comum, ampliando a cobertura e aumentando a resiliência das comunicações.

O que muda para o Japão

Japão
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Caso o cronograma seja cumprido, o país passará a contar com uma infraestrutura própria para serviços de comunicação via satélite, reduzindo significativamente sua dependência de operadoras estrangeiras.

Entre os principais benefícios esperados estão:

  • fortalecimento da soberania tecnológica;
  • maior segurança das comunicações nacionais;
  • expansão da cobertura para áreas remotas;
  • resposta mais rápida em situações de emergência;
  • incentivo ao desenvolvimento da indústria espacial japonesa.

Até o momento, nenhuma outra empresa japonesa apresentou proposta semelhante para obtenção de subsídios governamentais, colocando a Rakuten na liderança desse projeto estratégico.

Conclusão

O investimento de quase US$ 1 bilhão demonstra que o Japão considera as comunicações via satélite uma infraestrutura estratégica para seu futuro. Mais do que criar uma alternativa ao Starlink, o país busca fortalecer sua autonomia tecnológica, ampliar a segurança nacional e garantir conectividade em qualquer cenário, inclusive durante desastres naturais.

Se o projeto avançar conforme o previsto, o Japão poderá se tornar um dos principais protagonistas da nova geração de redes espaciais, consolidando uma infraestrutura capaz de integrar telefonia móvel, internet e serviços de emergência em todo o território nacional.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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