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Jornada de trabalho menor: veja quais países adotaram e os resultados

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 7 min de leitura
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A redução da jornada de trabalho já foi adotada por países como França, Portugal, Itália e Colômbia. As experiências mostram que trabalhar menos horas pode melhorar a qualidade de vida, mas os resultados sobre produtividade e emprego dependem de como a mudança é aplicada.

Enquanto algumas nações europeias convivem com essas regras há décadas, países latino-americanos adotaram calendários recentes de transição. No Chile, a jornada chegará a 40 horas em 2028. Na Colômbia, a redução para 42 horas foi concluída em julho de 2026.

O debate ganhou força no Brasil com a mudança que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A emenda foi promulgada pelo Congresso nesta sexta-feira, 16 de outubro.

As comparações internacionais ajudam a entender o que pode mudar na rotina dos trabalhadores. Também mostram por que reduzir horas, aumentar folgas e adotar uma semana de quatro dias são decisões diferentes.

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Quais países reduziram a jornada de trabalho?

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Imagem: Quality Stock Arts/shutterstock.com

As reformas variam no número de horas, no prazo de adaptação e na abrangência. Em alguns países, a legislação acompanhou jornadas menores que já eram praticadas por meio de acordos coletivos.

PaísRedução prevista ou adotadaSituação
FrançaDe 39 para 35 horas semanaisReforma estabelecida pelas leis de 1998 e 2000
PortugalDe 44 para 40 horas semanaisLei de 1996, com implementação gradual
ItáliaDe 48 para 40 horas semanaisReforma aprovada em 1997
BélgicaDe 40 para 38 horas semanaisObrigatoriedade consolidada em 2003
EslovêniaDe 42 para 40 horas semanaisReforma aprovada em 2002
ChileDe 45 para 40 horas semanaisLimite de 42 horas em 2026 e de 40 horas em 2028
ColômbiaDe 48 para 42 horas semanaisTransição concluída em julho de 2026
MéxicoDe 48 para 40 horas semanaisReduções programadas entre 2027 e 2030

Os números representam as regras gerais das reformas. Eles não significam que todos os profissionais desses países cumprem exatamente a mesma jornada, pois existem regimes específicos, contratos de tempo parcial e regras para trabalho extraordinário.

Outro cuidado é distinguir a duração normal do trabalho do limite máximo permitido. Na França, por exemplo, as 35 horas são uma referência legal para a jornada normal, e não uma proibição absoluta de trabalhar além desse período.

França: jornada de 35 horas trouxe mudanças além do relógio

A experiência francesa é uma das mais conhecidas. A redução de 39 para 35 horas foi construída pelas leis Aubry, aprovadas em 1998 e 2000, e envolveu negociações sobre a organização do trabalho.

A reforma também contou com medidas relacionadas às contribuições sociais das empresas. Isso dificulta atribuir todos os resultados econômicos apenas à diminuição da jornada.

Para os trabalhadores, pesquisas sobre as reformas francesa e portuguesa identificaram melhora no bem-estar, incluindo satisfação com o trabalho e com o tempo livre.

Já a criação de empregos apresenta resultados mais variados. Os estudos utilizam métodos diferentes e analisam empresas e períodos distintos, o que impede tratar o caso francês como uma demonstração simples de que menos horas sempre geram mais contratações.

Portugal: produtividade por hora não conta toda a história

Portugal passou de 44 para 40 horas semanais a partir de uma lei de 1996. Para os empregados atingidos, manter a remuneração mensal com menos horas elevou o valor recebido por hora de trabalho.

A experiência ajuda a compreender uma questão central: a produtividade pode aumentar por hora sem que a empresa amplie sua produção total.

Em um exemplo hipotético, uma equipe que realiza 400 atendimentos em 40 horas produz dez atendimentos por hora. Se passar a realizar 380 em 36 horas, a produtividade por hora aumenta, embora o total de atendimentos diminua.

Um estudo sobre a reforma portuguesa, divulgado pelo CEPREMAP, encontrou aumento da produtividade nominal, medida pelas vendas por hora, acompanhado de efeitos negativos sobre emprego e produção nas empresas afetadas.

