A Justiça do Rio de Janeiro autorizou o leilão de bens ligados ao ex-jogador e atual senador Romário (PL-RJ) como forma de saldar uma dívida judicial que se arrasta há mais de duas décadas. A decisão, proferida pela 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, inclui cinco bens de alto valor, entre eles uma mansão, uma lancha e três veículos de luxo, com lances iniciais que somam R$ 10,8 milhões. Os bens devem ir a leilão no próximo dia 23 de outubro de 2025.
Os bens não estão registrados diretamente em nome de Romário, mas são ligados ao senador e utilizados frequentemente por ele, o que permitiu a inclusão no processo.
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Entenda a origem da dívida de Romário
Quebra de contrato com a boate “Café do Gol”
A dívida milionária que originou o processo tem como origem uma ação movida pela empresa Koncretize, que prestava serviços à boate “Café do Gol”. A casa noturna, localizada na Barra da Tijuca, tinha Romário como sócio e encerrou suas atividades em 2001.
O encerramento abrupto do negócio motivou a empresa a processar os sócios por quebra de contrato, alegando prejuízos financeiros significativos. O caso corre na Justiça desde então, acumulando correções monetárias, honorários e decisões favoráveis à credora.
Valor atualizado da dívida
De acordo com estimativa mais recente dos advogados da empresa, a dívida de Romário alcança a marca de R$ 24,3 milhões. Embora os valores cobrados tenham sido contestados ao longo do processo, a Justiça fluminense entendeu que os argumentos da credora têm base legal e autorizou a execução patrimonial.
Quais bens serão leiloados?
Mansão na Barra da Tijuca
O bem mais valioso é uma mansão de luxo situada em um condomínio fechado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Com 896 m² de área construída em um terreno de 1.500 m², o imóvel possui piscina, campo de futebol e outras comodidades compatíveis com o padrão de vida de celebridades e ex-atletas.
- Avaliação inicial: R$ 9 milhões
- Segunda chamada (caso não haja lances): R$ 4,5 milhões
Lancha “All Mare”
Outro destaque é a lancha de luxo All Mare, com 15,5 metros de comprimento, construída com fibra de vidro e equipada com dois motores de 435 cavalos. Trata-se de um modelo de alto desempenho, frequentemente utilizado para lazer em alto-mar.
- Avaliação: R$ 1,1 milhão
Veículos de luxo
Além dos imóveis e embarcação, três carros de luxo também estão listados no leilão:
- Porsche Macan Turbo 2015: Avaliado em R$ 267,8 mil
- Audi RS6 Avanti 4.0 TFSI 2015: Avaliado em R$ 391,5 mil
- Peugeot 2008 Allure AT 2017: Avaliado em R$ 53 mil
Esses veículos também não estão registrados diretamente no nome do ex-jogador, mas, segundo o processo, estão sob sua posse ou uso contínuo, o que configuraria fraude à execução, permitindo a penhora.
Tentativas anteriores de leilão e suspensão pelo STJ

Leilão frustrado em 2021
Essa não é a primeira vez que a Justiça tenta leiloar os bens ligados a Romário. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu um leilão semelhante, acatando pedido da defesa do ex-jogador que alegava irregularidades no processo e valores excessivos.
No entanto, nos últimos meses, o processo avançou novamente, e a Justiça estadual entendeu que a suspensão não impedia a retomada do procedimento com novas garantias jurídicas.
O que diz a defesa de Romário?
Em nota oficial divulgada na sexta-feira (03/10), a defesa do senador afirmou que a decisão ainda aguarda apreciação de recurso, e que há confiança na reversão do cenário. O texto classifica os valores cobrados como “desproporcionais e exorbitantes” e afirma que os advogados seguem confiantes no arquivamento do leilão.
Nota da defesa:
“O senador mantém plena confiança no trabalho de sua equipe jurídica e acredita que os fundamentos apresentados serão suficientes para afastar qualquer possibilidade de leilão. Trata-se de um processo iniciado há mais de 20 anos, marcado por cobranças absolutamente desproporcionais.”
A equipe jurídica também aponta que a cobrança pode ser alvo de revisão judicial em instâncias superiores.
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Leilão está mantido para 23 de outubro
Apesar da manifestação da defesa, o leilão está mantido e está sendo preparado conforme os trâmites legais da Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Caso não ocorra arrematação na primeira chamada, haverá uma segunda rodada com lances pela metade do valor de avaliação, conforme estabelece a legislação vigente.
A condução será feita por um leiloeiro oficial designado pela Vara Cível, com ampla divulgação nos meios digitais, inclusive via Diário de Justiça Eletrônico e portais especializados.
O uso de bens em nome de terceiros
Estratégias de blindagem patrimonial
O fato de os bens não estarem diretamente em nome de Romário levanta a hipótese de blindagem patrimonial, prática comum entre figuras públicas e empresários. Essa estratégia, muitas vezes, é utilizada para evitar penhora de bens em processos judiciais, mas pode ser contestada quando se prova o uso contínuo ou posse indireta.
A Justiça, ao identificar esse vínculo entre os bens e o senador, autorizou a penhora com base na doutrina da desconsideração da personalidade jurídica e da teoria da aparência.
Repercussão pública
O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e na imprensa esportiva e política. Romário, ídolo nacional por sua atuação na Seleção Brasileira e figura atuante no Congresso, tem sua imagem abalada por uma disputa judicial longa e milionária.
Histórico político e atuação como senador
Romário é senador pelo estado do Rio de Janeiro desde 2015, já tendo passado por partidos como PSB e Podemos antes de se filiar ao PL. Ao longo de sua carreira política, teve forte atuação em temas ligados à saúde, à inclusão de pessoas com deficiência e ao combate à corrupção. Esse episódio pode representar desgaste político, especialmente diante da possível disputa eleitoral em 2026.
O que esperar a seguir?

Caso o recurso da defesa não seja aceito, o leilão seguirá normalmente. Se os bens forem arrematados, o valor será usado para amortizar a dívida de R$ 24,3 milhões. Se a quantia arrecadada for inferior ao valor total da cobrança, novos bens podem ser incluídos na execução judicial.
A próxima etapa do processo será a análise do recurso pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que pode suspender o leilão novamente ou mantê-lo conforme autorizado.
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil



