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Pequenas empresas sentem mais o peso da alta dos juros, alerta Itaú Asset

Cenário de crédito em 2025 exige mais seletividade dos gestores e desafia pequenas empresas. Saiba os impactos em FDICs, CRIs, agro e setor imobiliário.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
alternativa de credito para micro e pequenas empresas

O mercado de crédito brasileiro em 2025 vive um momento de contrastes marcantes. Enquanto grandes companhias com bom grau de solvência continuam acessando o mercado de capitais com relativa facilidade, as pequenas empresas, assim como as médias, enfrentam desafios cada vez maiores para obter financiamento e manter suas operações.

A inadimplência, o encarecimento das linhas de crédito e a maior seletividade dos gestores de ativos estão redefinindo as regras do jogo.

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Dualidade no acesso ao crédito: grandes empresas x PMEs

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A atual dinâmica de crédito no Brasil tem evidenciado duas realidades distintas. De um lado, companhias sólidas, com rating elevado e bom histórico financeiro, continuam tendo portas abertas para emissões de debêntures, captação via CRIs e CRAs e até ofertas públicas no mercado.

Do outro lado, pequenas e médias empresas seguem em busca de fontes alternativas de financiamento, muitas vezes concentradas em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs) ou operações privadas.

O desafio das PMEs em 2025

Segundo Fayga Delbem, gestora de crédito da Itaú Asset, as empresas menores estão cada vez mais vulneráveis ao cenário macroeconômico. “Elas fazem menos parte das carteiras e acabam ficando fora do radar do investidor de crédito tradicional”, afirmou em entrevista recente ao programa Outliers, do InfoMoney.

Essa exclusão se reflete diretamente nas taxas de juros oferecidas a esse segmento, que enfrentam spreads mais altos e maior rigor nas análises de risco.

Inadimplência pressiona e exige gestão ativa

O aumento da inadimplência é uma das principais preocupações do mercado em 2025, sobretudo entre PMEs.

Gestão ativa como resposta à inadimplência

Fayga Delbem destacou que a gestão ativa se tornou ainda mais fundamental. “O risco-retorno está ficando mais complexo, e por isso temos buscado melhorar a qualidade das carteiras, mesmo que isso implique abrir mão de um pouco de spread.”

A estratégia da Itaú Asset tem sido privilegiar ativos de menor duração e diversificar os setores. O uso de FDICs como instrumento para acessar crédito de melhor perfil também tem aumentado. “Se no ano passado compramos sete FDICs, este ano já passamos de dez aquisições”, comentou Fayga.

O papel dos FDICs e CRIs na carteira dos gestores

Os FDICs seguem como uma das alternativas mais usadas para financiar empresas menores, especialmente em setores como varejo e prestação de serviços.

Proteções estruturais nos FDICs

Outro ponto ressaltado pela Itaú Asset é o aumento das proteções embutidas nos FDICs, como subordinados mais robustos e cláusulas de gatilho que permitem maior segurança ao investidor.

Já os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) continuam atraindo gestores em busca de proteção contra a inflação, apesar dos desafios enfrentados pelo setor de construção civil.

Tributação: impacto limitado sobre ativos incentivados

Maceió
Imagem: marvent / Shutterstock.com

A proposta de alteração na tributação de ativos incentivados, como debêntures de infraestrutura, é outro tema em debate entre os gestores.

Mudanças nas alíquotas

O governo propôs aumentar a alíquota de imposto sobre esses ativos de 0% para até 5%. Apesar disso, o impacto, segundo Fayga Delbem, será relativamente pequeno.

“Mesmo com a alíquota indo de zero para 5%, o aumento relativo de imposto é de apenas 2,5 pontos percentuais, considerando a alta geral da renda fixa de 15% para 17,5%. Não inviabiliza o produto”, avaliou.

Dinamismo do mercado de infraestrutura

Mesmo com o possível fim da isenção total, o mercado de debêntures incentivadas segue atrativo. Em 2024, mais de R$ 100 bilhões foram captados por meio dessas operações.

“Seguimos bastante entusiastas. É uma das poucas classes que permite exposição a outros indexadores, como a inflação. E, com gestão ativa, conseguimos ancorar operações, obter prêmios maiores e depois girar a carteira com valorização no secundário”, acrescentou Fayga.

O setor agropecuário: crédito mais seletivo em 2025

O agronegócio, tradicional motor da economia brasileira, também passa por um momento de maior cautela nas análises de crédito.

Foco na cadeia de insumos

Ana Rodela, CIO da Bradesco Asset, afirmou que, no agro, a prioridade da gestão está no crédito dentro da cadeia de insumos. Isso significa maior alocação em operações que financiam itens essenciais como fertilizantes e sementes.

“O financiamento de insumos tende a ser mais seguro, porque coloca o credor numa posição de prioridade para o produtor”, explicou. Segundo ela, tanto a capacidade de pagamento quanto a vontade de pagar estão mais fortes nos elos iniciais da cadeia.

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Riscos no setor agrícola

A gestora destacou que o agronegócio brasileiro enfrenta desafios climáticos e de mercado em 2025, o que torna a seletividade uma peça-chave na gestão de risco.

O mercado imobiliário: oportunidades na escassez

O setor imobiliário brasileiro vive um cenário de queda nas novas captações, o que está criando oportunidades pontuais para os gestores.

Janelas de compra no mercado secundário

Ana Rodela observou que a redução nas ofertas primárias abriu espaço para compras mais vantajosas no mercado secundário. “A queda nas captações está criando janelas para comprar bons projetos a preços atrativos”, disse.

Mesmo com a perspectiva de tributação sobre os rendimentos de CRIs e fundos imobiliários, a alíquota de até 5% ainda é considerada aceitável pelos gestores.

Tendências para o segundo semestre de 2025

Trabalhador de pequena empresa sorrindo enquanto trabalha
Imagem: Tatiana Chekryzhova / Shutterstock

A previsão é de uma corrida por emissões no segundo semestre de 2025. Gestores antecipam que muitas empresas buscarão se capitalizar antes da entrada em vigor das mudanças tributárias previstas para 2026.

A busca por qualidade nas carteiras

Tanto Itaú Asset quanto Bradesco Asset enfatizam que, mais do que nunca, a qualidade dos ativos será o fator decisivo nas alocações futuras.

Setores mais visados pelos gestores

  • Infraestrutura
  • Crédito imobiliário com garantias sólidas
  • Agronegócio (foco em insumos)
  • Setores com fluxo de caixa previsível e baixo risco de inadimplência

Considerações finais

O mercado de crédito brasileiro em 2025 passa por uma fase de maior rigor e seletividade. Enquanto grandes empresas continuam acessando recursos com certa tranquilidade, as pequenas e médias enfrentam desafios crescentes.

A gestão ativa e a análise criteriosa de risco são estratégias fundamentais para os gestores de ativos, que precisam equilibrar segurança, rentabilidade e liquidez em um ambiente de incerteza econômica e mudanças regulatórias.

A tendência para o segundo semestre é de um aumento nas emissões de crédito, com os investidores cada vez mais atentos à qualidade das operações e às novas regras fiscais que estão por vir.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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