O Brasil acaba de dar um passo decisivo rumo ao alívio financeiro das famílias. Com a sanção da Lei 14.690/23 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, novas regras passam a valer para o mercado de cartões de crédito, especialmente no que diz respeito ao famigerado rotativo.
As mudanças são estratégicas: frear os juros exorbitantes, conter o ciclo de endividamento e permitir que o consumidor volte a ter controle sobre sua vida financeira.
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O fim da era dos juros abusivos

Limite fixado para os juros rotativos
Um dos pontos centrais da Lei 14.690/23 é a imposição de um teto para os juros do crédito rotativo, modalidade que vinha acumulando críticas e inadimplência há anos. Anteriormente, as instituições financeiras tinham liberdade para cobrar juros superiores a 400% ao ano, o que colocava os consumidores em um ciclo vicioso de endividamento.
Assim, o CMN passou a ter autoridade para fixar um limite. Se os bancos não apresentarem um plano de autorregulação dentro do prazo estipulado, o teto será de 100% sobre o valor original da dívida. Ou seja, uma dívida de R$ 1.000 não poderá ultrapassar R$ 2.000.
Impacto esperado
A medida, inspirada em modelos internacionais, tende a reduzir a inadimplência e a evitar que consumidores sejam penalizados indefinidamente por débitos que crescem sem controle. Para os bancos, significa a necessidade de rever políticas de crédito e buscar novos critérios de concessão mais responsáveis.
Desenrola Brasil: uma chance real de recomeço
Programa nacional de renegociação de dívidas
A outra grande inovação da Lei 14.690/23 é a formalização do Desenrola Brasil, um programa criado para promover a renegociação de dívidas com bancos, empresas de serviços públicos e o varejo.
Voltado a pessoas físicas, o Desenrola utiliza uma plataforma digital que permite consultar débitos, negociar condições e fechar acordos com poucos cliques. O objetivo é incluir novamente os inadimplentes no sistema financeiro, dando acesso ao crédito e reabilitação econômica.
Como o programa funciona?
O Desenrola é dividido em duas faixas, conforme a renda do consumidor:
Faixa 1
- Público-alvo: Pessoas com renda de até dois salários mínimos ou inscritas no CadÚnico.
- Valor máximo das dívidas: R$ 5.000.
- Condições: possibilidade de dividir o valor em até 60 prestações, com início do pagamento após um período de até 59 dias.
- Foco: Restaurar a capacidade financeira das famílias mais vulneráveis.
Faixa 2
- Público-alvo: Pessoas com renda de até R$ 20 mil.
- Modalidade de negociação: realizada diretamente com os credores, como bancos e outras instituições financeiras.
- Incentivo: O governo concede benefícios fiscais às empresas que participarem e oferecerem condições facilitadas.
Essa estrutura permite atender desde os mais pobres até a classe média, em um modelo abrangente e flexível.
O que muda na prática para consumidores e bancos
Para os consumidores
- Menos juros: dívidas deixaram de ser uma sentença perpétua.
- Mais clareza: com o limite dos juros, o consumidor pode prever o crescimento da dívida.
- Mais oportunidades: O Desenrola permite limpar o nome e retornar ao mercado de crédito.
- Acesso digital: todo o processo de renegociação pode ser feito online, sem burocracia.
Para os bancos e credores
- Nova postura de risco: com o teto para juros, as instituições precisarão reavaliar o perfil de risco dos clientes.
- Adesão ao Desenrola: os bancos que participam ganham incentivos fiscais, o que pode equilibrar eventuais perdas com juros.
- Maior concorrência: a tendência é que instituições ofereçam condições mais atrativas para não perder clientes para concorrentes com melhores propostas.
Comparativo: antes e depois da Lei 14.690/23
| Aspecto | Antes da Lei 14.690/23 | Depois da Lei 14.690/23 |
|---|---|---|
| Juros rotativo | Até 400% ao ano | Máximo de 100% da dívida |
| Plano de autorregulação | Inexistente | Obrigatório para evitar o teto |
| Renegociação de dívidas | Limitada e burocrática | Digital, simples e personalizada |
| Acesso para baixa renda | Restrito | Prioritário (Faixa 1) |
| Incentivo fiscal para bancos | Não havia | Agora previsto em lei |
Desafios e críticas

Embora elogiada, a nova legislação não está livre de questionamentos:
Possível restrição ao crédito
Alguns economistas temem que o limite de juros leve os bancos a reduzirem a oferta de crédito, principalmente para os consumidores de maior risco. Isso poderia restringir o acesso ao financiamento para parte da população.
Sustentabilidade do Desenrola
Outro ponto de atenção é a continuidade do Desenrola Brasil após o período inicial. Para que o programa seja eficaz a longo prazo, será necessário mantê-lo atualizado e garantir que as renegociações não voltem a se tornar novas dívidas impagáveis.
FAQ – Perguntas Frequentes
O que acontece se os bancos não se adequarem ao limite de juros?
Caso as instituições financeiras não apresentem um plano adequado de autorregulação, será aplicado automaticamente o limite de 100% sobre o valor original da dívida.
Preciso ir até uma agência para renegociar pelo Desenrola?
Não. Todo o processo é digital e pode ser feito por meio da plataforma oficial do programa.
Considerações finais
A Lei 14.690/23 representa uma virada de chave no sistema financeiro brasileiro. Ao limitar os juros rotativos e estruturar o Desenrola Brasil, o país dá um passo firme na direção do alívio financeiro para milhões de pessoas.




