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Instagram e WhatsApp serão vendidos? Entenda a situação

A FTC inicia julgamento contra a Meta nos EUA, alegando monopólio com as compras do Instagram e WhatsApp. Caso pode mudar o setor de redes sociais.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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Nesta segunda-feira, 14 de abril de 2025, um dos julgamentos mais aguardados no setor de tecnologia e redes sociais começa nos Estados Unidos. A Comissão Federal de Comércio (FTC), agência americana de defesa do consumidor e da concorrência, leva ao tribunal a gigante Meta, acusando-a de monopólio ao adquirir o Instagram em 2012 e o WhatsApp em 2014.

Na visão da FTC, essas aquisições não foram apenas decisões de negócios, mas sim estratégias para eliminar concorrentes promissores que ameaçavam o domínio do Facebook. A ação judicial pode forçar a Meta, liderada por Mark Zuckerberg, a se desfazer dessas plataformas.

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O caso da FTC contra a Meta

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Imagem: TY Lim / shutterstock.com

Compras que mudaram o cenário digital

A compra do Instagram por US$ 1 bilhão em 2012 e do WhatsApp por US$ 19 bilhões em 2014 consolidou a posição da Meta como um império das redes sociais. Na época, a própria FTC aprovou as transações. Contudo, anos depois, a comissão revisitou os efeitos dessas fusões, alegando que os danos à concorrência só ficaram claros com o tempo.

O argumento do monopólio

Rebecca Haw Allensworth, especialista em direito antitruste da Universidade Vanderbilt, aponta que o principal argumento da FTC é que a Meta agiu para neutralizar a concorrência. Segundo ela, e-mails de Zuckerberg podem ser peça-chave no caso. Em uma das mensagens, o CEO afirmou que “é melhor comprar do que competir”, declaração que pode ser usada como evidência de intenção anticompetitiva.

Defesa da Meta: inovação e benefício ao consumidor

A Meta sustenta que os usuários foram beneficiados com a integração das plataformas. A empresa argumenta que o Instagram e o WhatsApp evoluíram significativamente sob sua gestão e que hoje competem com plataformas como TikTok, YouTube, iMessage e X (antigo Twitter).

“Os processos da FTC contra a Meta desafiam a realidade”, disse um porta-voz da empresa à BBC. “Mais de dez anos depois que a FTC revisou e liberou nossas aquisições, a ação da comissão neste caso envia a mensagem de que nenhum acordo é verdadeiramente final.”

Provas e testemunhas: o papel de Zuckerberg no julgamento

Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg, ex-diretora de operações da empresa, devem prestar depoimento nas próximas semanas. Especialistas acreditam que suas declarações e documentos internos podem ser decisivos para o desfecho.

A Meta deverá insistir que as intenções pessoais de Zuckerberg, mesmo que questionáveis, não invalidam os benefícios reais proporcionados pelas aquisições.

Repercussões políticas: o fator Trump

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Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com

Um caso com potencial de politização

O caso FTC contra a Meta teve início ainda no primeiro mandato de Donald Trump e prossegue agora, em seu segundo mandato, sob olhares atentos da opinião pública. De acordo com o Wall Street Journal, Zuckerberg teria feito lobby pessoal junto ao então presidente para encerrar o processo. A Meta não comentou diretamente a acusação, mas alegou que os processos refletem uma tentativa de reverter decisões já analisadas e aprovadas.

Mudanças na composição da FTC

Recentemente, Trump demitiu dois comissários democratas da FTC: Rebecca Kelly Slaughter e Alvaro Bedoya. Eles agora processam o governo para retomar seus cargos. Ambos denunciaram publicamente que sua retirada teve motivação política, e que o atual presidente da FTC, Andrew Ferguson, está sob pressão semelhante.

“O presidente enviou um sinal muito claro: se os comissários não agirem conforme o esperado, podem ser demitidos”, afirmou Slaughter.

A FTC sob ataque: independência em xeque

Ferguson, nomeado por Trump, já declarou que seguiria “ordens legais”, mas expressou surpresa ante a possibilidade de ser instruído a encerrar o processo. Em declarações recentes, Ferguson também questionou a independência de agências reguladoras, dizendo que “não são boas para a democracia”.

A FTC, nos últimos anos, tem desempenhado um papel fundamental no combate a abusos de poder econômico, recuperando valores para consumidores e aprovando regulações contra práticas enganosas.

Comparações com o caso Google

Contexto do julgamento contra o Google

O caso contra a Meta ocorre paralelamente a outro julgamento histórico: EUA vs. Google. No ano passado, um juiz concluiu que o Google possui monopólio sobre buscas online, com 90% do mercado. O Departamento de Justiça agora pressiona para dividir o negócio da gigante de buscas.

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Diferenças fundamentais entre os casos

Laura Phillips-Sawyer, professora da Universidade da Geórgia, avalia que a FTC terá mais dificuldade em provar o monopólio da Meta do que o governo teve contra o Google. Isso porque, no mercado de redes sociais, há maior diversidade de plataformas e modelos de uso.

“Acho que eles têm uma batalha muito difícil pela frente”, afirma. “Antes de considerar a venda do Instagram ou do WhatsApp, será preciso comprovar que não há competição real nesse setor.”

O que está em jogo no julgamento da Meta

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Imagem: Sergei Elagin / Shutterstock

Potencial desmembramento da empresa

Se a FTC vencer, a Meta poderá ser obrigada a vender o Instagram e o WhatsApp — algo inédito na história das grandes empresas de tecnologia. Esse movimento seria um recado claro às chamadas “big techs” de que o poder de mercado acumulado não é imune à regulação.

Impacto global

O resultado do julgamento pode servir de precedente para regulações similares em outros países. Europa, Brasil e Austrália já vêm adotando medidas mais rigorosas contra plataformas digitais, incluindo exigências sobre transparência, privacidade e responsabilidade por conteúdo.

Reações do mercado

Investidores acompanham o julgamento com atenção, pois uma decisão contra a Meta poderá redefinir sua estrutura de negócios e afetar seu valor de mercado. Até agora, a empresa tem mantido o discurso de confiança, mas reconhece que o processo representa um risco jurídico importante.

Considerações finais

O julgamento da FTC contra a Meta será um marco na história do direito antitruste digital. Mais do que avaliar fusões passadas, o caso levanta questões profundas sobre o poder das grandes empresas de tecnologia, o papel das agências reguladoras e os limites da inovação diante da concorrência.

Independentemente do desfecho, o processo já serve como alerta para o Vale do Silício: estratégias de crescimento baseadas na eliminação de concorrentes podem ter consequências legais de longo prazo.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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