O mesmo trabalho identificou diferenças em relação às empresas que haviam reduzido a jornada anteriormente por negociação coletiva. O resultado reforça que a preparação e as condições de cada negócio influenciam a adaptação.

Por isso, produtividade, produção total e emprego precisam ser avaliados separadamente. A melhora de um indicador não garante avanço automático nos demais.

Chile e Colômbia adotaram redução gradual

Na América Latina, os dois países escolheram distribuir a mudança ao longo de vários anos. Os calendários, porém, estão em etapas diferentes.

Chile chegará às 40 horas em 2028

A jornada ordinária chilena caiu de 45 para 44 horas em abril de 2024. Em 26 de abril de 2026, o limite passou para 42 horas.

A última etapa está prevista para 26 de abril de 2028, quando chegará a 40 horas semanais. Empresas podem antecipar a redução, respeitadas as condições legais.

Como a transição continua, ainda é necessário acompanhar os efeitos da reforma completa. Resultados observados durante a adaptação não devem ser apresentados como um balanço definitivo das 40 horas.

Colômbia concluiu a transição em julho de 2026

A legislação colombiana estabeleceu a redução de 48 para 42 horas semanais, sem diminuição salarial. O cronograma chegou à etapa final em 15 de julho de 2026.

A regra permite distribuir as horas em cinco ou seis dias, mediante acordo e com garantia do descanso.

Esse detalhe importa para a comparação com o Brasil: uma jornada semanal menor pode continuar distribuída em seis dias. Reduzir o total de horas não significa, por si só, estabelecer duas folgas semanais.

México tem calendário para alcançar 40 horas em 2030

O México também aprovou uma reforma para diminuir a jornada semanal. Segundo a Secretaria do Trabalho e Previdência Social mexicana, a mudança constitucional foi publicada em março de 2026.

O cronograma prevê 46 horas em 2027, 44 em 2028, 42 em 2029 e 40 em 2030.

Assim, o país representa uma experiência de transição planejada. Ainda não é possível atribuir resultados econômicos à aplicação integral das 40 horas, porque essa etapa permanece no futuro.

Menos horas de trabalho aumentam as contratações?

A experiência internacional não sustenta uma resposta única. Uma análise da OCDE sobre reformas europeias identificou redução efetiva das horas, mas não encontrou efeito estatisticamente significativo sobre o emprego no conjunto avaliado.

Isso não significa ausência de contratações ou demissões em empresas específicas. Significa que a pesquisa não encontrou uma alteração geral clara atribuível à medida naquele recorte.

As empresas podem responder de diferentes formas: reorganizar atividades, investir em equipamentos, contratar trabalhadores ou recorrer a horas extras dentro das regras.

Uma loja que precisa manter atendimento ao público durante todo o horário de funcionamento enfrenta um desafio diferente de um escritório que consegue reduzir reuniões e eliminar tarefas repetidas.

Por essa razão, a quantidade de empregos depende também da demanda, dos custos e das possibilidades de reorganização de cada setor.

O que o Brasil pode aprender com essas experiências?

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Imagem: Freepik

A primeira lição é que a redução legal precisa se transformar em diminuição real do tempo trabalhado. Se as mesmas tarefas forem mantidas sem reorganização, pode haver intensificação do trabalho ou aumento das horas extras.

Também é necessário planejar a cobertura dos horários. Comércio, saúde, transporte e outras atividades com atendimento contínuo precisam avaliar turnos e dimensionamento das equipes.

Outra lição é medir os resultados com vários indicadores. Remuneração, horas efetivas, afastamentos, produtividade e qualidade do atendimento ajudam a verificar os efeitos da mudança.

No Brasil, a transição promulgada prevê a passagem para 42 horas após dois meses e para 40 horas depois de mais um ano. A aplicação gradual permite preparar escalas e processos, mas exige acompanhamento.

As experiências internacionais apontam possibilidades de melhora do bem-estar e de reorganização produtiva. O resultado depende de regras claras, adaptação das empresas e cumprimento efetivo dos novos limites.

Informações verificadas em fontes oficiais dos países citados, no Senado Federal, na OCDE e em pesquisas sobre as reformas europeias.

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