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Juros abusivos? Nunca mais! Veja o que muda com a nova lei do cartão de crédito!

A nova Lei 14.690/23 limita os juros do cartão de crédito e formaliza o programa Desenrola Brasil para renegociação de dívidas. Veja mais!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
homem segura cartão de crédito enquanto olha para o celular

O Brasil acaba de dar um passo decisivo rumo ao alívio financeiro das famílias. Com a sanção da Lei 14.690/23 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, novas regras passam a valer para o mercado de cartões de crédito, especialmente no que diz respeito ao famigerado rotativo.

As mudanças são estratégicas: frear os juros exorbitantes, conter o ciclo de endividamento e permitir que o consumidor volte a ter controle sobre sua vida financeira.

O fim da era dos juros abusivos

juros altos
Imagem: Freepik

Limite fixado para os juros rotativos

Um dos pontos centrais da Lei 14.690/23 é a imposição de um teto para os juros do crédito rotativo, modalidade que vinha acumulando críticas e inadimplência há anos. Anteriormente, as instituições financeiras tinham liberdade para cobrar juros superiores a 400% ao ano, o que colocava os consumidores em um ciclo vicioso de endividamento.

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Assim, o CMN passou a ter autoridade para fixar um limite. Se os bancos não apresentarem um plano de autorregulação dentro do prazo estipulado, o teto será de 100% sobre o valor original da dívida. Ou seja, uma dívida de R$ 1.000 não poderá ultrapassar R$ 2.000.

Impacto esperado

A medida, inspirada em modelos internacionais, tende a reduzir a inadimplência e a evitar que consumidores sejam penalizados indefinidamente por débitos que crescem sem controle. Para os bancos, significa a necessidade de rever políticas de crédito e buscar novos critérios de concessão mais responsáveis.

Desenrola Brasil: uma chance real de recomeço

Programa nacional de renegociação de dívidas

A outra grande inovação da Lei 14.690/23 é a formalização do Desenrola Brasil, um programa criado para promover a renegociação de dívidas com bancos, empresas de serviços públicos e o varejo.

Voltado a pessoas físicas, o Desenrola utiliza uma plataforma digital que permite consultar débitos, negociar condições e fechar acordos com poucos cliques. O objetivo é incluir novamente os inadimplentes no sistema financeiro, dando acesso ao crédito e reabilitação econômica.

Como o programa funciona?

O Desenrola é dividido em duas faixas, conforme a renda do consumidor:

Faixa 1

  • Público-alvo: Pessoas com renda de até dois salários mínimos ou inscritas no CadÚnico.
  • Valor máximo das dívidas: R$ 5.000.
  • Condições: possibilidade de dividir o valor em até 60 prestações, com início do pagamento após um período de até 59 dias.
  • Foco: Restaurar a capacidade financeira das famílias mais vulneráveis.

Faixa 2

  • Público-alvo: Pessoas com renda de até R$ 20 mil.
  • Modalidade de negociação: realizada diretamente com os credores, como bancos e outras instituições financeiras.

  • Incentivo: O governo concede benefícios fiscais às empresas que participarem e oferecerem condições facilitadas.

Essa estrutura permite atender desde os mais pobres até a classe média, em um modelo abrangente e flexível.

O que muda na prática para consumidores e bancos

Para os consumidores

  • Menos juros: dívidas deixaram de ser uma sentença perpétua.
  • Mais clareza: com o limite dos juros, o consumidor pode prever o crescimento da dívida.
  • Mais oportunidades: O Desenrola permite limpar o nome e retornar ao mercado de crédito.
  • Acesso digital: todo o processo de renegociação pode ser feito online, sem burocracia.

Para os bancos e credores

  • Nova postura de risco: com o teto para juros, as instituições precisarão reavaliar o perfil de risco dos clientes.
  • Adesão ao Desenrola: os bancos que participam ganham incentivos fiscais, o que pode equilibrar eventuais perdas com juros.
  • Maior concorrência: a tendência é que instituições ofereçam condições mais atrativas para não perder clientes para concorrentes com melhores propostas.

Comparativo: antes e depois da Lei 14.690/23

AspectoAntes da Lei 14.690/23Depois da Lei 14.690/23
Juros rotativoAté 400% ao anoMáximo de 100% da dívida
Plano de autorregulaçãoInexistenteObrigatório para evitar o teto
Renegociação de dívidasLimitada e burocráticaDigital, simples e personalizada
Acesso para baixa rendaRestritoPrioritário (Faixa 1)
Incentivo fiscal para bancosNão haviaAgora previsto em lei

Desafios e críticas

Selic
Imagem: Reprodução/Shutterstock

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Embora elogiada, a nova legislação não está livre de questionamentos:

Possível restrição ao crédito

Alguns economistas temem que o limite de juros leve os bancos a reduzirem a oferta de crédito, principalmente para os consumidores de maior risco. Isso poderia restringir o acesso ao financiamento para parte da população.

Sustentabilidade do Desenrola

Outro ponto de atenção é a continuidade do Desenrola Brasil após o período inicial. Para que o programa seja eficaz a longo prazo, será necessário mantê-lo atualizado e garantir que as renegociações não voltem a se tornar novas dívidas impagáveis.

FAQ – Perguntas Frequentes

O que acontece se os bancos não se adequarem ao limite de juros?

Caso as instituições financeiras não apresentem um plano adequado de autorregulação, será aplicado automaticamente o limite de 100% sobre o valor original da dívida.

Preciso ir até uma agência para renegociar pelo Desenrola?

Não. Todo o processo é digital e pode ser feito por meio da plataforma oficial do programa.

Considerações finais

A Lei 14.690/23 representa uma virada de chave no sistema financeiro brasileiro. Ao limitar os juros rotativos e estruturar o Desenrola Brasil, o país dá um passo firme na direção do alívio financeiro para milhões de pessoas.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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