O KFC Brasil inicia uma nova fase de expansão com planos ambiciosos de crescimento nas ruas, mudando o foco tradicional das lojas em shoppings. A companhia Kentucky Foods Chile, que assumiu o controle da operação no País há três meses, pretende transformar a presença da marca e acelerar a abertura de novas unidades.
KFC planeja abrir loja de rua por semana em nova fase de expansão no Brasil
KFC Brasil planeja abrir uma loja de rua por semana em nova fase de expansão e pretende chegar a 500 unidades até 2030.
Atualmente, das 233 lojas do KFC no Brasil, apenas oito estão localizadas em vias públicas, enquanto as demais 225 se encontram em shoppings. Esse cenário, em que apenas 3,4% das unidades estão fora dos centros comerciais, será alterado nos próximos anos.
O CEO Otávio Pimentel projeta abrir entre 50 e 60 lojas por ano, o que corresponde a, pelo menos, uma nova unidade por semana. Até 2030, a meta é alcançar cerca de 500 lojas, com 90% das novas unidades localizadas em ruas.
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Estratégia para expansão fora dos shoppings

“Existe um limite de shoppings que fazem sentido para a nossa operação. Continuar nesse modelo nos levaria a centros com menor movimento, afetando a venda média por loja”, afirma Pimentel em entrevista ao NeoFeed.
Unidades fora de shopping, principalmente em áreas de grande fluxo, têm quase o dobro da rentabilidade das instaladas em centros comerciais, com receita média de R$ 680 mil por mês — 70% acima das lojas de shopping, que registram média de R$ 400 mil.
Por outro lado, o investimento em lojas de rua é significativamente maior: enquanto uma unidade em shopping exige entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, a construção de uma loja de rua chega a custar entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões.
A empresa planeja reduzir gradualmente a proporção de lojas em shoppings, que será de 70% no próximo ano, diminuindo ano a ano até atingir o objetivo de 90% em ruas.
Know-how operacional e novas aquisições
Pimentel, ex-vice-presidente da rede Popeyes, assumiu a operação do KFC Brasil após a venda de 58,3% das ações da International Meal Company (IMC) para o grupo equatoriano Serrano, dono da Kentucky Foods Chile, por US$ 35 milhões.
A IMC manteve uma participação minoritária de pouco mais de 40%, sem controle operacional. A tendência é que essa fatia caia para 15% nos próximos cinco anos, à medida que a operação chilena realize novos aportes.
O grupo Serrano possui experiência na América Latina, operando no Chile, Equador, Venezuela, Colômbia e Argentina. Apesar do KFC Brasil se tornar a maior operação em número de lojas do grupo, em faturamento ainda fica atrás de outros países, como Equador e Chile.
“Com o mercado consolidado nos outros países, o crescimento desacelera. No Brasil, há espaço para mais de 50 aberturas por ano”, afirma Pimentel, destacando o potencial de penetração da marca em território brasileiro.
Concorrência e mercado brasileiro
O KFC enfrentará concorrência intensa no Brasil. O McDonald’s, controlado pelo grupo Arcos Dorados, possui 1.020 unidades; o Bob’s, 1.070; o Burger King, 959; e o Subway, 1.518 lojas.
“Essas marcas chegaram primeiro e estão na cabeça do consumidor, mas há espaço para crescimento no país devido à sua dimensão”, avalia Pimentel. Ele compara a presença brasileira com o Reino Unido, onde mais de 1.000 lojas atendem cerca de 69 milhões de habitantes — praticamente o mesmo número de lojas que o Brasil terá até 2030, mas com mais de 200 milhões de habitantes.
O crescimento geográfico será estratégico, com expansão em diferentes regiões, exceto a Norte, devido à complexidade logística. Atualmente, um terço das lojas brasileiras está no estado de São Paulo.
Frango brasileiro e sinergia na América Latina

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Além de trazer experiência operacional, o grupo Serrano busca aproveitar a cadeia de suprimentos do Brasil. O país é o terceiro maior produtor e maior exportador mundial de carne de frango, podendo servir de hub para as operações da rede na América Latina.
Somente as lojas brasileiras consomem 12 mil toneladas de frango ao ano, volume que deverá aumentar para até 18 mil toneladas com a expansão. A expectativa é utilizar essa escala para abastecer também o Chile, Equador, Colômbia, Argentina e Venezuela.
“Nossa cadeia de compras está sendo reorganizada, trazendo vantagens pela escala e potencial de abastecimento de vários países”, afirma Pimentel.
Resultados e perspectivas financeiras
O KFC Brasil registrou receita de R$ 271 milhões no segundo trimestre de 2025, alta de 34,2% em relação aos R$ 202 milhões do mesmo período em 2024. Comparando lojas equivalentes, o crescimento foi de 15,5%.
Com a estratégia de expansão para ruas, a empresa espera não apenas aumentar a receita, mas também fortalecer a marca e melhorar a rentabilidade média de suas unidades, alinhando o Brasil à performance dos outros países latino-americanos do grupo Serrano.
Conclusão
O KFC Brasil entra em uma nova fase de crescimento acelerado, apostando em lojas de rua como motor de expansão e rentabilidade. Com planos de uma abertura por semana e sinergia regional em supply chain, a rede busca consolidar sua presença no mercado brasileiro e se aproximar do desempenho das operações latino-americanas.
Imagem: BalkansCat Shutterstock

