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Juros do cartão de crédito disparam e atingem 449,9%

As taxas de juros do cartão de crédito rotativo subiram de forma expressiva em maio de 2025, segundo dados recentes divulgados pelo Banco Central. Com um aumento de 5,7 pontos percentuais em relação ao mês anterior, a taxa média alcançou 449,9% ao ano — um dos níveis mais altos entre as modalidades de crédito disponíveis no mercado.

Esse movimento representa um novo alerta para consumidores que utilizam o crédito rotativo como forma emergencial de pagamento, pois os custos dessa dívida são extremamente elevados e impactam diretamente o orçamento familiar.

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O que é o crédito rotativo e por que ele é tão caro?

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Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não consegue pagar o valor integral da fatura do cartão de crédito na data de vencimento. Nesse cenário, o saldo devedor é financiado pelo banco, que cobra juros elevados para compensar o risco da operação.

O Banco Central esclarece que, caso o cliente não quite a dívida no prazo, a instituição financeira deve oferecer alternativas para pagamento parcelado em condições menos onerosas — esse prazo é de 30 dias para que o consumidor regularize a situação.

No entanto, como os juros do rotativo podem chegar a patamares assustadores, a inadimplência tende a aumentar a bola de neve das dívidas, prejudicando a saúde financeira do usuário do cartão.

Limites para os juros do rotativo: o que mudou em 2024?

No final de 2023, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que restringe os juros cobrados nas operações do crédito rotativo. Desde 3 de janeiro de 2024, as taxas não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida.

Apesar dessa limitação legal, o relatório do Banco Central revela que a taxa anual média do rotativo permanece em níveis exorbitantes, chegando a 449,9% em maio de 2025. Esse dado reflete que, mesmo com restrições, o custo para quem usa o rotativo ainda é muito elevado.

Cartão de crédito parcelado também teve alta

Outra modalidade que teve aumento nas taxas foi o cartão de crédito parcelado, cujo juro médio subiu 2,4 pontos percentuais, alcançando 181% ao ano em maio.

O parcelamento da fatura é uma opção comum para consumidores que não conseguem pagar o total da fatura, mas os juros praticados continuam altos, tornando essa alternativa bastante custosa no longo prazo.

Além disso, considerando todas as modalidades combinadas, a taxa total de juros do cartão de crédito saltou de 86,7% em abril para 90,1% em maio.

Cheque especial registra leve queda nos juros

Enquanto o cartão de crédito teve aumento expressivo nas taxas, o cheque especial — a segunda linha de crédito mais cara no mercado — apresentou uma redução.

Em maio, a taxa média do cheque especial caiu 2,7 pontos percentuais, passando de 137,4% para 134,7% ao ano. Embora essa retração seja positiva, os juros ainda permanecem altos, caracterizando essa modalidade como uma opção de crédito bastante onerosa para os consumidores.

Crédito consignado mantém tendência de baixa

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Imagem: Immersion Imagery / Shutterstock.com

Diferente do rotativo e do cheque especial, o crédito consignado continuou em queda, com uma redução de 0,4 ponto percentual em maio, chegando a 26,5% ao ano.

Essa modalidade é popular por oferecer taxas mais baixas, já que o pagamento das parcelas é descontado diretamente da folha de pagamento do tomador, diminuindo o risco para as instituições financeiras.

Impactos para o consumidor e a economia

O aumento das taxas do cartão de crédito rotativo indica que o consumidor brasileiro enfrenta um cenário financeiro ainda desafiador. Juros elevados dificultam a quitação das dívidas e podem aumentar os índices de inadimplência, pressionando o orçamento doméstico e afetando o consumo.

Para a economia, taxas tão altas podem reduzir o poder de compra e desacelerar o crescimento, já que famílias comprometem maior parte da renda para pagar juros.

Como evitar que os juros do cartão de crédito disparem?

Especialistas recomendam que o consumidor evite usar o crédito rotativo como forma de financiamento. Algumas dicas importantes:

  • Pague o valor total da fatura: sempre que possível, quite o saldo integral para evitar a incidência de juros altos.
  • Negocie com o banco: caso não consiga pagar a fatura, busque condições de parcelamento oferecidas pela instituição financeira, que normalmente são menos onerosas do que o rotativo.
  • Planeje o orçamento: controle gastos e evite compras que não cabem no orçamento mensal.
  • Considere alternativas: outras modalidades de crédito com juros menores, como empréstimos consignados, podem ser opções melhores para emergências financeiras.

Cenário futuro: atenção à gestão das dívidas

Com o cenário atual de juros altos, consumidores e especialistas alertam para a importância da educação financeira e da atenção redobrada ao uso do crédito.

O Banco Central e órgãos reguladores monitoram o mercado para evitar práticas abusivas, mas a principal responsabilidade ainda é do usuário.