O Bitcoin (BTC) voltou a registrar forte valorização no mercado nesta quinta-feira (8), subindo 2,6% e sendo cotado a US$ 99.542 por volta das 8h55 da manhã (horário de Brasília), segundo dados do CoinGecko. Trata-se do maior patamar da criptomoeda desde o dia 7 de fevereiro, quando chegou a ser negociada por US$ 100.133.
Bitcoin encosta nos US$ 100 mil e lidera nova alta das criptomoedas mesmo com juros nos EUA inalterados
O Bitcoin atinge a maior cotação desde fevereiro e se aproxima dos US$ 100 mil. Mercado reage positivamente apesar da manutenção dos juros pelo Fed.
A valorização ocorre apesar da manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e de falas conservadoras de seu presidente, Jerome Powell, indicando que cortes de juros não devem acontecer antes de julho.
A resiliência do BTC é atribuída a uma combinação de fatores macroeconômicos, fluxos institucionais e avanços geopolíticos.
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Contexto macroeconômico: Fed mantém juros e sinaliza cautela
Na quarta-feira (7), o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu manter a taxa básica de juros entre 4,25% e 4,5% ao ano. Em sua fala após a reunião, Jerome Powell declarou que ainda não há sinais suficientes para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário, expressando preocupações com o ritmo da inflação e com o desempenho da economia americana.
A perspectiva de juros mais elevados por um período prolongado inicialmente pressionou os mercados tradicionais, mas o Bitcoin conseguiu inverter essa expectativa negativa.
Segundo Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, a leitura do mercado foi de que o primeiro corte de juros, antes previsto para junho, deverá ser adiado para julho. Essa mudança de expectativa gerou impacto direto nos títulos do Tesouro americano (treasuries) de curto prazo e impulsionou o dólar, que voltou a se valorizar frente a moedas emergentes e desenvolvidas.
Guerra comercial: EUA assinam acordo com Reino Unido e retomam diálogo com China
Outro fator relevante para o movimento positivo do BTC foi o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a assinatura de um “acordo comercial completo e abrangente” com o Reino Unido. O anúncio foi bem recebido pelo mercado, sinalizando um realinhamento econômico entre as duas nações em meio a tensões globais.
Paralelamente, retomam-se hoje as negociações entre Estados Unidos e China, que voltam a discutir tarifas e barreiras comerciais em meio à guerra comercial. A incerteza em torno desses diálogos reforça o papel do Bitcoin como ativo de reserva de valor em tempos de instabilidade política e econômica.
Para André Franco, CEO da Boost Research, “a ausência de clareza nos rumos da política monetária e nas negociações comerciais reforça o interesse por ativos descentralizados como o Bitcoin, que não dependem de governos e bancos centrais”.
ETFs de Bitcoin registram fluxo positivo de US$ 142 milhões
Os fundos de índice (ETFs) de Bitcoin à vista que operam nas bolsas americanas registraram saldo líquido positivo de US$ 142,3 milhões na última quarta-feira. Os três fundos com maior captação de recursos foram:
- ARKB (Ark Invest): US$ 54,7 milhões em entradas líquidas;
- FBTC (Fidelity): US$ 39,9 milhões;
- IBIT (BlackRock): US$ 37,2 milhões.
Esse fluxo positivo indica um renovado interesse institucional pela maior criptomoeda do mercado, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. O dado é particularmente relevante ao mostrar que, mesmo com juros elevados, investidores estão dispostos a alocar recursos em ativos alternativos.
ETFs de Ethereum registram saídas
Por outro lado, os fundos de ether (ETH), a criptomoeda da rede Ethereum, registraram saques líquidos de US$ 21,8 milhões no mesmo período. O fundo ETHA, da BlackRock, foi o único responsável por esse movimento negativo, indicando possível realocação de capital em direção ao Bitcoin no curto prazo.
Cotação do mercado de criptomoedas: ETH, XRP, SOL e BNB sobem

Além do Bitcoin, outras criptomoedas também apresentaram valorização nesta quinta-feira. A cotação das principais altcoins é a seguinte:
- Ethereum (ETH): +6,4%, cotado a US$ 1.953
- XRP (Ripple): +3,1%, cotado a US$ 2,21
- Solana (SOL): +4,7%, cotada a US$ 154,43
- BNB (Binance Smart Chain): +1,2%, cotado a US$ 613,90
O valor de mercado agregado de todas as criptomoedas supera US$ 3,2 trilhões, impulsionado principalmente pela valorização do BTC e do ETH. Em reais, o Bitcoin está cotado a R$ 571.785, com alta de 3,2%, conforme dados do Cointrader Monitor.
Análise técnica do Bitcoin: resistência próxima e cenário otimista
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin testa uma zona de forte resistência psicológica e gráfica ao se aproximar dos US$ 100 mil. Se conseguir romper esse patamar com volume e consistência, o próximo objetivo projetado por analistas pode chegar a US$ 108 mil ainda neste mês.
A média móvel de 50 dias também se encontra em trajetória ascendente, o que sinaliza continuidade da tendência de alta. O Índice de Força Relativa (RSI) ainda não entrou em zona de sobrecompra, indicando espaço para novas valorizações antes de uma correção técnica mais significativa.
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Fatores que sustentam o otimismo com o Bitcoin
1. Fluxo institucional constante
A entrada diária de capital via ETFs nos EUA, especialmente por gestores de peso como BlackRock, Fidelity e Ark Invest, fornece liquidez e validação institucional à tese de investimento em Bitcoin.
2. Adoção como reserva de valor
Com incertezas nos mercados globais, inflação resistente e juros altos, o Bitcoin continua sendo visto por muitos como um “ouro digital”. Sua escassez programada e caráter descentralizado o tornam atraente em tempos de desconfiança monetária.
3. Halving recente
O último halving do Bitcoin, ocorrido em abril, reduziu a emissão diária de novos BTCs. Esse fator, historicamente associado a ciclos de valorização, continua influenciando a oferta e contribuindo para a pressão de alta.
Desafios no horizonte: Fed, China e regulação
Apesar do cenário positivo de curto prazo, analistas alertam para riscos importantes que ainda rondam o mercado:
- Decisões futuras do Fed podem apertar as condições monetárias, pressionando ativos de risco
- Tensões geopolíticas com a China podem trazer instabilidade
- Avanços regulatórios nos EUA e Europa ainda geram insegurança jurídica em parte dos investidores
Conclusão: Bitcoin desafia expectativas e mira nova máxima histórica

Mesmo em um cenário econômico desafiador, com juros elevados e incertezas globais, o Bitcoin demonstra força e se aproxima da barreira simbólica dos US$ 100 mil. A combinação de fluxo institucional, fundamentos técnicos sólidos e contexto macroeconômico instável favorece sua valorização.
Com o mercado cada vez mais atento ao papel do BTC como reserva de valor e hedge contra políticas monetárias imprevisíveis, cresce a possibilidade de uma nova máxima histórica ainda no primeiro semestre de 2025.
