O economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, publicou na noite da quarta-feira (9/7) um artigo contundente contra o ex-presidente dos Estados Unidos e atual pré-candidato republicano, Donald Trump. No texto, Krugman denuncia como “politicamente motivada” a nova tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano sobre exportações brasileiras e afirma que a decisão é “motivo suficiente para impeachment”.
Intitulado “Programa de Proteção a Ditadores de Trump”, o artigo foi publicado no The New York Times, jornal no qual Krugman mantém uma coluna de opinião. Segundo ele, a medida tem como objetivo punir o Brasil pelo julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), e não há justificativas econômicas plausíveis para a ação.
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“Trump mal finge ter uma justificativa econômica para essa ação. Tudo isso tem a ver com punir o Brasil por colocar Jair Bolsonaro em julgamento”, escreveu Krugman.
A nova tarifa de 50% e o impacto na economia brasileira
Imagem: mark reinstein / Shutterstock.com
Na quarta-feira (9), o governo brasileiro recebeu notificação formal do Departamento de Comércio dos EUA informando sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor a partir de 1º de agosto, impactará exportações de diversos setores, especialmente o agrícola e o metalúrgico, que representam fatias expressivas do comércio bilateral.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os EUA foram o destino de US$ 40,3 bilhões em exportações brasileiras em 2024. No mesmo período, o Brasil importou US$ 40,6 bilhões em produtos norte-americanos, gerando um leve déficit.
Entretanto, Krugman destaca que a influência do mercado norte-americano sobre o Brasil é limitada.
“As exportações para os EUA representam menos de 2% do PIB brasileiro. Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme — que nem sequer depende muito do mercado americano — a abandonar a democracia?”, questionou o economista.
Reação brasileira: reciprocidade econômica e soberania nacional
Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à medida afirmando que o Brasil não aceitará pressões externas. Em nota oficial, o Palácio do Planalto declarou que usará a Lei da Reciprocidade Econômica para responder à elevação das tarifas.
A legislação brasileira prevê que o governo possa aplicar medidas equivalentes contra países que adotem políticas comerciais consideradas prejudiciais ou desleais, especialmente quando interferem em assuntos internos do país.
“O Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém”, declarou Lula em resposta direta a Trump.
Além disso, o presidente brasileiro rebateu a alegação feita por Trump de que os Estados Unidos acumulam prejuízos na relação comercial com o Brasil. Citando dados oficiais do governo norte-americano, Lula apontou que, nos últimos 15 anos, os EUA registraram superávit de cerca de US$ 410 bilhões no comércio bilateral.
A motivação política por trás das tarifas
No artigo, Krugman destaca que o uso da política tarifária com objetivos geopolíticos e ideológicos não é novidade na história dos Estados Unidos, mas a iniciativa de Trump ultrapassa limites aceitáveis.
“Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam a política tarifária para fins políticos”, afirmou o economista. “Mas desta vez, a motivação é particularmente maligna e megalomaníaca.”
Para o Nobel de Economia, a decisão de Trump não tem relação com defesa de empregos ou da indústria norte-americana, mas com o apoio velado a aliados ideológicos internacionais — neste caso, Jair Bolsonaro.
Trump, em carta enviada ao governo brasileiro, afirmou que o julgamento de Bolsonaro é uma “vergonha internacional” e que o Brasil tem atacado “eleições livres e a liberdade de expressão dos americanos” — acusações sem base factual.
Krugman defende impeachment de Trump
A crítica mais dura de Krugman se deu ao final de seu texto, onde sugere que a decisão de taxar o Brasil configura abuso de poder com motivações políticas, o que seria motivo suficiente para impeachment.
“Estamos vendo mais um passo terrível na espiral de decadência do nosso país”, disse Krugman, referindo-se à deterioração institucional dos Estados Unidos sob Trump.
O economista aponta que a instrumentalização da política comercial para defender autocratas estrangeiros coloca em risco a credibilidade internacional dos EUA e ameaça princípios democráticos tanto dentro quanto fora do país.
Relação comercial em risco
Com a imposição da nova tarifa e o embate diplomático entre Brasil e Estados Unidos, especialistas já apontam riscos para a estabilidade das relações comerciais entre os dois países. Embora a balança comercial seja equilibrada, os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
Setores da indústria brasileira, como o de alumínio, suco de laranja, carne bovina e aço, devem ser os mais afetados pelas novas tarifas. Empresários pressionam o governo por medidas compensatórias, enquanto diplomatas tentam mediar uma saída que evite retaliações ainda mais profundas.
Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.